COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

COMPROMISSO

Mano Menezes deu uma entrevista muito boa à Folha de S. Paulo, publicada na edição de ontem do jornal. Há quem confunda as declarações do atual técnico do Corinthians em coletivas pré ou pós-jogo, em que assuntos internos de seus times são tratados com economia de informações, com a capacidade de falar elaboradamente sobre futebol. Conversar com Mano é sempre interessante.

Na entrevista à Folha, ele revelou com sinceridade o baque que sentiu ao ser removido do cargo de treinador da Seleção Brasileira, acrescentando que o desejo por retomar a carreira foi um fator em sua decisão – que hoje ele enxerga como precipitada – de aceitar o convite para dirigir o Flamengo.

Em um dos trechos mais valiosos do encontro, Mano foi questionado sobre o desempenho da Seleção Brasileira na próxima Copa do Mundo. “Creio que o Brasil vai ganhar a Copa”, disse. Quando a Folha quis saber se a opinião seria a mesma caso o técnico do time ainda fosse ele, Mano respondeu que sim.

Essa questão surgiu diversas vezes durante o período em que Mano comandou a Seleção. Fosse embalada como “a pressão por jogar uma Copa em casa”, ou pela quase onipresente menção a “como lidar com o favoritismo no Brasil”, o técnico sempre optou por uma posição que não fosse confundida com excesso de otimismo. A distância para o Mundial e a preocupação com o processo de renovação do time estimulavam Mano a ser cauteloso.

Quando a comissão técnica foi substituída, em novembro de 2012, quem prestou atenção certamente notou a ênfase com que Luiz Felipe Scolari externou a certeza da conquista do título. A princípio foi até surpreendente. Técnicos não têm o costume de se arriscar dessa maneira, ainda mais no caso em questão, em que a cobrança será extrema. Com o repetir das “garantias” de Felipão, percebeu-se uma intenção em marcar um discurso e caracterizar a mensagem endereçada ao público.

Foi uma estratégia de comunicação de Parreira e Scolari, com o claro objetivo de estabelecer um ambiente favorável desde o início. “Foi uma preocupação que tivemos, para passar ao torcedor a nossa total confiança de que vamos ganhar a Copa. E é assim mesmo”, disse Parreira, em um encontro no início da semana, ao qual este colunista esteve presente.

Parreira salientou que ele e Scolari identificaram a necessidade de elevar o tom da conversa sempre que dessem declarações públicas. Eles obviamente sabiam que não faltariam oportunidades de tocar no assunto. Não se trata de uma crítica à postura de Mano, mas de uma diferença de visão em relação à forma de comunicar o trabalho.

O discurso interno, com os jogadores, é o mesmo. Parreira não considera que transpirar otimismo seja um acréscimo de pressão sobre quem efetivamente jogará a Copa. Ao contrário, ele entende que o grupo fica protegido quando o comando se expõe, o que sugere que esse aspecto também foi levado em conta.

A menos de um mês da estreia, a confiança é evidente. “Esse é um grupo que tem fome, que quer ganhar”, disse Parreira. Acima dele, paira uma mensagem de sucesso que será testada de maneira brutal a partir de 12 de junho.

CHEGADAS E SAÍDAS

As listas de pré-convocados divulgadas durante a semana geraram comentários sobre a ausência de certos nomes. A Argentina virá ao Brasil sem Tevez. A França, sem Nasri. Decisões baseadas em critérios que superam a questão puramente técnica e mostram como a formação de grupo pesa na hora de escolher o elenco definitivo. A baixa de Thiago Alcântara, crucial dublê de Xavi na Espanha, foi um golpe para os atuais campeões do mundo. Del Bosque não tem outro jogador com as mesmas características. Já Falcao está entre os convocados de José Pekerman, mesmo em recuperação de cirurgia nos ligamentos do joelho. É extremamente improvável que o vejamos na forma ideal, se é que o veremos em campo. Na discussão sobre quem vem, quem não vem, incluindo aqueles jogadores cujas seleções não se classificaram, o goleador colombiano é o maior pecado desta Copa.



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