COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O BANCO E A BANCA

Entre as pessoas que comandam o Palmeiras atualmente, há um consenso de que a pior administração da história do clube foi a de Arnaldo Tirone, antecessor de Paulo Nobre e pai do segundo rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Na lista das gestões catastróficas, de acordo com as mesmas opiniões, o segundo lugar não é ocupado por Mustafá Contursi, mas por Luiz Gonzaga Belluzzo.

Diferentemente de Contursi, Belluzzo não levou o Palmeiras à Série B. Seu pecado teria sido o agravamento das finanças do clube, em nome da montagem do time que esteve próximo de ser campeão brasileiro em 2009. Aquela foi a última temporada em que o Palmeiras disputou a principal competição do calendário nacional com chances de conquistá-la. Iniciou o campeonato com Vanderlei Luxemburgo, teve Jorginho como interino por um mês, e encerrou sob o comando de Muricy Ramalho.

Belluzzo operou com ousadia e não economizou recursos – exatamente o que se cobra de Nobre, hoje – para construir e manter um elenco “compatível com os objetivos do Palmeiras”. Recusou-se a negociar Diego Souza (entre outros) quando o futebol europeu bateu à porta no meio da temporada. Repatriou Vágner Love quando um atacante como ele era visto como a peça que faltava. O Palmeiras liderou o Brasileirão até a trigésima-terceira rodada, antes de sofrer um colapso atribuído a lesões, arbitragens danosas e falta de sorte.

Mas pelo menos um jogador titular daquele time tem outra explicação para a queda que pôs a perder até uma vaga na Copa Libertadores: o grande erro foi a mudança na forma de atuar, após a transição de Jorginho para Muricy, quando o título passou a ser mais importante do que os mecanismos que o tornavam possível. O time se supervalorizou e deixou de jogar com a mentalidade trabalhadora que o caracterizava.

O ex-jogador se recorda de conversas com a comissão técnica no sentido de recuperar o sistema conservador – defesa e a exploração do erro do oponente – que obteve sucesso durante o período de Jorginho. Foi voto vencido, enquanto se falava em sacramentar a conquista com rodadas de antecedência e planejar o ano seguinte. Ele morrerá convencido de que o final seria diferente se todos tivessem se mantido com os pés em contato com o solo.

Jamais se saberá o que teria acontecido, mas é evidente que um título em 2009 teria alterado o destino do Palmeiras. Talvez o clube seguisse no perigoso caminho de gastar o que não tem, ou pudesse se ajustar financeiramente em um ambiente mais tranquilo. Fato é que a qualidade do elenco sofreu a cada ano, assim como suas possibilidades.

O que não mudou foi o pensamento que evoca as gloriosas tradições palmeirenses, independentemente do material que se tem em mãos. Na noite em que o Palmeiras levantou a Copa do Brasil de 2012, Tirone declarou que o troféu era uma comprovação de que o elenco – que terminaria o ano rebaixado – era de “alto nível”. É o mesmo tipo de exagero que levou Paulo Nobre a concluir que Gilson Kleina não está à altura do time atual.

Na visão do titular em 2009, o erro fatal foi “deixar de jogar fechadinho, esperando”. A mensagem não envelheceu. A alternativa a ela é quebrar a banca, decisão pela qual Belluzzo é criticado até hoje.

ATAQUE

Jérôme Valcke declarou que “o Brasil não é a Alemanha”, mas esqueceu de dizer que foi exatamente por isso que a Copa do Mundo não veio diretamente da Europa à América do Sul. A escala na África foi uma aclimatação necessária para evitar sobressaltos, ainda que não haja garantias de que será bem sucedida. A impressão é de que não.

DEFESA

Aldo Rebelo declarou que os ingleses correrão menos riscos no Brasil do que no Iraque, onde praticaram guerras. Mas esqueceu de conferir os números da ONU, que mostram mais homicídios aqui do que lá. O ministro está se especializando em frases bizarras.



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