CAMISA 12



(publicada nesta quinta, no Lance!)

COTA PESSOAL

Ao final do anúncio da lista, só havia um tópico de discussão. Um. Um nome em vinte e três. Um zagueiro, o quarto. Não o quarto-zagueiro, mas o quarto nome entre os zagueiros convocados. O último dos zagueiros, Henrique.

Vinte e dois nomes bem aceitos significam um “acerto” de 95,6%, número que indica que os escolhidos por Scolari são basicamente os mesmos que você ou eu escreveríamos na relação final. Um reflexo da oferta atual de jogadores e, claro, das opiniões que prevalecem a respeito deles. Frise-se o exagero de associar a única polêmica, a ausência de Miranda, a um clamor popular ou “da crítica”. Clamor havia por Romário há doze anos. Hoje entende-se que Miranda é mais jogador (e é) e mais comprovado (idem) do que seu colega do Napoli. Um debate corriqueiro, por maior que seja a distância entre ambos.

A não compreensão da opção por Henrique resulta da não compreensão dos métodos de quem o chamou. Scolari precisaria ser uma pessoa e um técnico diferentes para decidir, no último dos instantes, por um jogador que convocou apenas uma vez, em detrimento de alguém com quem ele “já foi ao inferno”. Seria uma contradição do que Scolari prega, uma sabotagem aos fundamentos de sua maneira de comandar. A questão não está em discordar deles, mas em não detectá-los.

Isto não significa dizer que há um aspecto em que Henrique é melhor do que Miranda. Não há. Mas que há aspectos na montagem de grupos que suplantam o critério técnico. E que há treinadores para os quais tais aspectos têm maior importância. Miranda – que não poderia ter feito mais para merecer um chamado para a Copa – é uma vítima das intangibilidades dos relacionamentos humanos. Triste, provavelmente injusto, mas comum.

O que não se deve perder de vista é que estamos falando de um jogador reserva, em um setor do time no qual não há dúvidas. Estranho que não haja debate, por exemplo, em relação ao goleiro titular.

ESPERA

Diego Cavalieri tem motivos para ser o jogador que mais lamentou não ter sido convocado. Ao contrário de Miranda, o goleiro do Fluminense era assíduo nas listas de Scolari. E ainda poderia nutrir dose extra de esperança pelo relacionamento antigo com Carlos Pracidelli, treinador da posição. Cavalieri tem idade para mais uma Copa, se isso serve de conforto.

GRUPOS

A Seleção Brasileira que disputou a Copa de 2006 tinha vários nomes consagrados e opções, mas não chegou a ser um conjunto correspondente. A de 2010 era um time superior aos – poucos – nomes que tinha, mas como vimos contra a Holanda, era pobre em alternativas. A atual tem ainda menos nomes, mas mais variações, e, a julgar por 2013, já é um time.



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