CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

VIDA EM CAMPO

Pouco depois do final do jogo em Londres, repórteres se aproximaram de Filipe Luís. O lateral brasileiro do Atlético de Madrid havia ajudado seu time a chegar, pela primeira vez, à decisão da Liga dos Campeões da Uefa. Entre as palavras que conseguiu pronunciar em um momento de verdadeira emoção, Filipe conjugou a necessidade de “pensar no Levante”.

O Levante é o próximo adversário do Atlético no Campeonato Espanhol. O primeiro dos dois últimos times que se colocam entre a equipe da capital e o título nacional, caso o Atlético consiga vencer ambos os jogos. O conceito de jamais deixar de olhar para o desafio seguinte precisa estar impregnado no subconsciente de um jogador para surgir, assim, quando ideias desconexas seriam naturais, esperadas até.

O “próximo jogo” é um dos mantras de Diego Simeone, o técnico que levou o Atlético da irrelevância às portas das duas conquistas mais preciosas que o clube pode almejar. É um exercício de concentração e, ao mesmo tempo, o reconhecimento de uma fragilidade que até agora o argentino e seus jogadores conseguiram esconder. Porque o mesmo time que derrotou o Chelsea, em Stamford Bridge e de virada, pode perder para o Levante, se não se preparar como deve.

Não é retórica de vestiário, é a realidade de uma equipe que é muito mais do que a soma de seus jogadores. O Atlético é o time que “não deveria estar aqui”, na Liga Espanhola ou na dos Campeões. Já deveria ter recebido um tapa nas costas e se recolhido ao sofá que seu orçamento lhe reserva, para ver os gigantes disputarem os troféus.

Quando eventos como esse acontecem no futebol, o trabalho do técnico está na origem da explicação. Simeone pode não conquistar as taças que estão tão perto, mas seu Atlético nos recorda do que jogadores convictos são capazes, se tiverem um bom exemplo e muita coragem.

É um jeito admirável de jogar futebol e de encarar a vida.

COJONES

Simeone agradeceu às mães dos jogadores do Atlético de Madrid por terem feito filhos com “huevos grandes”, um elogio à postura destemida que é característica do time. As semifinais da Liga dos Campeões promoveram o debate sobre formas de jogar. Nada é definitivo no futebol. Ficou evidente que as ideias e os estilos são opcionais. Mas a bravura, não.

DÉRBI

Pela primeira vez na história das competições europeias, dois times da mesma cidade decidirão o título. O Real Madrid ainda não conseguiu vencer o Atlético nesta temporada, com uma derrota e um empate. Mas o time merengue é hoje uma máquina do contragolpe, no auge da confiança após destratar os atuais campeões da Europa. Será uma festa madrilenha em Lisboa.

ATUALIZAÇÃO: Nas semifinais da Copa do Rei, o Real Madrid venceu os dois jogos contra o Atlético.



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