COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

VALORES

O triângulo Palmeiras-Alan Kardec-São Paulo nos relembra as distâncias entre o papel e a vida real. O futebol surpreende quem se acostumou a participar de negociações em outros mercados, mas continua a decepcionar quem é do meio quando o desfecho não agrada. Não há ingênuos representando clubes e jogadores em discussões sobre assinaturas – ou rupturas – de contratos, com condutas que mais se assemelham do que se distinguem. De modo que aquele que hoje lamenta pode ser o mesmo que, ontem, comemorou. Um dia é da caça…

No mundo ideal, nenhum clube procuraria, direta ou indiretamente, um jogador sob contrato com outro clube. E nenhum jogador aceitaria ou corresponderia esse tipo de assédio. Mas no mundo ideal, sabemos, não existe a necessidade de documentos e assinaturas. Um acerto verbal e um aperto de mãos são suficientes para fechar um negócio satisfatório que será honrado por ambos os lados. Ainda há compromissos confeccionados assim, à moda “antiga”, em que os termos são redigidos apenas por questões formais ou burocráticas. Não por coincidência, são os que sempre caminham até o fim, sem conflitos.

Apesar de jogadores serem “roubados” – o que necessariamente significa que se deixam “roubar” – com frequência, todos os atores do espetáculo se apresentam como pessoas corretas e respeitadoras do contrato alheio, para consumo externo. Principalmente os clubes, no momento de reconhecer a derrota e apontar para o lado vencedor da vez como vilão. Ninguém faz nada errado, pois sempre haverá um um amigo, um intermediário, alguém para iniciar uma conversa “não oficial”. Medidas que deixam rastros, que cheiram mal. Quem se importa?

E ainda não chegamos, no Brasil, à era dos contratos de natureza civil que estabelecem vínculo não esportivo entre clubes e jogadores de outros clubes, como o Barcelona fez para negociar com Neymar. Nada mais do que uma estratégia para driblar os regulamentos vigentes para transações de atletas, sob o argumento de que nenhum clube tem direitos sobre a vida particular de um jogador. Mesmo que o documento disponha sobre a intenção de celebrar um acordo esportivo no momento propício. Se atalhos desse tipo são aceitos, o que está escrito realmente não vale nada.

Perdido em meio ao barulho proveniente do “sequestro” de mais um jogador de futebol, um fato que merece maior atenção: o descontentamento de Alan Kardec com a proposta financeira de renovação feita pelo Palmeiras, origem da discórdia. De acordo com as informações divulgadas no fim de semana, o São Paulo oferece ao atacante um salário que normalmente está – ou estava – associado a jogadores comprovados. Kardec tem 25 anos e muito a fazer em sua carreira.

Se as pretensões salariais de um jogador ultrapassam os limites que um clube se impõe, a questão deve terminar aí. Obrigado, boa sorte. Erra quem cobra do Palmeiras sentar-se à mesa de pôquer por orgulho ferido. Noção de valor não se flexibiliza. Ou se tem, ou não.

TREINO

Sim, a amostra ainda é pequena. Mas o Fluminense mostrou, em dois jogos do Campeonato Brasileiro, características que não podem ser atribuídas ao acaso ou à motivação. As diferenças para o time que decepcionou no Estadual evidenciam uma equipe treinada. Sinais do trabalho de Cristóvão Borges.

DOR

Se o Liverpool não conquistar o título da Premier League por causa de um escorregão de Steven Gerrard em um jogo crucial, estará escrita uma história inacreditavelmente triste. Se havia um jogador que não merecia tal angústia, era ele. O futebol não tem sentimentos.

RIDÍCULO

Depois de comer uma banana atirada em sua direção por um imbecil entre torcedores do Villarreal, Daniel Alves fez sua segunda assistência na vitória do Barcelona. O estúpido racista foi punido duas vezes: Daniel o expôs com rara compostura e o Villarreal perdeu.



  • Emerson Cruz

    O que mais irrita no caso Kardec é o fato de as 3 partes quererem se passar por mocinhos de um conto de fadas infantil. Quando na verdade ninguém é inocente nesta história. Ninguém!

    • Rodrigo-CPQ

      Caro Emerson, no futebol é assim: tem muito santo pra pouco altar. Infelizmente.

  • Ricardo

    Muito tem se comentado sobre a postura inicial agressiva do Presidente do SP e acredito ter sido desnecessária a forma como foi conduzida a negociação com o Kardec. Se a intenção era incendiar, criar atrito… missão cumprida. Só que não deveriam agir assim num momento que exige Bom Senso (FC), e ao menos aparentamos buscar melhores condições para o “espetáculo” e igualdades clubísticas. E o Palmeiras perdeu um dos jogadores que vinha fazendo a diferença a seu favor.

    • Bruno

      Por isso deixo de acreditar um pouco na proposta do Bom Senso, na verdade os que estão mais engajados são os que irão se aposentar em breve, pois os mais novos….só querem mesmo é saber de dinheiro e o resto é que se dane. (o pensamento é igual aos dos dirigentes, quero o meu e que os outros se virem)
      Essas atitudes dos jogadores dá munição para que os dirigentes deem de ombros para essas revindicações.

      AK: Não consigo ver relação entre os temas. Um abraço.

  • Roberto

    O Barcelona ter virado o jogo é o melhor sinal de que os Deuses do Futebol existem. Não pelo time do Villareal, mas pelo torcedor-asno.

  • José Henrique

    O que não se pode negar é a fama justificada enfim, definitivamente pelo SPFC, de clube mais antiético do pais.
    Mas, algo nos diz que nessa, o Palmeiras saiu bem. O tempo dirá.
    A melhor fase do Kardec, dirão, foi no Palmeiras. Pois bem, onde? Serie B, e Paulista? Ok.
    Se isso fosse base para valorizar o jogador em 350 mil mensais, quanto valeria então um jogador do Ituano?
    Resumindo, nessa, o sr. Ai dar, só fez confirmar a fama de prepotência sãopaulina, para se gabar de um passa moleque no Palmeiras.
    Como corinthiano, só posso dizer que sinto saudades do sr. Portugal Gouveia, nosso rival mais leal e até parceiro, não nosso, mas do futebol.
    Liverpool, do futebol Ingles, cabe aquela frase do filme Lobo de Wall Street : “onde o dinheiro fala, o resto se cala”.
    Quanto ao Flu, realmente os créditos são para Cristóvão, não por seu trabalho, mas por segurar Sobis, uma vez que sem Deco, o Flu, era candidato a segunda divisão.
    Caso Daniel Alves, como tem gente pegando carona nessa parada hein?
    Ficar ao lado dele, é a maior moleza da paróquia. Celebridades….!!!
    Mostrar apoio, etc, etc. Como se ficar do outro lado não fosse idiotice.

    • O_PRG

      Deco foi equivocadamente suspenso, desfalcou o Flu e o mais engraçado foi ouvir o ensurdecedor silêncio dos moralistas de plantão. Cabe anular os jogos disputados pelo Fluminense no período da suspensão preventiva? Cabe uma ação pedindo ressarcimento dos prejuízos? Quanto ao Cristóvão há sim o “dedo” do técnico no time. De todo modo o moralismo imbecil de parte da imprensa mostrou-se inócuo como posteriormente provaram as atitudes da Portuguesa e as decisões do Judiciário. A chegada do Cristóvão foi o contraponto a essa campanha difamatória estúpida e uniu a torcida, o time e o clube com o lema #AindaMaisFortes.

      AK: Há tempos não via um compêndio de nonsense como esse, sobre todos os pontos mencionados. Certamente é de propósito. Um abraço.

      • O_PRG

        Nonsense é alguém defender que regulamentos não sejam respeitados (de modo algum estou afirmando que você tenha feito isso) e se valer do acesso privilegiado aos meios de comunicação para uma campanha difamatória, que muitas vezes pode ter consequências nefastas, a exemplo da Escola de Base em SP

        AK: Não. Isso – se tivesse acontecido – seria errado. Nonsense é o exagero, a fantasia.

        • Nilton

          O_PRG, que eu me lembre a campanha difamatória começou na NET, com as torcidas adversaria partindo para o ataque (como sempre acontece depois de uma “eliminação” ou “vergonha alheia”) e tomou conta de todas as mídias que nos últimos anos anda ecoando o que aparece nas redes sociais.

  • Roberto

    Não entendi o porque do escândalo no caso Kardec. O SPFC negociou com o atleta dentro da janela em que ele poderia negociar com qualquer clube, certo? Então o leilão era esperado, não? O clube quando quer evitar isso não negocia antes dos 6 meses de fim de contrato? Oq me surpreende foi ter sido somente o SPFC a entrar nessa história. Foi alguma informação privilegiada? Por isso estão dizendo que foi falta de ética? Não entendi nada.

    Qto ao valor do Kardec, as vezes a inflação não surge por que o produto agrega mais valor, surge simplesmente por uma discrepância maior entre oferta e demanda. Estamos com uma seca de centro-avantes competentes. Era esperada essa valorização do atleta.

    André, seu ponto sobre o atraso da legislação esportiva com relação à criatividade dos clubes e atletas é muito bom. Acredito que logo logo vamos ver umas coisas bem estranhas (e revoltantes). Não tem outro caminho que não seja aumentar, clarificar e adaptar a regulamentação. Acreditar q viveremos num mundo de negócios ético é bem inocente. Melhor garantir q os incentivos estão contidos pela lei.

  • Anna

    Destaque para três assuntos: 1)Penso que o Palmeiras conduziu mal a negociação com o melhor jogador da equipe atualmente. Essa é a primícia. Quanto ao São Paulo, poderia ter falado ao Palmeiras sobre seu interesse. 2) Daniel Alves foi inteligente e sensível. Gol de placa. 3) Fiquei arrasada com o que aconteceu com Gerrard. Ele não merecia. Gosto demais dele. Boa terça a todos, Anna.

  • Ronaldo

    Guardiola sem o melhor do mundo é isso ai. Já Mourinho ganha com Milito, Fernando Torres, Carlos Alberto. Tá claro quem é o melhor técnico. 3 a 0 no primeiro tempo e como joga bonito e toma gol esse time do Guardiola.

    AK: Vejam que espetáculo de análise.

  • Bruno

    O Futebol Brasileiro esta louco, estamos repatriando jogadores pegando mais caro do que estamos vendendo para o exterior.
    Só se pode esperar é ganho esportivo (títulos, mídia, patrocínio, conquista de torcedores e outras coisas mais), mas ganho com a revenda do jogador…nunca.
    O Corinthians pagou praticamente o mesmo valor que vendeu o Elias, o Kardec tanto o Palmeiras como agora o São Paulo querem (queriam) pagar quase o triplo do valor que ele foi vendido pelo Vasco ao Benfica. O Porto não esta nem ai para o Walter, mas vai tentar comprar para ver o preço que estão pedido.
    O Palmeira trouxe o Kleber, Valdívia e Wesley a preço de mercado Europeu.
    O Corinthians pagou uma nota preta por uma parte dos direitos do Pato…o olha no que deu…está torcendo para o rival ir bem para não perder tanto dinheiro, mas sabe que irá perder uma grana enorme.
    O São Paulo comprou o Ganso a preço de ouro do Santos.
    O Santo comprou a tbm preço de ouro o Damião do Internacional.

    Os dirigentes estão fazendo essas loucuras e ainda assim existe políticos que querem anistiar as dividas dos clubes perante a União.
    O pior é ouvir dirigente clube querendo que o Governo crie pacotes de incentivo ao clubes de futebol parecido aos que são dados as empresas de energia elétrica, automoveis e outros setores que na verdade empregam muito mais profissionais.

    • Laura

      Não sei se os incentivos que se está discutindo e’ o ideal mas os clubes sofreram muito desde a lei Pele’. Acho que alguma forma de auxílio e’ necessário. Os clubes Brasileiros estão, em sua maioria, quebrados. Tem uma geração nova de dirigentes boa que são sérios e não conseguem um planejamento a médio prazo por causa das dívidas. Algo precisa ser feito pois o futebol e os clubes são partes fundamentais de nossa cultura e identidade como pais.

      • Nilton

        Laura, não leva a mal mais nunca ouvi falar de um time europeu que quebrou depois que acabou o passe no velho continente.
        Aqui deste lado do planeta os clubes estão sofrendo mais com as más gestões do que com os efeitos da Lei Pelé.
        Sobre a tua opinião de que “algo precisa ser feito” o Bom Senso esta mostrando alguns caminhos que podem ser discutidos (até agora o BSFC somente apresentou projetos e não pautas) por parte do Governo a única coisa aceitável seria a responsabilização por parte dos dirigentes dos clubes, ou que todas as negociações de venda fosse destinando 5% para pagar divida com o fisco.
        Fora isso não consigo ver como cidadão que gosta de futebol como o Estado poderar a ajudar o Futebol.

  • Rafael Borges

    eu discordo de você, andré. acho que não há problema nenhum em procurar jogador com contrato, desde que se pague a multa por quebra de contrato ou o valor estabelecido pelo clube. ou desde que se faça isso dentro dos seis meses anteriores ao fim do seu contrato de trabalho, como determina a lei pelé. e acho que esse não é um caso apenas de se apegar à letra fria da lei, ao contrário: querer preservar o direito do clube negociar à exaustão com um jogador, sem livre concorrência, enfraquece o lado do trabalhador, que fica refém da vontade do seu clube de negociar. o próprio presidente do palmeiras disse que ia usar o mês restante que tinha para “jogar” com o alan kardec e baixar seu salário. o atleta recebeu oferta melhor e saiu. normal.

    ter jogador por um empréstimo é perigoso, porque ele não pertence ao clube que está jogando. veja, se algum clube chegar no corinthians e pagar o que foi acertado pela quebra de contrato de pato (15 milhões de euros, se não me engano), pode se acertar com o jogador. o são paulo tem, ainda, a oportunidade de igualar a proposta e também tentar acertar com pato. acho que essa situação é normal.

    acho que o errado, e talvez as coisas estejam se confundindo (não por acaso), é se acertar com o jogador e usar isso (aliado a um bom corpo mole) para barganhar com o clube que tem contrato com o jogador. o são paulo fez muito isso. com andré dias e dagoberto, por exemplo. também foi vítima, no caso de oscar – onde o certo seria respeitar a vontade do jogador, desde que o inter pagasse a multa de rompimento de contrato. no fim das contas, se o são paulo aceitou o que o inter ofereceu, o caso se legitimou.

    e por fim, apesar das diferenças entre as áreas de atuação, que tem suas particularidades próprias, eu me questiono do porquê (exatamente quais particularidades interferem nisso) um jogador de futebol, diferente de qualquer outro profissional, precisa da anuência do empregador para ouvir uma proposta de um concorrente.

    AK: Em ambientes mais transparentes, um clube pede autorização a outro para conversar com um jogador (ou técnico) sob contrato. Por motivos semelhantes, há profissionais – de diversas áreas – que não deixam de cumprir seus contratos até o final. Questões de conduta. Um abraço.

    • Roberto

      Não acho que existam jogadores com carreira pela frente (não em fim de carreira) que assinem contratos e vejam isso como um acordo moral de cumprimento de tempo no clube. Acho q dado o comportamento histórico do mercado, todos os envolvidos já vêem o contrato como um documento legal de base para a negociação que vai inevitavelmente ocorrer a cada janela de transferências. As vezes o contexto não muda e a vida continua. Mas na maioria das vezes é preciso sentar e ver se não vale revisar algo na relação. Se esse é o caso (hipótese minha, é claro) então não existe quebra moral de acordo nenhum, pois ninguém vê o contrato dessa maneira. Talvez os torcedores.

  • Mariana

    Espero, de coração, que o Liverpool ganhe a taça. Gerrard merece demais! (Como mereceu aquela UCL de 2005). Entretanto, considerando os caprichos do futebol, acho que os Reds vão ficar na vontade mais um ano…

    Espero que meus pressentimentos estejam mais uma vez enganados e fique provado de uma vez por todas (como se fosse necessário) que eu não entendo NADA de futebol (até apostei um chocolate que o Bayern viraria o placar contra o Real, vejam só!)

  • luís

    Não sei porque tanto barulho por uma coisa TÃO PEQUENA, ou será que quem acompanha futebol não sabe da máxima que todo jogador de um clube pequeno quer jogar em um time grande e com mais estrutura e que SIM pode pagar mais, simples assim….

  • Rafael

    Acredito que a conduta equivocada na história deva ser reputada ao jogador (leia-se seu empresário e staff).
    Ora, se o cara tem contrato em vigor com um clube e está negociando a renovação, o esperado quando é procurado por um outro clube é dizer: “no momento eu negociando com a SEP e caso não dê certo ouvirei a sua proposta SPFC”.
    Logo, a postura do SPFC não foi inadequada, pois certamente representantes do clube só fizeram alguma proposta após um aceno por parte da equipe que cuida da carreira do jogador.

    AK: Certamente?

    • Rafael

      Acredito que sim, pois se o pessoal do SPFC desse com a porta na cara não iriam fazer qualquer proposta…

      AK: O São Paulo pode ter iniciado o contato. E isso pode ter acontecido em qualquer momento.

    • Nilton

      Rafael, quando um jogador* esta em negociação de renovação (principalmente nos 6 meses do contrato) o que ele mais quer é ouvir outras propostas para por na mesa e exigir um aumento maior (se o time querer ficar com ele a qualquer preço).

      Se não estou enganado o Rogério Cene usou este mesmo expediente a muitos anos atrás.

      *jogador = Staff do jogador

  • saulo

    Concordo com duas das principais opiniões, mencionadas acima. Realmente, o Kardec não é jogador com nível suficiente, para provocar “brigas” entre dois clubes. Também acho que a diretoria do SOBERANO deveria ter notificado a do palmeiras, sobre o interesse no jogador. Agora, antes do presidente do palmeiras ter criticado, duramente, a diretoria do SOBERANO, deveria ter voltado no tempo e recordado dos casos ANTONIO CARLOS, MILLER e CAFU, não?

    AK: O texto aborda as condutas dos clubes, todos eles. Um abraço.

    • Adriano

      Ele podia mencionar também os casos do Ilsinho e também do Richarlyson, este último chegou até a treinar no palmeiras durante o período matutino…
      Percebe que isso é uma discussão sem fim? O ponto é que o presidente do palmeiras foi ingênuo e o presidente do SP mais uma vez se expôs ao ridículo, aliás, como consegue ser tão em tão pouco tempo? Vergonha para um time do calibre do SP ter um presidente desses…assim a fama de arrogante e mal caráter do SP nunca irá acabar.

  • Carlos Futino Barreto

    André, no aspecto do Kardec eu discordo em partes. A liberdade de negociação é importante para que o atleta possa se valorizar na negociação. Até acho que seria polido um time avisar o outro que pretende entrar na negociação, mas não vejo isso como, de forma alguma, obrigatório. Em qualquer meio de trabalho, se um empresa fizer uma proposta a um funcionário de outra ela não se sente obrigada a consultar a atual empregadora. Por que no futebol seria diferente?
    Agora, que o presidente Aidar poderia ter conduzido a situação toda com mais tato, isso é verdade. Além da possibilidade de avisar Paulo Nobre sobre o interesse (de novo, seria polido mas não é obrigatório), a entrevista dada em resposta as críticas do presidente palmeirense foi desnecessariamente agressiva e desrespeitosa. Lembrou os piores momentos do JJ.

    AK: O futebol É diferente nesse aspecto. Tanto que existem regulamentos específicos para transações. Um abraço.

    • Roberto

      Para qualquer regulamentação funcionar, precisamos primeiro medir (ou seja, identificar as exceções previstas na lei), depois julgar (ou seja, precisamos de um sistema judiciário que funcione) e depois se for o caso punir (ou seja, precisamos de consequências que sejam relevantes para inibir a ocorrência futura). Não acho q temos nenhuma das 3 coisas no lugar no futebol brasileiro. Ninguém audita (e se audita, não consegue provar), o sistema judiciário é uma piada e mesmo q passe por essas duas coisas a penalidade é muito menor que o benefício.

      Se isso é verdade o mercado fica à mercê de suas características mais básicas: A mão invisível. A lei da oferta e demanda. E em mercados livres esse tipo de ajuste é esperado. Como não acho q nada vai mudar institucionalmente, acho q vamos ficar na base do livre mercado um bom tempo. Ou seja, ajustes de valor, mudanças de clube e contratos quebrados serão a regra, e não a exceção. A culpa não é dos clubes nem do jogador. É do contexto criado por um Brasil que não tem capacidade de auditar suas próprias leis, não tem um jurídico que funcione e não tem a base política para dar as punições necessárias.

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