COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PARABÉNS

1 – O fato de não ser um time caracterizado pela elaboração de jogadas, combinado com o regulamento do torneio, determinou como o Flamengo se comportaria no segundo jogo da decisão carioca: à espera do Vasco e de sua necessidade de mexer no placar, programado para o contragolpe que certamente se ofereceria.

2 – O Vasco não recusou seu papel no roteiro. Adiantou-se para ocupar o espaço cedido pelo adversário, sabedor da armadilha que o acompanhava. Um risco que não só não poderia ser evitado, como deveria ser aceito com coragem. Trabalhar para abrir o campo e superar a barreira que se formou à frente da área de Felipe era a única opção. A posse de bola acima de 70% para o Vasco ajuda a entender a dinâmica do jogo.

3 – Apesar das maneiras distintas de atuar, os dois times coincidiram em relação à forma de finalizar no primeiro tempo. Tanto o Vasco, com ataque posicionado, quanto o Flamengo, no contra-ataque, abusaram dos chutes de fora da área. Nenhum ofereceu perigo.

4 – A comparação estética entre os técnicos após a primeira metade do clássico desenhou um retrato fiel do que se viu em campo. Adílson Batista, encharcado, representou o esforço do time que mais trabalhou. Jayme de Almeida, seco como subiu do vestiário, era a imagem da equipe à espreita de uma ocasião.

5 – Em vinte minutos da segunda parte, a única alteração na decisão foi provocada pelas expulsões de Chicão e André Rocha. Mesmo com dez de cada lado, o Vasco continuou propondo e o Flamengo, respondendo. Dois times entretidos em uma conversa que só seria modificada por um gol.

6 – Gol que saiu aos 30 minutos, produto de uma falta – indiscutível – de Erazo em Pedro Ken dentro da área. O gol de Douglas deixou o Vasco a um passo do título e com uma decisão a tomar: seguir com a bola ou entregar ao Flamengo a obrigação de construir o resultado. A inversão de papéis seria estranha aos dois times, mas mais perigosa para os vascaínos.

7 – Mesmo quando o placar interessa, torcer para não sofrer um gol é mais angustiante do que torcer para marcar um. O contingente vascaíno do Maracanã lidava com a tensão que faz o tempo se arrastar, enquanto via o time se proteger da inevitável blitz rubro-negra.

8 – Só há uma coisa mais trágica do que levar um gol decisivo quando não resta mais tempo de reagir: levar um gol decisivo, irregular, quando não resta mais tempo de reagir. Márcio Araújo estava adiantado, com distância tal que o assistente não pode ser inocentado, no momento em que Wallace cabeceou a bola. Registre-se o pecado vascaíno de permitir o cabeceio de um jogador na área, sem marcação. Registre-se o peso da arbitragem na decisão do título.

9 – Para aqueles que entendem que o futebol seria prejudicado pelo auxílio eletrônico ao apito, um – mais um – o sabor de um campeonato decidido por um gol ilegal deve ser insuportável. Que consigam digeri-lo sem ânsia ou azia.

10 – Parabéns ao Flamengo, e a quem é Flamengo, pelo trigésimo-terceiro título estadual.

GRANDE ITUANO

Haveria um momento em que o Ituano, após surpreender tanto e tantos, se entregaria à própria realidade e sucumbiria ao Santos, certo? Errado, muito errado. Tal momento não aconteceu nem mesmo durante o segundo tempo da decisão no Pacaembu, quando o Santos perseguia o gol que lhe daria o troféu no tempo normal. Chances para os dois lados, prova de um jogo equilibrado em que qualquer resultado seria justo. Nos pênaltis, outra ocasião em que o pequeno se apequenaria, o Ituano se negou a ir embora mais uma vez. A cidade de Itu não esquecerá o Campeonato Paulista de 2014, em que seu time superou três grandes, derrubou dois e levantou a taça. O santista também se lembrará – não lhe será permitido esquecer – deste torneio, e seu único consolo será repetir que os rivais ficaram pelo caminho. Mas o demérito dos outros não suaviza o seu.



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