COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MAIS UM

1 – Em uma época em que é difícil distinguir times com base em características (parecem todos, ou quase, construídos sobre o mesmo chassi), o Vasco tem algo que não se encontra facilmente no mercado: personalidade. O time de Adílson foi para o Maracanã com a atitude que seu torcedor teria ao encontrar o rival em uma decisão de campeonato estadual após dez anos.

2 – A personalidade de um time de futebol está diretamente relacionada ao jogo que é capaz de produzir. Uma coisa não existe sem a outra. No caso do Vasco, foi uma questão de levar o clássico a ser disputado no campo do adversário, adiantando linhas e conservando a posse. O que diz muito a respeito da conexão entre Adílson Batista e seus jogadores. O jogo não é disputado por máquinas, por isso não pode ser explicado apenas por propostas táticas. A aplicação delas depende da atuação de seres humanos.

3 – O gol vascaíno – jogada de bola parada, geralmente desvalorizada por quem é vítima delas – fez absoluta justiça a um primeiro tempo em que só um time, de fato, jogou. O critério usado aqui é simples: em relação ao que pretendia, o Flamengo nada fez. Permitiu-se encaixotar pelo oponente, e não pode usar o argumento de que a ideia original era atrair o Vasco para seu território. Pois o objetivo desse plano é sair para aproveitar o espaço, o que não aconteceu.

4 – Após um quarto da decisão, o Vasco foi para o vestiário com a segunda melhor sensação que um time pode ter: a do controle de seu destino.

5 – Só uma mudança drástica nos dois times poderia alterar o rumo do jogo. Ela aconteceu quando Everton Costa se desentendeu com as regras, aos dez minutos. O segundo cartão amarelo encerrou seu dia e abriu uma porta para o Flamengo. Jayme de Almeida a manteve aberta ao trocar Frauches por Everton. Paulinho a escancarou com um chute de fora da área: 1 x 1.

6 – A finalização de Paulinho foi a primeira, no alvo, do Flamengo na tarde.

7 – Everton Costa recebeu uma função defensiva que contribuiu muito para o sucesso do Vasco no jogo. Ao exceder seu papel, prejudicou o que havia ajudado a construir. Entre os temas da semana: a preferência de Adílson por deixá-lo em campo após uma falta em Léo, logo no início do segundo tempo, que já poderia ter encomendado a expulsão.

8 – A desvantagem numérica comprometeu o plano do Vasco e testou sua personalidade. Manter a configuração e o domínio observados no primeiro tempo significaria um feito sobre-humano. A tentativa, um risco considerável. Defender o placar e carregar a obrigação de uma vitória simples para a segunda partida foi a opção racional.

9 – O Flamengo pondera o resultado e como se chegou a ele. O empate é interessante. A forma como ele aconteceu, não. Especialmente se os 38 minutos com um homem a mais entrarem em consideração. Obrigatório levar em conta, também, os jogadores que Jayme não pôde escalar.

10 – A decisão continua no próximo domingo. O título está um pouco mais próximo do Flamengo, como estava antes do empate de ontem.

EM SÃO PAULO

Por falar em teste de personalidade, o Santos está diante de uma prova na decisão do Campeonato Paulista. As dificuldades demonstradas na semifinal, contra o Penapolense, reapareceram ontem no Pacaembu. Com as diferenças óbvias: 1) na semana passada, o Santos decifrou a charada, e 2) agora há uma segunda chance. O Ituano se defende com competência, não alcançou cinco jogos sem levar um gol apenas por sorte. O fato de ter vencido a primeira partida o coloca em situação diferente: pode ser visto como favorito no domingo. Muitos times não souberam lidar com o aumento da expectativa. O Santos precisa saber lidar com a possibilidade de perder o título para um clube do interior.

NA EUROPA

O fim de semana teve erros graves de arbitragem, em gols, na Alemanha, na Espanha e na Inglaterra. Mas há quem veja prejuízo ao jogo no auxílio eletrônico ao apito.



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