CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

É O JOGO

“É um futebol que a Bundesliga jamais experimentou em cinquenta anos: tão delicado e preciso, tão divertido e determinado, tão sofisticado e aperfeiçoado, tão inspirador e empolgante. Ninguém chegou tão perto da arte no futebol neste país quanto Pep Guardiola”.

As palavras dedicadas pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung ao recém-coroado bicampeão alemão expressam o impacto que o jogo do Bayern causou no país. Perceba que o parágrafo acima não trata de vitórias ou títulos, mas de futebol. No caso, de um futebol que encanta e – também – vence.

Na terça-feira, o Bayern conquistou a Bundesliga sete rodadas antes do final do calendário. É o primeiro campeão em março da história do Campeonato Alemão ou de qualquer outra liga europeia de importância semelhante. A distância de classe entre o time de Guardiola e a concorrência é traduzida em números que superam a campanha da temporada passada. Difícil de acreditar, sim, mas, por mais importante que seja o troféu, um objeto de metal sempre será menos valioso do que o jogo.

A vitória sobre o Hertha Berlim, que selou a conquista, é uma medida fiel da capacidade deste Bayern. O time estabeleceu um novo recorde de posse de bola no futebol alemão, com 82,4%. Deu 1078 passes, fez treze finalizações, três gols e oito faltas. Philipp Lahm conectou 140 associações com seus companheiros, conferindo sentido literal à expressão “… não errou um passe”.

Guardiola recebeu um time vencedor de tudo e o convenceu de que poderia ser uma versão atualizada das próprias qualidades. O título alemão era uma obrigação formal, já que o maior objetivo é levantar a Liga dos Campeões pelo segundo ano seguido, algo jamais feito.

Em termos de jogo, porém, este Bayern já superou o anterior. É o que os jogadores dizem e o que qualquer pessoa pode ver, até quem se desmanchava pelo time de Heynckes e agora se abraça ao argumento financeiro para diminuir o time de Pep.

CASCA

No Campeonato Paulista, o time que mais joga é o Santos. Os 4 x 0 sobre a Ponte Preta exibiram as características da equipe de Oswaldo de Oliveira: futebol para a frente, sentido coletivo e talento individual. Evidente que não significa que será campeão, ou mesmo que chegará à decisão. Mas o Santos é o adversário que ninguém quer encontrar em São Paulo.

HARMONIA

O caso da reportagem crítica ao Brasil e aos brasileiros, publicada na revista eletrônica da FIFA e retirada a pedido do governo federal, mostra como as coisas estão nos dois lados da organização da Copa do Mundo. A FIFA mal consegue esconder insatisfações e resistir a provocações. O Brasil reconhece seus problemas, mas não aceita esculacho. Relação produtiva.



MaisRecentes

Plano B?



Continue Lendo

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo