CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

HERÓIS

Chegamos ao ponto em que se permite desrespeitar leis em nome da “paixão” por um clube. No entendimento de um magistrado que trabalha em defesa da justiça, não há problema em invadir uma propriedade particular e agredir pessoas, idosos entre elas, desde que a motivação seja “um futebol melhor”.

Este foi o argumento usado para devolver às ruas os “torcedores” que vandalizaram o centro de treinamentos do Corinthians, conferindo-lhes um tipo de imunidade que nada mais faz do que legitimar a impunidade. Quem estiver disposto a ilegalidades semelhantes tem agora, além da costumeira despreocupação, a sentença de um juiz não como escusa, mas incentivo. Com todo respeito, meritíssimo…

A caixa de emails de um jornalista que trata de futebol em seu ofício diário oferece uma boa amostra do que esse jogo indescritível é capaz. Não, não, o exemplo aqui não é a insanidade que se apodera de cérebros irrecuperáveis, para os quais a agressão é a única ferramenta. Você se assustaria – ou talvez não – com a virulência de certas mensagens, enviadas por gente que raciocina, escreve bem, separa o certo do errado com clareza, mas perde a compostura quando versa sobre seu time ou o adversário. Seria mágico se não fosse trágico.

Pois está liberado, ou melhor, autorizado pela Justiça, o quebra-quebra no local de trabalho de jogadores de futebol. Ou a caça aos vagabundos milionários nas ruas. Centros de treinamentos podem ser anexados ao território de torcidas organizadas, com uso de força se for necessário. Basta que a explicação seja a fidelidade à camisa e, claro, um desejo incontrolável de estimular esses insolentes que as vestem. Quem não quer um futebol melhor?

E assim avançamos, com tudo às claras, sem demagogias. A polícia está desobrigada, por escrito, a prender quem tem de ser preso. Pois se a Justiça já não se esforçava para manter esses “torcedores” trancados, agora os liberta com requintes de impunidade. São os verdadeiros defensores do futebol.

CONFLITO

O caráter propositivo do Bom Senso FC ficou evidente com a divulgação da ideia de calendário do movimento. Percebe-se o estudo que dá base às soluções apresentadas, coisa de quem sabe do que fala. O caráter obscurantista da CBF ficou evidente com a rejeição das propostas, alegando falta de recursos. Coisa de quem deseja que tudo fique como está.

SÁBIO

Os três gols de Robin Van Persie conduziram o Manchester United às quartas de final da Liga dos Campeões. Mas a atuação de máquina do tempo de Ryan Giggs, 40, precisa ser registrada. Sua categoria está presente nos dois primeiros gols, com lançamentos formidáveis. Giggs não é o jogador mais condecorado da história do futebol inglês por acaso.



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