CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CORAGEM

É de Murilo Endres, jogador do SESI e da seleção brasileira de vôlei, a frase mais significativa a respeito do escândalo dos contratos da CBV. Tão logo a reportagem – mais uma – de Lúcio de Castro foi ao ar no espn.com.br, Murilo ativou seu perfil no twitter para opinar com clareza: “gente ficando rica à custa dos nossos joelhos, ombros e tornozelos!!”.

A coragem deve ser aplaudida sempre. E aqui é necessário registrar que Gustavo, irmão mais velho de Murilo, também se manifestou com todas as letras nas redes sociais. Quando atletas se posicionam dessa forma, o que lemos ou ouvimos não é somente uma opinião pessoal. É um pensamento coletivo externado por alguém que se sentiu no dever de falar. Bravo.

Os fatos revelados pelo “Dossiê Vôlei” abrem o porão de uma das modalidades mais bem sucedidas do esporte brasileiro. O farto histórico de conquistas das seleções contribuía para a manutenção de uma imagem lustrosa, de gestão competente e recursos bem aplicados. Fantasia. A forma como entidades esportivas operam no Brasil não justifica nada além de desconfiança permanente. Quanto mais sucesso, mais dinheiro. Quanto mais dinheiro, mais oportunidades. De todos os tipos.

Os exemplos são numerosos e os esquemas, semelhantes. Verbas generosas que geram comissões idem, sempre beneficiando relações pessoais e/ou familiares. Empresas abertas em datas curiosas, contratos embrulhados em papel presente. Mudam os números, os nomes, os endereços. A engenharia é a mesma.

Há uma lei federal (número 12.868, assinada em outubro passado e em vigor a partir de 15 de abril) que exige transparência na administração de entidades esportivas, para que recebam verbas públicas de forma direta ou indireta. A CBV tem recursos provenientes da Lei Agnelo/Piva e do patrocínio do Banco do Brasil. Quem deve verificar o cumprimento das exigências é o Ministério do Esporte.

Sem vigilância, espertos continuarão enriquecendo à custa dos joelhos, ombros e tornozelos alheios.

SEI…

A CBV informou que pretende contratar uma auditoria para analisar os acordos celebrados pela gestão anterior. Ocorre que a gestão anterior foi a de Ary Graça Filho, hoje presidente da Federação Internacional de Vôlei. De modo que não é difícil prever qual será o produto da análise. Enquanto não houver mecanismos de controle externos, não avançaremos.

CORNETA

Neymar começa a conviver com críticas da crônica e insatisfação da torcida no Camp Nou. Normal, resultado do tamanho da expectativa e da conjuntura do clube. O caos interno do Barcelona está ligado à contratação (a operação, que fique claro) dele. Contra o Manchester City, ontem, gerou espaços e fez um gol que não deveria ter sido anulado. Bom jogo.



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