COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CINCO GOLS

1 – O Corinthians era levemente melhor no momento em que as pernas de Antônio Carlos o traíram de maneira constrangedora. Uma bola rasteira e forte que cruza a área, perto do gol, pode ser um perigo. Especialmente se o pé que era para ser de apoio assume o papel contrário.

2 – Renato Augusto foi bem escalado como dublê de Jadson. Eles são distintos em características, mas semelhantes naquilo que oferecem. Sem um jogador de passe e visão, o Corinthians seria muito diferente do time que se recuperou nas últimas rodadas. Mano investiu na manutenção de uma forma de jogar e viu seu time fazer um primeiro tempo competitivo.

3 – Chegar à intermediária não era um problema para o São Paulo, com mais posse e mais iniciativa. O problema era superar a recomposição defensiva alvinegra, que cercava a bola com notável movimentação. O passe brilhante sempre será capaz de vazar esse tipo de bloqueio. O chute de fora, certeiro, também. Ganso é capaz de ambos, mas não tem o costume de ameaçar o gol adversário à longa distância. A forma como ele empatou o jogo sugere uma mudança de hábitos.

4 – Ao vivo, ficou a impressão de que Cássio saiu atrasado. No replay, considerando onde a bola entrou, a conclusão é de que ele não chegaria. Magnífica finalização.

5 – Mano excluído, por excesso de críticas a uma arbitragem que errou, sim, mas àquela altura, sem interferência no jogo. Quando o time está mais calmo do que seu técnico, o sinal não é bom.

6 – A consistência defensiva do Corinthians sofreu um abalo logo no reinício. Ou será que apareceu o lance individual de desequilíbrio tricolor? Ou ambos? Lindo movimento de Douglas, retirando dois marcadores de cena. O passe preciso de Pabón manteve o nível da jogada, até o toque de Luis Fabiano para virar o jogo.

7 – A vantagem são-paulina não chegaria a dez minutos, vítima da surpreendente fase artilheira de Antônio Carlos. O cruzamento de Guerrero provavelmente pararia nas mãos de Rogério Ceni, não fosse o desvio do zagueiro, em tarde de extrema infelicidade. A reação de incredulidade diz tudo. Algo assim dificilmente acontecerá de novo.

8 – De cabeça, Rodrigo Caio reestabeleceu a liderança para o São Paulo. Lance que começou com um primor de cruzamento de Osvaldo. O gol aconteceu porque o tempo de bola de Rodrigo foi muito melhor do que o de seu marcador, Uendel. Apesar da sensação de que o são-paulino é bem mais alto, os dois têm quase a mesma estatura.

9 – A lesão muscular de Guerrero, aos 41 minutos, deixou o Corinthians em inferioridade numérica e diminuiu a possibilidade de pelo menos um empate.

10 – O São Paulo marcou cinco gols no Pacaembu. Seria uma anomalia do futebol se não vencesse. O resultado encerrou a sequência negativa em clássicos e freou a subida do Corinthians. Importantes gols de Ganso e Luis Fabiano. Um aplauso para a atuação de Osvaldo.

11 – Para o Corinthians, a derrota e a situação complicada na classificação não são mais preocupantes do que passar um jogo inteiro sem finalizar no alvo.

SEM EFEITO

É possível que interditar estádios onde acontecem episódios como as ofensas racistas a Arouca tenha algum efeito educativo. Ocorre que o apelo à consciência do sujeito que não deveria querer prejudicar seu time não tem se mostrado eficaz, por exemplo, nos casos de objetos atirados ao campo. Ademais, a interdição do estádio deixa impune o elemento primitivo autor da ofensa, o que é muito mais significativo. Os imbecis que pretendem diminuir pessoas por causa da cor da pele devem ser identificados e punidos. Claro que é mais fácil fechar o estádio de um clube pequeno.

SEM INTERESSE

Não faltam motivos para interditar estádios no Campeonato Paulista. De gramados horrosos, como o que ontem ofereceu riscos aos jogadores do Paulista e do Palmeiras, a problemas estruturais. Mas aparentemente esses aspectos não interessam à Federação Paulista de Futebol.



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