CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

ESTREIA

Os rostos dos atuais campeões do mundo começaram a aparecer no telão, recebidos por saudações do público em Madri. Casillas, Ramos, Iniesta… festejados com generosos decibéis. Havia um empate técnico entre eles até o último homem surgir. A ordem numérica reservou a Diego Costa a camisa dezenove. Torcedores do Atlético de Madrid lhe renderam a maior ovação.

Ele não estava vestido com a camisa vermelha e branca de seu time, mas com o novo uniforme número dois da seleção espanhola, combinação de preto com amarelo marca-texto. Pela primeira vez representando a nacionalidade esportiva que escolheu, Diego Costa iniciou o amistoso de ontem contra a Itália como titular de um time que precisa funcionar com ele.

Há algumas equações em jogo. Costa é um aríete em uma equipe de artesãos. No Atlético, sua presença de força e velocidade serve perfeitamente à configuração de contragolpe. Um atacante sob medida para ser ativado no vasto espaço e no um contra um. Mas para a Espanha, viciada em bola, o contra-ataque é apenas uma ocorrência do jogo, jamais um plano. Enquanto o time trabalha, Costa precisa de movimentar para não ser refém dos zagueiros e se associar aos companheiros.

Não se deve esperar que o encaixe se dê por encanto. Por isso é compreensível que as coisas não tenham ido bem no jogo contra a Itália. Até para quem não sabia, ficou evidente que se tratava da primeira experiência da Espanha com um atacante como Diego, e de Diego com um time como a Espanha. Por enquanto, compatíveis como água e óleo.

O desafio cai bem a um jogador que construiu sua trajetória com esforço e não quer presentes de ninguém, muito menos de seus treinadores. Diego declarou que Vicente Del Bosque não lhe prometeu uma vaga na Copa caso ele optasse por defender a Espanha. O ponderado técnico espanhol também disse que não há compromisso, apenas oportunidade.

A primeira poderia ter sido melhor, sem dúvida. Mas haverá outras.

PEQUENOS

A Espanha controlou todo o jogo contra Itália, mas foi muito mais perigosa após a entrada de David Silva, no segundo tempo. O meia do Manchester City incomodou a defesa italiana com associações com Iniesta e Pedro. Assim saiu o gol da vitória que aumentou a série invicta da Espanha em casa para trinta e um jogos. Os baixinhos, conectados, são como pestes.

CANSADOS

É preciso considerar os desfalques (Balotelli e De Rossi, os principais) da Itália, ok. Mas foi notável como o time, que também gosta da bola, viu-se obrigado a esperar atrás e sair no contragolpe. Cesare Prandelli falou em “quase embaraçosa diferença física” entre sua equipe e a Espanha, o que é preocupante para quem jogará em Manaus, Recife e Natal.



  • Emerson Cruz

    Como não haverá muito tempo para Diego Costa e seus companheiros de seleção se entenderem dentro de campo, me parece que a melhor opção, é deixá-lo no banco durante a Copa e utilizá-lo nos jogos em que o time espanhol necessite de uma mudança abrupta de comportamento, pois as vezes o tiki-taka cai na improdutividade e mudanças na maneira de o time se comportar tornam-se necessárias.

  • Ricardo

    Fernando Torres, por motivos óbvios, se associa aos companheiros de seleção de forma mais efetiva, eficaz. Diego Costa concorre diretamente com Torres por uma vaga? É equívoco afirmar que o novo espanhol pode se espelhar em Torres, visando buscar melhores atuações ao estilo de jogo da Espanha?

    Um abraço.

  • anna

    Perfeito, Andre! Belo texto! Bom final de semana, Anna.

  • David

    Eu discordo um pouco da visao de que a presenca do Diego Costa nao fez tao bem a Espanha ja nesse seu primeiro jogo.

    Fiquei prestando muita atencao ao setor ofensivo e percebi que dentro da area com o Diego, bringando por espaco e o tempo todo perturbados com sua presenca, estavam sempre ate mais de 2 homens. Esse encolhimento da defesa pra dentro da area deixa o espaco ao redor da area mais livre pra articulacao das jogadas pelos meias criadores da Espanha.

    Claro, faltou certo entrosamento, faltou conseguir criar mais chances agudas, mas percebe-se o caminho aberto pela presenca de um homem de area e nao somente qualquer homem de area, mas sim alguem com porte fisico e atitude de brigador, daqueles que interferem no posicionamento de qualquer defesa.

    Alem disso, o efeito contrario eh bem claro quando a Espanha ou Barcelona jogam com atacantes de movimentacao pelos lados o meio como Messi, Fabregas, Sanchez, etc. A defesa adversaria sobe e o bloqueio ao toque de bola fica mais forte.

    Como a Espanha raramente tem o contra-ataque a disposicao, sou a favor da insistencia com o Diego Costa.

  • Rafael Wüthrich

    A mim me pareceu que sem De Rossi e Balotelli, a Itália não tem como pressionar a Espanha como fez na primeira fase da Euro e na Copa das Confederações, quando deveria ter vencido ambos os jogos. A parte física também conta, evidentemente.

  • Eddie The Head

    Pô,cara…desculpe,mas discordo totalmente de você quando dizes que “Diego Costa é um aríete em uma equipe de artesãos”. Por dois motivos:

    1) Um aríete é algo relacionado a força,algo que existe para derrubar. E Diego Costa é um jogador que usa muito bem sua força,mas também é dotado de boa dose de técnica. O acho,inclusive,uma versão remodelada do Eto’o,guardadas as devidas diferenças.

    2) A Espanha não é uma equipe de artesãos,pelo menos na minha opinião. Tem um estilo de jogo que prima pelo domínio territorial e da bola,mas acho que artesão é alguém extremamente hábil naquilo que faz,alguém que prima pelo belo,pela riqueza de detalhes. É indiscutivelmente um estilo de jogo eficientíssimo,mas não é belo.

    Embora eu não seja chegado a discussões fúteis (digo fútil porque não vai dar em nada),manifesto minha opinião.

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