CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

GANSO SERÁ?

Com o conteúdo e a forma que lhe são peculiares, Tostão, na Folha de ontem, versou sobre o “dilema Ganso”. O texto revisitou a maneira como equipes de futebol são montadas no Brasil, estudou as possibilidades de escalação de Ganso no São Paulo, e terminou com uma notícia ruim: PHG não recebeu a formação que lhe permitiria ser, no futebol de hoje, o jogador que seu talento sugere.

Vivemos numa era em que os meiocampistas bem sucedidos são seres híbridos que trabalham de uma área à outra. Claro que não são todos iguais. Há os Paulinhos e os Oscares, os Xavis e os Schweinsteigers, os Ramires e os Alonsos. Não há um padrão físico exigido, depende de sistema, habilidade e coragem. Depende, antes de tudo, de um molde feito quando o jogador está “na planta”. Tostão sustenta – e obviamente não discutiremos com ele – que Ganso foi entregue com outro molde.

Os armadores puros desequilibram times, obrigam treinadores a descartar a estrutura em nome de um brilho que nem sempre aparece. Até os geniais precisam ser geniais com frequência para não se transformarem em inconveniências. Essa parece ser a lei. Ganso, um “10 romântico”, nos remete aos tempos em que o jogo tinha outra dinâmica, em que o refinamento e a estética bastavam. Não mais. É isso? Dolorosa indagação.

Há outras. Aos 24 anos, Ganso ainda está mais perto do início do que do fim de sua carreira. Encontrar-se na linha evolutiva do futebol não seria um problema de tempo. Mas se for uma questão de aptidões que ele não possui, o tempo lhe servirá de algo? Alguém crê que ele não seja “mais participativo” na defesa ou “não se apresente na área adversária” simplesmente porque não quer? Citando Tostão, é possível ou é uma ilusão que Ganso se converta de armador em meia ofensivo?

Não há justificativa para o desperdício de talento. Não há impressão mais forte do que essa, quando se vê Ganso no banco de reservas.

PULSO

A amostra pode ser pequena, mas cabe o registro. O Grêmio de 2014 tem uma característica que o do ano passado não tinha: é um time intenso na maior parte do tempo. Não é uma mudança de jogo, é uma mudança de caráter que influencia o jogo. Times brasileiros de sucesso nos últimos anos – Corinthians, Cruzeiro – eram assim. O Cruzeiro continua a ser.

LIÇÃO

O Real Madrid ofereceu uma clínica de futebol nos 6 x 1 sobre o Schalke 04, pela Liga dos Campeões da Uefa. O trio Ronaldo, Benzema e Bale (que fez seu melhor jogo pelo clube) atormentou o time alemão como se quisesse puni-lo por mau comportamento. É notável o rendimento da equipe de Carlo Ancelotti, um vencedor silencioso em um mundo propagandista.



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