COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

SECA

1 – Evidente domínio inicial do Santos. Pressão alta que dificultou os movimentos são-paulinos desde a própria área e confundiu a leitura do jogo por parte dos mandantes. Sentir-se surpreso pela postura do adversário não significa, necessariamente, ser surpreendido por ela. Mas foi o que aconteceu com o São Paulo.

2 – A oportunidade que nasceu de uma saída de bola defeituosa de Rogério Ceni foi o primeiro retrato do jogo. O goleiro do São Paulo se recompôs e conseguiu evitar um gol que Cícero deveria ter marcado. O time alvinegro só se aproximaria de tamanha fortuna mais uma vez na tarde.

3 – O São Paulo demorou a se apresentar para o clássico também por causa de duas jogadas interrompidas equivocadamente pela arbitragem. O apito, diga-se, atrapalhou o jogo com excesso de rigor e o cansativo desejo pelo protagonismo. A necessidade de estabelecer autoridade em campo não leva ninguém ao estádio.

4 – Na vizinhança da meia hora, o time de Muricy passou a controlar o jogo. Aumentou sua presença no campo de ataque a ponto de ocupar a área santista nos minutos finais do primeiro tempo. Desvios salvaram o Santos em uma sequência de ocasiões perigosas, volume sufocante. Mas o principal momento foi o que Cícero desperdiçou no começo.

5 – Costuma-se atribuir a subjetividades como “a atitude” de um time as oscilações de desempenho durante uma partida. Se fosse apenas isso, seria simples construir uma equipe vencedora. E poderíamos afirmar que no início do clássico o São Paulo simplesmente “não quis” ser melhor. É lógico que não é o caso.

6 – Apesar da maior iniciativa e de mais chances criadas no segundo tempo, não foi do São Paulo o momento mais claro de gol. O cabeceio de Leandro Damião só pecou pela direção, que permitiu a Rogério, apesar da velocidade da bola, se mover para a direita e fazer a defesa. A expressão de incredulidade do atacante resumiu o lance e, de certa maneira, a atuação do Santos.

7 – Ganso entrou mais perto do final, quando o cansaço já se fazia perceber em campo. É o que acontece com jogadores suplentes. Não há informações de problemas físicos e o São Paulo não precisa poupá-lo. A situação é uma questão de escolha do treinador, mau sinal para o jogador.

8 – A arbitragem felizmente acertou em sua decisão sobre a jogada de impedimento e pênalti para o Santos, já no território dos acréscimos. O clássico não teria como se recuperar de uma mudança no placar àquela altura. Mas a frequência e a maneira agressiva com que jogadores pressionam árbitros e assistentes não pode levar a nenhum benefício. Trata-se de um defeito do futebol brasileiro.

9 – Há empates sem gols que não os merecem. Este São Paulo x Santos merecia. O São Paulo foi melhor por mais tempo, mas o Santos esteve mais perto da vitória.

10 – Damião se emocionou por voltar a marcar no meio de semana. Neste domingo, ainda pareceu um atacante em litígio com o gol.

11 – Prossegue a estiagem do São Paulo em clássicos. Última vitória data de 2012.

DÚVIDA

A pouco mais de cem dias da Copa do Mundo, Fred é uma preocupação física e técnica. Por característica e qualidade, o atacante do Fluminense é a melhor escolha para a camisa 9 da Seleção Brasileira. Se estiver indisponível ou distante de suas melhores condições, a conversa deverá considerar jogadores que não sustentam a excelência da posição em Mundiais.

CERTEZA

Após a derrota para o Bragantino no Pacaembu, no dia 5 de fevereiro, Mano Menezes garantiu em entrevista que o Corinthians seria outro a partir do clássico com o Palmeiras. O caminho a ser percorrido é longo, mas as últimas atuações do time deram razão ao técnico.

BELEZA

O terceiro gol do Arsenal na vitória por 4 x 1 sobre o Sunderland, no sábado, reforça: só existe uma coisa pior do que não gostar de futebol. Gostar de futebol feio. Obra-prima coletiva, assinada por Rosicky.



  • André, muito boa a colocação sobre a forma agressiva dos jogadores se dirigirem aos árbitros e assistentes. Acredito que isso pode prejudicar o trabalho e o desempenho do juiz. Se dá cartão amarelo, falam que ele é muito rígido e quer aparecer. Se leva na conversa, dizem que “peca na parte disciplinar”. Acredito que a regra deveria proibir expressamente os jogadores de “pressionarem” o juiz. Existem casos e casos, mas tem jogador que se preocupa mais em reclamar e discutir que em jogar bola.
    Se não respeitam o árbitro, o jogo pode virar bagunça.
    Claro,a arbitragem tem que melhorar muito, os erros vem ocorrendo de forma grosseira e contumaz.
    Abraço.

  • Emerson Cruz

    Não achei tecnicamente um grande jogo este último San-São, apesar de movimentado e com algumas chances claras de gol, vi uma partida do nível de tantas outras disputadas no país, com inúmeros erros de passes simples, cheia de atletas encontrando dificuldades para dominar a bola em vários momentos e arbitragem incompetente.
    O que mais me chamou a atenção foi que o SPFC, na base da velocidade e disposição, apesar de pouca técnica, fez sua melhor partida no ano, coincidentemente quando o treinador preteriu o atleta mais talentoso e que por vezes também costuma ser o mais apático do elenco.

  • Fabio

    É claro que o Mano disse que ia melhorar. Olhou a tabela e viu que só tinha bêbado. Aí é só empurrar ladeira abaixo. Vamos ver quando pegar um time mais bem montado como será.

    AK: Você quer dizer que o Palmeiras era um dos “bêbados”?

    • Bruno MD

      Se o Palmeiras for o bebado o Corinthians ja esta em coma alcoolico.

  • Juliano

    Impressionante o impacto que Damião causou no time do Santos. De futebol leve, bonito, goleador, a time que agora sofre para fazer gol. O ótimo Oswaldo garantiu a titularidade ao midiático Bigode – que não tem bigode! É compreensível, alguém que recebe R$500 mil por mês, e custa outros R$500 mil em parcelas, tem mesmo é que entrar em campo. Isso só denota o ERRO gigantesco que foi contratá-lo. Já estava em baixa há 1 ano, e a diretoria apostou, como fizera com Montillo. Como gosta de errar essa diretoria! Além de ter uma resposta negativa em campo (piorou o futebol do time), vai queimando jogadores promissores, como Gabriel, Stefano, Giva (entre outros de menor expressão). Jogar o Paulistinha, contra clubes do interior, seria ótimo para os mais jovens irem entrando aos poucos no time profissional, mas lá está Damião, ocupando espaço! Outro dia um colega ponderou: “precisa dar tempo para ele se entrosar”. Se entrosar com… a bola??? Os erros que ele comete independem de entrosamento.
    E há quem um dia pensou que ele pudesse jogar a Copa… graças àquela lambreta contra a Argentina, que no final não deu em nada.

    Damião não era desejado pela torcida. Não é cerebral. Não seria ele o responsável em levantar o time. A diretoria pode realizar quantas campanhas de marketing quiser, que a torcida não vai comprar aquela camisa ridícula com um bigode impresso na gola. Qual o sentido daquilo? Qual a identidade com o clube? Não passa de um Willian José de grife. Talvez seja menos que um Kleber Pereira (valha-me!).

    Ainda sobre a genial diretoria: vamos passar mais um ano sem patrocínio master aumentando as dívidas???? Acordem!!!

    Ao menos teve um acerto, mas não por vontade própria, e sim do jogador: cada vez que vejo PHG fico feliz que o Santos tenha capitalizado algum com a sua saída. Ouvindo o PVC, ele sempre comenta sobre o “Ganso de 2010…”. Já estamos em 2014. Não dá mais. Pena, teria sido um baita jogador.

    AK, algum comentário sobre a complicada venda de Neymar? (possui 4 versões: a do Santos, a do Barça, a do Neymar-pai, e a verdadeira). No bate-boca LAOR x Andrés, quem está menos errado?

    Abraço!

  • José Henrique

    André. Evidente que este meu comentário não é critica a você, e nem a outros jornalistas esportivos, talvez a alguns, ou muitos que não se dão conta do poder que tem nas mãos, para colaborar com o fim da violência no futebol.

    Desculpe, pois não tem relação com o teor deste post, porém acredito ser importante esse assunto ser levado, ao meio que você frequenta, com importantes e sérias relações, como a ESPN, por exemplo, e sem dúvida o JUCA, que leio, mas não assino o UOL.

    Temos lido, visto e ouvido diversos formadores de opinião, especialmente a mídia esportiva, classificar os atos violentos entre torcedores de futebol, como provenientes de “bandidos”, “marginais”, e outro adjetivos.

    Pedem medidas, exigem leis, punições a clubes, como se, essas pudessem fazer com que os agressores tivessem a sua ira, ou reação diminuída.

    Infelizmente, não tem conhecimento nenhum, sobre comportamento humano.

    Muito provavelmente os agressores e briguentos sejam realmente marginais da sociedade, porém realmente o que dá início a violência?

    Assistimos com frequência, jovens pacíficos, de comportamento exemplar, armarem-se subitamente, e adentrarem em uma escola fazendo vítimas aleatórias e inocentes (não para ele), e na maioria das vezes, cometendo suicídio ou sendo mortos por policiais.

    O que realmente dá o start para esse comportamento?

    Não há outra justificativa, que não a absoluta a incapacidade de tolerar um “builling”, “uma chacota”, “uma brincadeira”, ou no futebol, uma “gozação”.

    Algumas pessoas, se ofendem profundamente com atitudes que para elas representam humilhações intoleráveis, e as levam a cometer reações absolutamente desproporcionais a racionalidade.

    Não há punição a clube. ou instituição, capaz de modificar comportamentos desse tipo de pessoa.

    A gozação, é encarada como humilhação suprema, e inaceitável, e faz com que essas pessoas busquem a compensação na violência contra o outro, como se estivessem com isso, “reparando” ou dando o “troco”.

    Então na sua origem, a agressão para essas pessoas, começa com a “PALAVRA”.

    Infelizmente a nossa mídia esportiva, é absolutamente despreparada, e incentivadora das “gozações”, e “piadas”, que funciona como combustível para exacerbar ainda mais o crescimento da violência e aumento da rivalidade esportiva.

    Os “engraçadinhos” da mídia, não se dão conta do quanto contribuem para esse estado lastimável que se observa hoje, e responsáveis por desentendimentos banais que terminam com sofrimento de familias das vítimas da violência.

    Aliás, alguns fazem da provocação esportiva, meio de vida, já que obtém respostas midiáticas tanto de ofendidos como dos ofensores. Os primeiros dando audiência com indignação, e os ofensores dando audiência com seus aplausos.

    Enfim, a violência nunca é gratuita.

    Já passou da hora, dos formadores de opinião, pararem de estimular a rivalidade, e passarem a usar os instrumentos que dispõem como jornais, tvs, rádios, blogs, enfim os meios de comunicação, para promover a paz de verdade, com colocações positivas e estimulantes à amizade e o respeito.

    Um abraço e obrigado pelo espaço e oportunidade.

  • Anna

    O gol do Rosicky é lindo, mesmo!!! Bons jogos da Champions para todos!!

  • Eddie The Head

    A algum tempo atrás li aqui que o nobre blogueiro não gostava de comentar sobre jogos dos Estaduais,se não me engano por ser contra os mesmos,e me desculpe se o motivo não era esse.

    O que mudou?

    AK: Nada. É uma coluna para o jornal, como outras que já escrevi sobre jogos de diversos campeonatos. Um abraço.

  • Eduardo Dias

    Concordo na análise. Só acrescentaria uma chance clara a mais pro Santos, o lance do Gabigol no fim do jogo, a bola sobrou livre pra ele no bico da pequena área e ele chutou na rede por fora. Pra mim, chance claríssima! De resto, é isso mesmo…

  • boa noite, O que estragou foram muitos passes errados, a falta de gols e acho que o Juiz como já havia acontecido contra o Penapolense (mesmo juiz) ele viu mais um lado, não viu o Luiz Antonio junto com Damião dentro da area usar o braço, como Rodrigo Caio jogar o Rildo, dentro da area para fora da area poderia até ter dado falta mais nem isso deu e olha que ele caiu por cima do Rildo e faltas as vezes que mal encostam deu falta e fora que deu um cartão na pressão pro Geovanio porque o Ceni que não é de hoje sempre preciona os juizes e por favor não me dismintam sejam honestos ouro time que apita o jogo é o corinthins (eles são fortes com os juizes), então eu só queria nem pra lá nem pra cá, só honestidade e outra coisa eu já havia comentado e os jogadores do São Paulo confirmaram o Ceni viu que seu jogador foi fazer curativo, imediatamente se jogou forjando lesão (já que goleiro o jogo não continua) até que o jogador voltasse, ele deveria ser punido e os jogadores confirmaram. Quanto as torcidas organizadas se não fossem patrocinadas pelas diretorias dos clubes, por deputados, senadores, vereadores e até presidente por votos e nossas leis fossem mais severas e parassem de passar a mão na cabeça de bandido não estariamos assim.

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