COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

CULTURA INGLESA

Não é sempre que se tem a oportunidade de entender como um técnico de futebol assistiu a um jogo que interessa a todos, apenas como observador. Não é todo técnico que dispõe do tempo e da gentileza de oferecer suas opiniões. A coluna procurou Tite para ouvi-lo sobre a recente visita a dois estádios ingleses, em noites de Liga dos Campeões da Uefa. O relato do treinador, em período dedicado ao descanso e ao aprimoramento profissional, é material para vários textos. Este se dedicará ao que Tite mais gostou de ver de perto.

A predileção pelo Bayern de Munique, por afinidade de conceitos, é clara. “É o estilo que mais me agrada, pela mobilidade aliada à capacidade de ser incisivo, vertical, agudo. Gostei mais do time que terminou o jogo contra o Arsenal do que do que começou”, diz Tite, impressionado com a quantidade de argumentos de Pep Guardiola para modificar o caráter de seu time, por vezes sem precisar substituir jogadores. “Ele tem Muller, tem Thiago, tem Goetze… são muitas opções”, conta.

Uma das curiosidades saciadas na viagem foi poder observar pessoalmente dois times ingleses que lutam pelo título local. Tite percebeu que falta poderio ao Arsenal para ser campeão nacional. “Acho que vai ficar entre o Manchester City e o Chelsea”, arrisca. “O City tem muita força e qualidade no enfrentamento”, completa. Por essa razão, o mlehor retrato quem deixou foi o Barcelona, pelo nível do adversário superado na terça-feira. “O Barcelona conseguiu, do seu jeito, vencer um time que não é bom, é muito bom. E um time muito intenso, inflamado, em seu estádio”, relata. O City só o decepcionou por permitir o encontro fatal entre Messi e Demichelis, área de desequilíbrio que uma equipe com um orçamento tão generoso não pode tolerar.

Tite viu um Barcelona que se reencontrou com sua maneira particular de atuar (“eles fazem dos passes uma brincadeira de futebol”), mas que ainda sofre para defender jogadas de bola parada. “A marcação atual é mista. Antes era por setor, o que considero melhor”, pondera. A entrada de Neymar representa a nova dificuldade apresentada aos rivais. “Quando você tem um jogador a mais e pode colocar um Neymar em campo, junto com Messi, imagine o problema que você cria”. A baixa expectativa em relação aos catalães se converteu em uma conclusão após a vitória em Manchester: “O Barcelona voltou”, diz. “Eu vi a Espanha jogar no calor (na Copa das Confederações) e fiquei com a impressão de pouca intensidade, mas o Barcelona, naquela noite fria, me mostrou o contrário”.

O antigo e o atual time de Guardiola presentearam Tite com atuações top de linha no meio da semana. Duas equipes que falam idiomas futebolísticos semelhantes. Sem criticar a pronúncia mais cantada dos catalães, o sotaque incisivo dos alemães cai melhor aos ouvidos do técnico gaúcho, que valorizou a experiência na Inglaterra e já visualiza novas expedições. “Gostaria muito de presenciar um Bayern x Barça”, imagina.

Não é só você, professor.

CLEMÊNCIA

Uma orientação do International Board conduz ao pensamento de que o árbitro de Manchester City x Barcelona acertou ao marcar pênalti em Messi. Um movimento faltoso que começa fora da área e continua em seu interior deve ser marcado dessa forma. A questão é identificar qual foi a carga que impediu o atacante de jogar. Ela aconteceu fora ou dentro da área? A simples dúvida já é suficiente para absolver o árbitro, apesar da resistência a fazê-lo. Em lances limítrofes como esse, crucificar – com o auxílio da imagem congelada – o solitário apitador é um ato de covardia.

PUNIÇÃO

O grande problema da violência ligada ao futebol nunca foi falta de investigação ou até mesmo de prisão. Foi, e ainda é, ver os mesmos elementos sorridentes envolvidos em episódios que se repetem. O caso da invasão ao CT do Corinthians gerou uma operação policial e detenções. Será apenas mais um evento temporário?



MaisRecentes

Vitória com bônus



Continue Lendo

Anormal



Continue Lendo

Saída



Continue Lendo