COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MATRIZES

1 – Em dez minutos, a metade alvinegra do clássico mostrou o que não se quer ver. O braço esquerdo de Romarinho no rosto de Marcelo Oliveira, e o carrinho com a perna erguida de Jádson em Fernando Prass. Excesso de disposição, aparentemente sem má intenção.

2 – O time mais necessitado, e mais tenso, controlou a posse no início e se insinuou com algum perigo. Reflexo do momento ruim e da noção de que tudo pode mudar em um domingo como esse.

3 – O futebol apareceu ao redor dos vinte minutos. Um gol corintiano que Guerrero deveria ter marcado, após desvio de Romarinho na área. E um gol palmeirense que Cássio evitou, na jogada que começou com um passe diagonal formidável de Wesley.

4 – Na parte final do primeiro tempo, o Palmeiras se instalou e se encorpou. O time de Kleina tem uma campanha orgulhosa, total tranquilidade e um sistema estabelecido a seu favor. O de Mano é mais ambição do que condição, tentando antecipar etapas e confirmar a tese de que os clássicos equilibram qualidades e defeitos de cada lado.

5 – Ensaio de blitz corintiana no reinício. Um chute violento de Guilherme que encontrou o travessão, acompanhado de três aparições de Prass. Duas em chances de Romarinho e uma diante de Guerrero. Crescimento notável do time alvinegro, mérito inquestionável do goleiro verde, principalmente ao negar o gol ao peruano.

6 – Até quem não presta atenção pôde perceber o impacto de Jádson na casa de máquinas do Corinthians. A circulação da bola é mais fluida e, principalmente, mais inteligente. Curioso que a nova peça não tenha participado da jogada do gol, associação de Guilherme – muito mais participativo após o intervalo – e Fágner, finalizada por Romarinho. Quem mais?

7 – Cinco gols em quatro clássicos. Romarinho e o Palmeiras.

8 – Na semana em que se falou em Alan Kardec na Seleção para o amistoso contra a África do Sul, o atacante do Palmeiras ofereceu uma clínica de cabeceio ao empatar o jogo. Criou o espaço entre ele e seu marcador, Felipe, ao perceber que Diogo preparava o cruzamento. Testou a bola para baixo, com força e no canto, completando um movimento perfeito.

9 – O gol Palmeirense castigou o visível recuo do Corinthians. Algo que pode ser visto como natural levando em conta a situação do time e a proximidade do apito final, mas também como a postura errada, no momento errado, no jogo errado. O futebol não costuma tolerar o receio.

10 – O Corinthians lamenta o resultado, pois acumula mais uma rodada sem vencer, com a sensação de não ter concluído o trabalho que fez no clássico. O Palmeiras, invicto, segue no caminho que trilhava antes do encontro. Equipes sólidas identificam oportunidades e as aproveitam.

11 – Está no desempenho do time, especialmente no segundo tempo, o alento para Mano Menezes. O Corinthians produziu o suficiente para fazer mais do que um gol, o que provavelmente o conduziria à vitória. Esse retrato de cerca de meia hora de jogo deve ser a matriz para o recomeço.

OLHOS BEM ABERTOS

Constrangedora – para dizer o mínimo – a atuação do árbitro assistente que não foi capaz de enxergar o claro gol de Douglas, no clássico carioca. Perfeitamente posicionado, desocupado de outras preocupações, ele falhou em sua única atribuição: determinar se a bola entrou. Não havia obstáculos em sua linha de visão, e a trave ainda lhe servia de parâmetro. Como explicar?

BOLSO CHEIO

O argumento financeiro para não utilizar a tecnologia na linha de gol em torneios como o estadual do Rio de Janeiro é mentiroso. É só verificar o montante que fica com a federação local a cada clássico. Não faltam recursos no futebol profissional, falta aplicá-los com propriedade.

ATRASO

O que se lamenta: um jogo em que um gol cristalino não foi marcado, e um gol duvidoso foi confirmado. E é evidente que a segunda decisão foi influenciada pela primeira.



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