CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SKYPE

Alex foi surpreendido pela transferência de Paulo André para o futebol chinês. O zagueiro com quem ele divide o rosto e a voz do Bom Senso FC tinha comentado, no final do ano passado, sobre uma proposta da Itália que o fez balançar. Mas o histórico movimento de atletas brasileiros que pensam e falam, além de jogar, foi uma das razões que fizeram o capitão do Corinthians ficar onde estava. A notícia da saída de Paulo André chegou a Alex na noite de anteontem, sem aviso.

“A ausência física do Paulo será muito sentida”, disse Alex à coluna, por telefone. “Mas nós queríamos que o Bom Senso fosse uma máquina que funcionasse por si só, e conseguimos”, completou. Não foi por acaso que o BSFC foi organizado por jogadores mais próximos do fim do que do começo de suas carreiras. A vivência traz a iniciativa e os argumentos para agir. Também não é por acaso que Paulo André, um dos mais jovens, aos 30 anos, seja o membro mais ativo do grupo. Partiram dele a indignação que mobilizou colegas pelo país, e a coragem sem a qual os avanços não são possíveis.

Paulo André disse ontem, em entrevista de despedida no Corinthians, que o Bom Senso FC se fortalecerá com sua saída do Brasil. Talvez seja pensamento positivo. Mas é claro que o espaço que ele deixará – ainda que continue participando à longa distância – deve ser ocupado para que as ideias desses jogadores atuantes permaneçam na ordem do dia do futebol brasileiro. Para que a incompetência indisfarçada de quem toma decisões, e a ignorância desesperada de quem ataca as intenções dos atletas, continuem sendo enfrentadas com vigor.

“Nós vamos continuar atuando da mesma maneira”, diz Alex. “O grupo está acostumado a se comunicar à distância, por redes sociais, e o Paulo vai fazer isso lá da China”, acrescenta. Que as distâncias, cada vez menos significativas no mundo de hoje, não impeçam o salto importante que falta ao futebol no Brasil.

SONHO

Enquanto Luiz Felipe Scolari falava sobre a convocação da Seleção Brasileira para o amistoso contra a África do Sul, Adriano comunicou seu retorno ao futebol, no Atlético Paranaense. À tarde, Alexandre Pato treinou no São Paulo. À noite, Jô marcou um gol pelo Atlético Mineiro. Fred dá sinais de que estará apto, mas outros atacantes têm o direito de sonhar?

TROCA

Na Copa de 2002, Scolari bancou Marcos e Ronaldo. Ambos retribuíram nos gramados asiáticos para o último título mundial da Seleção. Atualmente, em situações um pouco diferentes, a confiança total é depositada em Júlio César e Fred. À sua maneira, Felipão constrói ambientes e equipes por intermédio do intercâmbio de responsabilidades.



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