COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

ESPERA

Um aspecto pouco comentado sobre recém-encerrada fase corintiana da carreira de Alexandre Pato: a megalomania dos números envolvidos é tal que, mesmo pagando uma parte dos vencimentos do novo atacante são-paulino, e a totalidade do salário de Jadson, o Corinthians economizará dinheiro. O clube remunerará os dois jogadores simultaneamente em uma operação que alivia, ainda que de forma discreta, sua folha de pagamento. O que dá a medida de quanto o Corinthians gastou com Pato, sem falar no montante – R$ 40 milhões, o segundo mais alto já registrado no futebol brasileiro – investido para adquirir seus direitos.

A hora correta para avaliar a passagem de um jogador por um determinado clube é quando ela se encerra. Enquanto há jogos a disputar, o futebol permite que a leitura de uma trajetória decepcionante se transforme em um instante, e vice-versa. Adriano, para citar um exemplo recente no mesmo Corinthians, será lembrado negativamente seja qual for o critério de avaliação. Mas sempre haverá um apaixonado a dizer que o gol marcado contra o Atlético Mineiro, no Pacaembu, valeu o que ele recebeu em salários. E à diferença do que se deu com Pato, o Corinthians nada gastou para contratá-lo.

Por desempenho, a experiência com Pato foi ainda pior do que com Adriano. O torcedor não tem sequer um momento efêmero para lembrar com carinho ou gratidão. Ao contrário, o arquivo de memória com as sensações provocadas por Pato é constituído por irritação. Adicionada a questão financeira para medir custos e benefícios, o resultado é uma contratação que o Corinthians preferia não ter feito.

É necessário recuperar o contexto. Pato foi adquirido ao final de uma temporada em que o clube respirava otimismo. Os títulos mais almejados estavam expostos no museu do Parque São Jorge, frutos de uma estabilidade incomum no futebol brasileiro. Diante da possibilidade de repatriar um jogador internacional, ainda jovem e, em tese, interessado em reencontrar seus melhores dias para disputar a Copa do Mundo, fez-se a aposta. Deu errado. Tão errado que a melhor coisa que pode acontecer agora é recuperar o investimento (ainda que a chance de Pato voltar a jogar no Corinthians exista em contrato, e que o futebol seja capaz desse tipo de reviravolta, parece um cenário inviável).

O que nos leva a uma possibilidade remota no acordo celebrado entre Corinthians e São Paulo, que pode assumir uma proporção surpreendente caso Pato seja um sucesso instantâneo em seu novo clube: se receber uma oferta superior a 15 milhões de euros, o Corinthians poderá vendê-lo na metade do ano. Nesta hipótese, o São Paulo o terá por, no máximo, quatorze jogos. Por mais estranhas que sejam certas transações, algo assim levantaria as sobrancelhas até de quem já viu de tudo. Pato teria de ser um fenômeno para justificar tamanho interesse. A ironia é que isso é exatamente o que o São Paulo deseja.

Alexandre Pato se foi, mas o Corinthians continua esperando por ele.

ALMA

Maravilhosa demonstração de apoio dada pela torcida do Botafogo, na vitória sobre o Deportivo Quito. Quando jogadores e técnicos falam sobre a diferença de jogar com o estádio cheio, referem-se a noites como a da última quarta-feira. E não há nada mais saudável para a relação entre torcida e time do que a arquibancada sentir-se participante do jogo e do resultado. Estádio ocupado é futebol em sua plenitude.

PISTA

Informação apurada pela repórter Camila Mattoso, do espn.com.br: as investigações do Ministério Público de São Paulo revelam que a comissão técnica da Portuguesa não sabia que Héverton seria julgado na sexta-feira anterior à última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. Pelo menos seis funcionários do clube tinham a informação, mas não a repassaram ao departamento de futebol. É preciso saber por quê.



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