CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CONTINGÊNCIA

O fato de um clube estar disposto a pagar salários a um jogador no qual investiu R$ 40 milhões, para vê-lo vestir a camisa de um rival, dispensa outras análises. A busca de uma negociação que seja capaz de suavizar as perdas não esconde o arrependimento do ponto de vista esportivo. Quando Alexandre Pato foi contratado, no final de 2012, o Corinthians imaginava diferentes cenários. Nenhum chegava perto do desgosto que a realidade apresenta.

Só há um aspecto positivo da passagem de Pato pelo clube: a solução para suas repetidas lesões, o que permite que ele possa treinar e jogar com a frequência de um profissional. Os dramas musculares do atacante eram a principal questão no momento de sua chegada, razão pela qual se escreveu neste espaço – um equívoco inegável a esta altura – que, se pudesse estar em campo, Pato seria um jogador valioso. O Corinthians conseguiu o que parecia mais difícil.

Jadson custou cerca de quatro vezes menos do que Pato. Também não atingiu a expectativa no São Paulo, ainda que tenha feito boas partidas no ano passado. Investimento, risco e decepção menores. Tanto no bolso quanto na cabeça, a operação dói menos para o clube do Morumbi.

É evidente que os acontecimentos do último sábado precipitaram as decisões no Corinthians. A mesma troca foi oferecida ao clube em janeiro, com resposta negativa. Os bárbaros assustaram Pato (ele não é o único), essencialmente encerrando o período de espera. Ele aumenta a lista de jogadores corintianos que não aceitaram conviver com a violência de “torcedores”, abuso injustificável sob qualquer ótica.

Esta é uma troca que nenhum dos clubes queria ter de fazer. É medida de contingência dos dois lados, estimulada pela necessidade do Corinthians de se desfazer de Pato e pela oportunidade do São Paulo de converter Jadson em algo que lhe satisfaça. Por melindre, clubes rivais não negociam entre si a não ser que não reste opção.

ENCAIXE

As questões sobre o resultado da troca de problemas em busca de soluções são óbvias: Como Jadson reagirá ao clima de terror instalado no Corinthians? Como o São Paulo conseguirá equilíbrio com Ganso e Pato juntos? À primeira vista, pensando só no campo, a entrada de cada jogador em seu futuro time é menos problemática para Jadson. Mas o futebol tem caprichos.

CRIME

Animais em meio a torcedores do Atlético de Madrid abusaram do brasileiro Marcelo com ofensas raciais. Tudo aconteceu diante do filho do lateral do Real Madrid, logo após o clássico de ontem, válido pela Copa do Rey. O comportamento neandertal que não poupa nem crianças encontra suporte nas “autoridades”, que nada fazem de concreto para puni-lo.



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