CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

RESCALDO

De acordo com o que sabemos hoje a respeito da transferência de Neymar para o Barcelona, é razoável dizer que, das quatro partes envolvidas (os clubes, o jogador e a empresa de seu pai), só o jovem astro saiu “ileso” da negociação.

Neymar está vivendo seu sonho. Joga no clube que escolheu e pode controlar o próprio destino. À exceção de uma lesão grave (toc-toc-toc), sua trajetória dependerá apenas do que ele for capaz de fazer – e Neymar, para azar dos que lhe têm antipatia, é capaz de muito.

A quem o acusar de não ter agido corretamente com o Santos ao disputar o Mundial de Clubes já sob acordo com os catalães, Neymar sempre poderá responder que foi um efeito colateral da única maneira de garantir que seu futuro se daria onde ele queria. É uma prerrogativa de qualquer pessoa.

Claro, a transação pode vir a ser um sucesso para o Barcelona. Dependerá de conquistas coletivas que tenham a participação decisiva do brasileiro, o que compensaria as convulsões internas e a situação política delicada. As tais “confidencialidades” do contrato derrubaram o presidente Sandro Rosell e mantém seu sucessor no alvo da oposição. Também criaram uma controvérsia salarial.

Na semana passada, Josep Bartomeu declarou publicamente que o Barcelona pretende que Lionel Messi seja o jogador mais bem pago do mundo. É o equivalente a você publicar um anúncio no jornal para dizer que gostaria que sua mulher fosse feliz. Recibo de problemas, não de solução. A herança de Rosell é cruel.

O Santos sempre conviverá com a verdade incômoda de ter vendido um diamante por muito menos do que ele valia. E com a impressão de ter sido manipulado pelo outro lado da mesa. Sensações desagradáveis e duradouras.

Neymar pai, cuja empresa recebeu 40 milhões de euros em comissões, está em modo de controle de imagem e pode receber demandas judiciais. Se o plano era proteger Neymar Jr., deu certo.

MEMÓRIA

Lembra de quando o adiantamento de 10 milhões de euros e o contrato com o Barcelona eram invenções da imprensa ou coisa de gente que queria prejudicar o Santos? Como será que aqueles que se proclamam “defensores da instituição” têm recebido as últimas informações? Seria salutar que esse episódio deixasse lições, mas infelizmente é pouco provável.

CASO LUSA

Esquizofrênicos podem inundar as redes antissociais com acusações feitas sem responsabilidade e baseadas no que eles gostariam que fosse verdade. Mas investigações jornalísticas funcionam de outra forma. Seria ótimo se grandes histórias pudessem ser apuradas com apenas um telefonema, em poucos minutos. Pior do que não entender isso é não perceber o benefício do debate.



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