COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

TOPO

A Pluri Consultoria divulgou na semana passada a lista dos trinta técnicos mais bem pagos do futebol. O primeiro nome da relação é o de Pep Guardiola, com salário de 17 milhões de euros anuais no Bayern. O catalão recebe cerca de 7 milhões a mais do que o segundo colocado, o português José Mourinho, do Chelsea.

Entre os treze treinadores mais valorizados do mundo, doze trabalham em clubes. O italiano Fabio Capello, à frente da seleção russa, aparece na quarta posição do ranking dos salários. Roy Hodgson, comandante da Inglaterra, é o décimo-quarto, com 3,5 milhões de euros por ano. O sul-americano mais bem colocado é o argentino Tata Martino, técnico do Barcelona, em oitavo lugar. Luis Felipe Scolari é o único brasileiro do grupo, na vigésima-terceira posição. O trigésimo é o espanhol Vicente del Bosque, campeão europeu e mundial com a seleção espanhola.

É necessário considerar que a lista trata de valores brutos, sem observar os tamanhos diferentes das mordidas do imposto de renda em cada país. Independentemente, Guardiola domina o cenário com a autoridade de quem conquistou dezessete dos vinte e três títulos que disputou. Sim, entre eles estão computados o primeiro campeonato de sua carreira, a terceira divisão da Espanha, e também o último, o Mundial de Clubes da Fifa.

É cedo para avaliar o trabalho de Guardiola no poderoso time alemão. Prova disso é que seu segundo troféu com o Bayern (assim como o primeiro, na Super Copa da Uefa, conquistada em agosto) veio em um torneio para o qual o clube se classificou por ter sido campeão europeu com outro treinador. Não é exagero dizer que os primeiros frutos da fase alemã da carreira de Guardiola foram semeados pelo trabalho de Jupp Heynckes. Por outro lado, Pep merece o aplauso pelos mesmos critérios que seriam utilizados para criticá-lo se tivesse perdido essas finais.

O Campeonato Alemão 2013/14 é a primeira competição do “Bayern de Guardiola”, um time diferente de sua versão anterior, em que os conceitos do novo técnico aparecem de maneira evidente. O Bayern lidera com sete pontos de vantagem, e um jogo a menos, em relação ao Bayer Leverkusen. Dirigir uma equipe que venceu tudo o que disputou pode ser um presente valioso, mas há armadilhas dentro da caixa. Uma é a impossibilidade de conduzir essa equipe a uma temporada melhor. Outra é a resistência interna a mudanças de método e sistema.

Em entrevista recente ao repórter André Plihal, da ESPN, o zagueiro Dante ilustrou como a chegada de Guardiola ao Bayern multicampeão foi recebida pelos jogadores. O currículo do sucessor de Heynckes lhe serviu como suporte, mas, no dia a dia dos treinos e partidas, as dúvidas dos atletas em relação à necessidade – e ao sucesso – de uma outra maneira de jogar estavam presentes. Dante confirmou o início complicado e concluiu: “Ele melhorou o nosso time”.

No Barcelona, Pep Guardiola encontrou a resposta para o dilema entre jogar bem e vencer. É o que ele pretende fazer no Bayern.

PERSONAS

Uma das maiores virtudes do Barcelona de Guardiola foi dominar todos os tipos de adversários por intermédio da capacidade técnica de jogadores pequenos. O futebol caminhava para a supremacia de sistemas baseados em jogadores grandes e fortes na faixa central do campo. O que se vê agora no Bayern é a introdução de pausa e toque a um Bayern que já era rápido e físico com Heynckes. E a possibilidade de utilização de “pequenos” como Thiago Alcântara e Gotze para alterar a personalidade do time. O Bayern pode ser direto e avassalador em um momento, calmo e caprichoso em outro. Foi o que aconteceu no último encontro com o Borussia Dortmund, rival local. Mas é claro que a transição também será medida por conquistas, especialmente a Liga Alemã e a Liga dos Campeões da Uefa. Guardiola foi contratado a peso de ouro para fazer o Bayern continuar ganhando.

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Um feliz Natal a todos.



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