CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

HAJA MÉRITO

1 – É compreensível que um campeão da América tenha dificuldades na estreia do Mundial de Clubes. É a norma, contra qualquer tipo de adversário. O melhor time do mundo demorou quase um tempo inteiro para fazer um gol no fragilíssimo oponente chinês. Depois, jogou andando.

2 – Também é compreensível que tais dificuldades se tornem mais perigosas quando o time do outro lado do campo está absolutamente confortável em seu papel. Em casa, apoiado, sem distrações. E já com dois jogos disputados – e vencidos – para soltar a musculatura.

3 – Na terça-feira, o Bayern mostrou como o primeiro gol tem um efeito libertador. Desarma a estratégia do rival que vê o 0 x 0 como objetivo glorioso, estabelece o tamanho da diferença técnica em campo, torna o jogo mais real. Talvez o maior mérito da vitória monumental do Raja Casablanca tenha sido se defender bem.

4 – O que mais saltou aos olhos foram os contra-ataques bem encaixados, que só não mexeram no placar no primeiro tempo porque os finalizadores marroquinos foram ingênuos ou egoístas. Mas o que desequilibrou o Atlético Mineiro foi a capacidade defensiva que encontrou. O Raja Casablanca não permitiu que o time brasileiro se sentisse grande.

5 – E mesmo quando as coisas (na ótica do placar, não do jogo que se via) penderam para o lado atleticano, após o gol de Ronaldinho, a compostura dos africanos foi notável. Cientes de que o contragolpe permaneceria disponível, continuaram atuando da mesma maneira. Com coragem, acima de tudo. O fato de estarem em seu país certamente contribuiu.

6 – O Atlético não sofreu uma derrota “injusta”, um desses jogos em que o futebol impede que o melhor time vença e produz uma decisão casual. Não houve excesso de jogo e falta de sorte. Só um time conseguiu aplicar seu plano: o time que venceu o jogo por 3 x 1, provavelmente na noite mais importante do futebol do Marrocos.

7 – Pênalti mal marcado, exagero. Mas não explica o resultado.

VERDADE

A classificação do Raja Casablanca para a final do Mundial de Clubes, assim como já tinha feito o Mazembe em 2010, legitima o formato do torneio. Times que aparecem como “parceiros de treino” têm motivos para crer que a decisão não é um sonho impossível. E quando as condições conspiram para um cenário favorável, surpresas gigantescas como essas acontecem.

CRUELDADE

O futebol tem um senso de humor sarcástico. Há momentos em que parece ter vontade própria. O ano do maior e mais festejado título do Atlético Mineiro terminará com um resultado frustrante – para dizer o mínimo – no Mundial de Clubes e com o rival vestindo a faixa de campeão brasileiro. Mais um lembrete da obrigação de ao menos chegar à final do torneio da Fifa.



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