FANTASMA AFRICANO



Eu achava que o Todo Poderoso Mazembe tinha ligado um alerta eterno no dia em que eliminou o Internacional do Mundial de Clubes de 2010. Mais do que isso, achava, falei e escrevi que algo assim jamais aconteceria de novo.

Trecho de uma coluna de dezembro do ano passado:

“O Todo Poderoso Mazembe, de triste memória para o torcedor do Internacional, prestou um serviço inestimável ao futebol sulamericano em dezembro de 2010. Ao eliminar o time brasileiro do Mundial de Clubes da Fifa daquele ano, os congoleses garantiram que os futuros campeões da Copa Libertadores jamais chegarão ao Japão pensando apenas na final. A humilhação sofrida pelo Inter serve como alerta de que é preciso vencer um jogo antes do encontro com os europeus.”

Sim, há algumas importantes diferenças (além, é claro, de uma ter acontecido em Abu Dabi e a outra no Marrocos) entre as duas históricas vitórias do futebol africano sobre o futebol brasileiro. Enquanto o Internacional deu a impressão de achar que o jogo contra o Mazembe seria um treino, o Atlético exibiu outro tipo de defeito: não conseguiu estabelecer, em campo, a diferença de tamanho entre ele e seu adversário.

Fato é que, de novo, a final do torneio não será entre os campeões da América e da Europa.

E o repórter Thiago Arantes, do espn.com.br, achou um elemento comum às duas noites mais surpreendentes do Mundial de Clubes: o atacante congolês Déo Kanda, ex-Mazembe, hoje no Raja Casablanca (3 x 1 no Atlético Mineiro: Iajour, Ronaldinho, Moutaouali e Mabide – 35.219 presentes no Marrakech Stadium).

Kanda não está sozinho, já que Alecsandro também participou dos dois jogos. Se um lembrou do outro (improvável), e ambos se viram antes do jogo, tiveram sensações opostas que neste momento estão bem mais fortes.

Outra diferença entre as trágicas quedas do Inter e do Atlético é o desempenho do adversário. O Raja Casablanca jogou muito mais do que o Mazembe. O time marroquino marcou bem e revelou estar preparado para contragolpear utilizando os espaços deixados pelos laterais do Atlético.

Uma coisa é ir ao gramado com o plano mais comum que existe: recuar, defender e sair. Outra é saber como fazer isso diante de um oponente superior tecnicamente. E outra e efetivamente fazê-lo.

O Raja Casablanca não só fez como fez bem.

Criou diagonais pelos dois lados, cruzou o campo em poucos e precisos passes, teve chances para marcar no primeiro tempo. E assim venceu o jogo.

Mas o fator de desequilíbrio foi a parte defensiva, que não deixou o Atlético dar as cartas.

Mais sobre a classificação merecida dos marroquinos escrevo no Lance! desta quinta-feira. Ainda surpreso por ter visto um fantasma pela segunda vez.



  • Marcel de Souza

    Que triste final de 2013 para o futebol brasileiro. De repente parece qud deu tudo errado!!!

    • Nilton

      Realmente triste, e pensar que no inicio do segundo semestre, tíamos o Brasil ganhado a Copa das Confederações em cima da poderosa Espanha, o Galo conquistando a libertadores, e os times que participou da libertadores disputando a Copa do Brasil, parecia que o futebol brasileiro estava tomando jeito…..

  • Rene

    Tenho a impressao que estava todo mundo boquiaberto com a qualidade dos Marroquinos, que esperavam jogo mais facil. Essa hora tenho que perguntar: Sera que a comissao tecnica fez seu dever de casa?

  • Anna

    Só que naquela ocasião o Inter subestimou o Mazembe, nessa, o Raja foi superior ao Galo, surpreendeu-no. Triste pq gosto muito do Cuca, mas há coisas que só acontecem ao… futebol! Bom final de semana, Anna.

  • Bom dia André.

    A surpresa é geral, mas desde o primeiro momento do jogo já não havia dúvidas que seria difícil, pela postura do Raja. Jogou tão bem, que até parecia inexistir diferença técnica entre os times. Ao contrário, ontem, o Raja Casablanca jogou melhor, tecnicamente e taticamente.
    Não dá para entender o que acontece. O time parecia “amarrado, travado”.
    Já vi esse filme em 2011 com o Santos, em 2010 e 2006 com a seleção. Não é só questão de jogar mal, não conseguiu jogar nada.

    • Marcelo Morais

      O que me espantou foi o time do Atletico tocando bola de lado, com toques de efeito, logo apos o gol de empate. Me pareceu um time displiscente num jogo importante. Aquela postura do tipo “agora ficou facil, marcaremos mais gols quando quisermos”.

      Impressao minha?

      • Caro Marcelo,

        Tive a mesma impressão. Quando saiu o gol de empate (golaço, por sinal), ouvi narradores falando que o “Atlético havia reassumido o controle do jogo”. Pelo jeito, o time também pensou isso. E estava errado, pois em momento algum o Atlético teve o domínio da partida.

        E deu no que deu.

        Abraço.

  • Humbolt

    Dia 25 de Dezembro, a missa do 7º dia. Missa do galo.

  • Marcão Mengão

    Ouvi no rádio de manhã que o advogado do entrou com um recurso e o raja casablanca foi eliminado… pelos tricoletes!!!

  • Rodrigo – CPQ

    O que me deixou surpreso foi a apatia do Galo após o segundo gol. Essa atitude um time não pode ter nunca. Se assistissem com mais frequencia o campeonato inglês, veriam que gols no fim do jogo são mais normais do que parecem. Vira e mexe tem jogo com três, quatro gols nos últimos seis, sete minutos.

  • Você já pediu desculpas ao Fluminense Futebol Clube?

    AK: Por quê?

  • Fabio Hideki

    Nesses Mundiais da Fifa, os Sul-Americanos não têm se mostrado tão superiores aos não-europeus.
    Demos tanto favoritismo ao Atletico, por ser um clube brasileiro contra um marroquino.
    As análises nesses tipos de confrontos parecem ser baseadas apenas em tradição e número de jogadores conhecidos. Não vejo nada sobre futebol das 4 linhas.

    AK, quais jogos do Raja Casablanca você viu nos últimos 6 meses ?

    AK: O favoritismo ao Atlético, algo indiscutível, está ligado a investimento, elenco e o nível de competição que ele enfrenta. Esses são os aspectos que entram na análise. E como não existe enfrentamento anterior para ser usado como comparação, não há como analisar de outra forma. Não fiz prognóstico sobre o jogo, escrevi sobre o que vi em campo. Um abraço.

    • André, o que não consigo entender é uma equipe como o Atlético, focada exclusivamente no mundial, com bom elenco, chegar lá e “travar” na hora H. Perder tudo bem, faz parte do jogo. Mas sem a menor capacidade de reação, aí é feio.
      Tem coisas no futebol que não dá para explicar.

  • Joao CWB

    Não fiquei tão surpreso assim com a derrota do Galo como a maioria.

    Apesar da importância que esse mundial tem para os clubes sul-americanos, acredito que os jogadores estavam com a cabeça nas férias, sem o espírito de competição que um campeonato mais longo proporciona, Cuca com a cabeça na China, entre outros fatores.

    Só não achava que seria uma lavada como foi.

    Abraço

  • Robert

    É o que todo mundo diz: excetuando o juridico de alguns clubes que insistem em escalar jogadores suspensos…não existe mais bobo no futebol…

  • Imagina que o Guardiola estava assistindo o jogo, e o Atlético MG não acertava um passe. Deve ter pensado: “é um novo sistema de jogo, que privilegia a posse de bola ao adversário e os passes errados são para confundir a zaga e para eles pensarem que o Atlético é um time fraco”.

  • Jorge Coelho

    Aumenta a lista de vexames do futebol brasileiro:
    – Inter x Mazembe
    – Santos x Barcelona (4 x 0 e 8 x 0)
    – Corinthians x Tolima
    – Atlético x Raja
    Fica evidente que o futebol jogado no Brasil piora ano após ano…

    • josé

      vexame meu amigo é cair para série B, o INTERNACIONAL É MUITO GRANDE E CAMPEÃO MUNDIAL FIFA ISSO NÃO PODE SER APAGADO NUNCA ………

  • Notícia Urgente do Jornal ” O GARNIZÉ”.
    Galo Mineiro perde as penas e as esporas na luta contra a Águia Africana.
    Dizem que voltará num avião UTI, que seu estado atual é grave.
    A Raposa espera ansiosamente para dar uma força ao “amigo”.
    Podia ser pior, disse a Raposa, se pega o Bayern não sobrava nada, nem para o enterro.

  • Críticas e mais críticas, análises dizendo que o futebol brasileiro isso, e aquilo, e aquele outro.

    Nos últimos 08 anos, ganhamos a libertadores e o mundial em 2005, 2006 (São Paulo e Inter), Libertadores em 2010 (Inter) e 2011 (Santos), Libertadores e Mundial em 2012 (Corinthians) e Libertadores em 2013 (Atlético MG).
    Em oito anos, 06 Libertadores e 03 Mundiais de Clubes.
    Não está tão ruim assim.
    O problema é que esqueceram de avisar o Raja Casablanca.

  • Emerson Cruz

    O Atlético mostrou um enorme nervosismo ao longo do jogo que aos poucos foi se somando a já conhecida incapacidade da equipe em atuar em estádios adversários, fatores que levaram a equipe a não produzir nada coletivamente, num dia em que as individualidades não renderam o que podiam.
    O Galo enfrentou um adversário que sabia o que fazer em campo ao executar com competência a única estratégia que lhe poderia conferir algum êxito, elementos que somados conduziram a esta mazembada do Raja.
    Um vexame histórico do Galo ( com perdão do clichê) ser eliminado pela equipe marroquina encerrando um semestre no qual o time passou – exageradamente – imaginando como seria o confronto com o Bayern.

  • Correa Leonardo

    Ninguém atentou como os magribinos foram fisicamente superiores (e muito) à mineirada. Os espaços deixados nas costas dos laterais atleticanos eram absurdos e esse Raja, que de bobo nada tem, explorou muito bem essa deficiência, ganhando praticamente todas na corrida.

    Discordo daqueles que enxergaram soberba do Galo. Os marroquinos foram melhores nos dois tempos e a vitória foi merecida.

  • Pedro Mengao

    O que acontece e’ que o Atletico nao estava acostumados a jogarem uma partida grande assim. Se assustaram. Comnosco foi bem diferente. A gente chegamos la em Toquio e jogamos futebol pra chines ver. Ficaram encantados com o Futebol do Zicao, Tita, Adilio, Nunes, Leandro, Junior Capacete, Nunes. O nunes era o pior e e’ mil vezes melhor que esse Jo. Covardia ne? O Flamengo nao deichava ninguem jogar. Aquilo sim era um time de futebol!!!
    Com todo respeito, estava ate torcendo pro Atletico mas essa e’ a grande verdade!!
    Saudacoes RN!!!

    • Ronaldo

      Na boa, um erro aqui e ali tudo bem, a gente deixa passar. Mas o amigo aqui precisa pegar umas aulinhas particulares do idioma. Depois me dizem que eu tenho preconceito contra Rubro-Negro. Mas Pelo amor…. O pior e’ o seguinte, sinto em lhe informar caro Pedro mas Toquio fica no Japao. Isso eu posso lhe garantir!!!

    • Rodrigo – CPQ

      Pedro, a impressão que dá é que seu comentário foi só para enaltecer esse baita time do Flamengo. O jogo contra o Raja era decisivo, e o Atlético perdeu. Simples. O time está acostumado sim a disputar grandes jogos, visto que a Libertadores não foi nada fácil. Ainda acho que o maior pecado foi a falta de foco e planejamento. Um time do porte do Galo não pode desistir de tentar UM gol no fim do jogo como desistiram. Essa era uma situação que deveria ser prevista por comissão técnica e jogadores, mas não vimos isso. O maior exemplo foi o lance em que o Fernandinho ficou isolado na esquerda, no meio de três defensores, sem ninguém para passar a bola, no final do jogo…

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