NO LANCE! DE HOJE



(publicada hoje, no Lance!)

JULGAR

Aconteceu um episódio interessante em um jogo do Campeonato Inglês, anteontem. Um episódio que, respeitadas as distâncias e os impactos, nos ajuda a analisar o caso que será julgado hoje pelo STJD. Claro que é necessário se despir de fanatismo para compreender as relacões, algo que tem se revelado impossível, infelizmente, para os que ignoram contextos e não aceitam a existência de opiniões diferentes. O que se escreve aqui sempre será dedicado a quem se mantém afastado do vale tudo das arquibancadas e seus reflexos em nossa sociedade.

No final do jogo entre Newcastle e Southampton, Moussa Sissoko e o goleiro Paulo Gazzaniga tiveram um pequeno desentendimento. No chão, Gazzaniga empurrou a perna do meia do Newcastle, que, com um gesto ríspido para afastar o braço do adversário, acertou um forte tapa no rosto do árbitro Michael Jones. O apitador caiu no gramado e precisou de atendimento médico em um olho e no nariz. Recuperado e visivelmente irritado, Jones dirigiu algumas palavras a Sissoko antes de reiniciar a partida.

Na visão legalista que clama pela aplicação das regras sem observar outros aspectos, Sissoko deveria ter sido expulso e, depois, banido por vários jogos. É o que acontece com jogadores que agridem árbitros na Premier League. Os mais atentos se lembrarão da suspensão de onze rodadas para Paolo Di Canio, por ter empurrado ao chão um juiz em setembro de 1998. As distinções entre um caso e outro são simples e óbvias: Di Canio teve clara intenção no empurrão, enquanto o tapa de Sissoko foi involuntário. Mas ambos os incidentes invocam a regra que proíbe que se toque no árbitro antes, durante e depois de um jogo. O que os separa é a análise e a apuração das circunstâncias – no evento com Sissoko, feita pelo próprio árbitro – em que os fatos se deram.

A comparação aqui não é entre a “agressão” a um árbitro e a escalação de um jogador em condição irregular. O ponto é em relação à maneira de julgar e produzir justiça. Já vimos jogadores expulsos por faltas violentas em que não fica cristalino o intento de atingir o adversário. Apela-se à imprudência, ou ao uso de força excessiva, para justificar a decisão do árbitro. Certamente há quem entenda que Sissoko mereceu ao menos um cartão amarelo pelo que fez.

Não se discute o erro cometido pela Portuguesa. O que está em questão são as consequências deste erro e, principalmente, as circunstâncias que o produziram. Também é importante que se analise qual é o papel do artigo 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, ou seja, que tipo de transgressão o texto pretende penalizar. Há um clube em risco de ser rebaixado por utilizar um atleta suspenso por cerca de 15 minutos, em um jogo cujo resultado não representou nada.

Julgar é mais do que ler o texto da Lei. É interpretá-lo de acordo com o que aconteceu, como aconteceu, considerar contextos e decidir pelo mais justo. Devemos ser plenamente capazes de fazê-lo. Do contrário, Moussa Sissoko estaria suspenso.

OLHEM BEM

A Portuguesa deveria levar todos os seus jogadores e os membros da comissão técnica ao julgamento no Rio de Janeiro. Os auditores responsáveis por determinar o destino do clube precisam olhar para as pessoas que nada fizeram de errado e conseguiram, em campo, manter o time na Série A. Serão eles os maiores prejudicados por um possível rebaixamento no tribunal.

PENSE BEM

Às vésperas da estreia do Atlético Mineiro no Mundial de Clubes da Fifa, o futebol chinês ofereceu a Cuca a possibilidade de nunca mais se preocupar com dinheiro. E o que começou com a sempre estranha censura ao assunto na entrevista coletiva, terminou com uma conversa informal com repórteres. Cuca admitiu a proposta – e seu tamanho – do Shandong Luneng, mas reforçou que não quer tratar do tema durante o Mundial. Perfeito, mesmo porque as coisas podem mudar. Esconder é sempre pior.



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