COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PLANO A

“O trânsito caótico nos dias de jogos faz com que se gaste até quatro horas para chegar aos estádios. Neles, é difícil conseguir uma informação precisa. Seja dos voluntários, cujo único trabalho é auxiliar as pessoas, seja dos policiais, que só sabem dizer não.

Tudo isso, claro, está acontecendo na África do Sul. Na Copa do Mundo da África do Sul. Mas poderia estar acontecendo no Brasil, se o Mundial fosse em nosso país, como será daqui a quatro anos. Obras mal acabadas, gramados sem condições, criminalidade, trânsito problemático e serviços ruins têm feito brasileiros se sentirem em casa por aqui. Difícil imaginar que, em 2014, nossa realidade seja melhor.

Duas conclusões. A primeira é óbvia: se a África do Sul pode fazer uma Copa, o Brasil também pode. Ainda que os sulafricanos tenham três estádios sensacionais (Soccer City, em Joanesburgo; Green Point, na Cidade do Cabo; e Moses Mabhida, em Durban), de um nível que o Brasil muito provavelmente não terá. E também tenham um aeroporto, o de Joanesburgo, que faz os nossos parecerem rodoviárias.

A segunda conclusão é triste: a Copa parece estar passando por um período de adaptação, para que ninguém se assuste daqui a quatro anos.”

Acima, os últimos parágrafos de uma coluna publicada neste espaço, em 19 de junho de 2010. A Copa do Mundo da África do Sul estava em andamento, com a verificação de todos os problemas previstos. As relações com o que teríamos no Brasil eram inevitáveis.

No cenário desenhado para 2014, a coluna errou no que diz respeito ao nível dos estádios. Independentemente de opiniões sobre a transformação do Maracanã, o palco da final do Mundial do Brasil em nada deve ao Soccer City. E as demais arenas brasileiras que receberão jogos da Copa, especialmente as que foram construídas para o evento, também não ficam atrás dos exemplos sul-africanos. Uniformidade garantida pelo chamado “padrão FIFA”.

Quanto a serviços, aeroportos e dramas das grandes cidades, o quadro, na melhor das hipóteses, permanece igual. A seis meses da Copa, as possibilidades de mudanças significativas parecem mínimas, se existirem. Assim, quem esteve no último Mundial se deparará com condições muito semelhantes no próximo.

A coluna acertou nas duas conclusões que apresentou ao final do texto, principalmente a última. Está claro que a Copa passou por um ensaio na África do Sul. Uma adaptação a um jeito diferente de fazer as coisas. Não fosse o que aconteceu quatro anos atrás, o desrespeito a prazos que vemos hoje, por exemplo, seria motivo para extrema preocupação. Ao contrário, fala-se em confiança e até em “jeitinho brasileiro” no bom sentido, aquele que revela a fé de que tudo dará certo no final.

A melhor ilustração possível é o caso do estádio do Corinthians, que deve receber o jogo de abertura. De acordo com Rodrigo Mattos, do portal UOL, a Odebrecht previu a conclusão das obras para março de 2014. O estádio ainda precisará de um mês para ficar operacional, com a realização de um evento teste. O Soccer City foi entregue no final de março de 2010. É por isso que não há plano B, ainda.



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