COLUNA DOMINICAL



(Publicada ontem, no Lance!)

ZURIQUE BAIANA

A entrevista que a ESPN negociava com a FIFA desde agosto estava, enfim, marcada. Jérôme Valcke estaria disponível para perguntas por vinte minutos, na segunda-feira passada, na Costa do Sauípe. Viajamos no domingo à noite com a única missão de conversar com o secretário-geral e retornar a São Paulo para exibir o material. Ao lado da esteira, à espera das bagagens em Salvador, um email fez o telefone vibrar. Má notícia.

A FIFA havia desmarcado o encontro na segunda, talvez porque a entrevista coletiva de Valcke e Joseph Blatter estava prevista para o dia seguinte. Não faria sentido nos atender de forma exclusiva antes da sessão com a imprensa internacional. A opção oferecida, terça à tarde, implicou em um dia a mais na Bahia, o que de nenhuma maneira pode ser confundido com algumas horas ao sol e várias latinhas de cerveja. Mas esta é outra história.

No horário combinado, estávamos no lobby do hotel, junto com uma equipe da BBC. Dividiríamos o mesmo espaço com os colegas britânicos, cuja entrevista com Valcke seria antes da nossa. Uma funcionária brasileira da FIFA, simpática e competente, nos conduziu ao andar e ao corredor em que todos os quartos foram convertidos em salas para uso da entidade. Nas portas, placas identificavam os diferentes departamentos. Um pedaço de Zurique no litoral norte baiano.

Paramos em frente a uma porta que designava uma sala de reuniões. Autorizados a fazer uma pequena reforma na decoração, montamos o set de gravação que seria usado pelas duas emissoras. Cadeiras, tripés e luzes exatamente no mesmo lugar, era apenas uma questão de trocar as câmeras. Tudo pronto, Valcke foi avisado e chegou em segundos.

Aguardamos no corredor enquanto a BBC gravava com Valcke. Uma porta vizinha chamou a atenção: “President’s Lounge”. Vozes revelavam a presença de pessoas na sala. Blatter? “Não posso informar”, disse nossa guia. Não foi necessário. Em questão de minutos, a porta se abriu e duas mulheres trajando o uniforme da FIFA e falando alemão (ou talvez fosse alemão-suíço, uma variação) saíram. Atrás delas, Joseph Blatter passou sorrindo e entrou em outro quarto. Ele tinha acabado de almoçar. Pareceu ainda mais baixo do que a televisão faz supor.

Garçons retiraram a comida do quarto em rápida operação. Um prato de frios e uma garrafa de vinho branco, pela metade, atiçaram o apetite de todos os presentes. Mas a visão dos britânicos saindo nos chamou de volta ao trabalho. Cumprimentei Valcke e sentei em meu lugar à sua frente, a tempo de me intrometer na conversa entre ele e o diretor de comunicação da FIFA. O tema era o sorteio final dos grupos da Copa. Perguntei qual seria o papel de Pelé. “Surpresa”, disseram ambos. “Mas você viu quem vai tirar as bolinhas?”, perguntou Valcke. “Todos os amigos de vocês”, acrescentou. Quis saber a quais amigos ele se referia. “Ghiggia… e Zidane”, respondeu o francês, admirador do genial Zinedine, sorrindo.

CADA UM COM…

A transcrição da entrevista com Jérôme Valcke está publicada em blogs.lancenet.com.br/andrekfouri. Um dos momentos interessantes é a resposta sobre qual tratamento a FIFA dispensará a João Havelange e Ricardo Teixeira, envolvidos no escândalo da ISL, durante a Copa do Mundo: “Isso não é minha responsabilidade ou minha preocupação”.

MILHAGEM

No sorteio em que a logística recebeu tanta atenção quanto os adversários, a Copa já começou mal para os Estados Unidos. É a seleção que mais viajará pelo Brasil para disputar os jogos da fase de grupos, superando os 5.500 quilômetros entre Natal, Manaus e Recife. Detalhe: os EUA ficarão baseados em São Paulo.

ÁPICE

Entre tantas possibilidades de cruzamentos e análises sobre quem terá a vida mais fácil ou difícil, uma verdade se ergue sobre todas as outras: se forem os primeiros colocados de seus grupos, Brasil e Argentina só se verão na final. Calcule.



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