CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SAIÚPE

Um repórter da Associated Press perguntou a Joseph Blatter, anteontem, por que o sorteio final da Copa do Mundo aconteceria em um lugar onde a maioria do povo brasileiro nunca poderia pôr os pés. Ele se referia ao paradisíaco resort da Costa do Saiúpe – ôps, perdão pelo efeito Marin -, quero dizer, Costa do Sauípe, distante não só em quilômetros mas também em poder aquisitivo do bolso médio da população do país. O presidente da Fifa deferiu a questão a quem deveria respondê-la, Marin, mas não sem antes oferecer suas impressões.

“O sorteio final deve ser um grande espetáculo”, disse Blatter. Ótimo saber disso, mas, claro, a pergunta não era sobre como, mas sobre onde. A palavra então chegou ao presidente da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo. Marin deu uma volta pelo Brasil com menções patrióticas, lembrou do hino nacional cantado pelo Maracanã antes da final da Copa das Confederações, condenou o interesse pela escolha do litoral baiano como se a pergunta tivesse sido feita por um jornalista brasileiro, e, após dizer que “poderia ser em qualquer lugar”, revelou sua felicidade por estar no “Saiúpe”. A Associated Press ficou sem uma resposta formal, mas as razões pela escolha do resort são conhecidas.

O sorteio foi um presente de consolação à Bahia, que sonhou com o jogo de abertura da Copa. A Costa do Sauípe faz sentido pela indisfarçável beleza natural e pelo planejamento para transformar o evento num trampolim turístico. Além do investimento no complexo hoteleiro local (uma monumental tenda temporária, que por dentro é uma verdadeira casa de espetáculos), a Arena Sauípe foi erguida para, após o sorteio, instalar a região no roteiro de shows.

A decisão de fazer o sorteio no Sauípe foi tomada há um ano, portanto bem antes das manifestações durante a Copa das Confederações. Revelou-se útil até nesse aspecto, já que o resort, remoto, está protegido de eventuais protestos.

GRELHA

Com a decisão de manter partidas na faixa das 13 horas na Copa do Mundo, admite-se o prejuízo ao jogo e aos times envolvidos. Vimos uma amostra do que o calor brasileiro é capaz na Copa das Confederações, na semifinal entre Itália e Espanha, em Fortaleza (às 16 horas), e no jogo do terceiro lugar, em Salvador (Uruguai x Itália, às 13h). Acontecerá de novo.

ASTRO

Pelé está certo em não querer participar do sorteio, para evitar seu envolvimento em um grupo complicado para a Seleção Brasileira. Ele já é suficientemente penalizado por ser simpático e disponível a perguntas cujo óbvio objetivo é constrangê-lo para uso futuro. Acerta também a Fifa, ao não se permitir realizar um sorteio no Brasil sem o Rei, que aparecerá na hora devida.



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