COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

A ÚLTIMA NOITE

Não foi a noite perfeita para a despedida de Tite do Pacaembu, porque o Corinthians novamente não fez gols e não venceu. A tendência ao zero a zero, marca do time neste Campeonato Brasileiro, não ficará na lembrança do técnico mais glorioso da história do clube. Nos momentos futuros dedicados ao saudosismo, quando se puser a saborear o que viveu e proporcionou, Tite poderá escolher o que quiser de um vasto acervo de memórias emocionantes. Ele merece.

A temporada de 2013 ficou bem abaixo do que Tite queria, ainda que o ano anterior fosse impossível de superar. O Corinthians deixou-se enganar por uma mistura de complacência e gratidão, pecados de diagnóstico e tratamento muito menos complicados quando se está do lado de fora. Tite tem tanta responsabilidade pelo que deu errado quanto todos os outros, abaixo e acima, que dividiram com ele os louros de conquistas inéditas. De novo, é por elas que seu nome será lembrado.

Mas foi, sim, a noite perfeita para um técnico que deixa seu clube. Acompanhado pelos jogadores que comandou, presenteado pelos dirigentes com quem trabalhou, homenageado pelos torcedores que emocionou. O Pacaembu lhe agradeceu, cantou seu nome e, tão importante quanto, não lhe disse adeus. Como se estivesse evidente, ainda que seja difícil entender, que o melhor para as partes agora seja uma separação temporária. O Corinthians se encontra no final de um ciclo e Tite talvez não seja a pessoa indicada para fazer a reforma que dará início ao próximo. Mas não resta dúvida de que a relação que se criou nas últimas três temporadas é do tipo que não se encerrará enquanto Tite estiver trabalhando. Daqui a algum tempo, ele se transformará em um fantasma constante para colegas em má fase no clube.

Haverá lugar para a noite de sábado na coleção de momentos de Tite no Pacaembu, principalmente por ter sido a última de uma sequência riquíssima do ponto de vista emocional. O caráter de despedida a arquivará de maneira diferente em relação às grandes tardes e noites que o técnico viveu no estádio. Entre elas, há uma que se distingue e se manterá no topo deste ranking pessoal: vinte e três de maio de 2012.

Foi quando Tite se converteu em torcedor, e a torcida do Corinthians – ou pelo menos uma pequena parte dela – atuou como sua auxiliar em uma ocasião de extrema tensão. Aos 11 minutos do segundo tempo do jogo contra o Vasco, pelas quartas de final da Copa Libertadores, o árbitro Leandro Vuaden expulsou Tite por reclamação. Em vez de seguir o caminho natural até as tribunas do Pacaembu, Tite preferiu se colocar nas numeradas, mais perto do alambrado e do banco do Corinthians.

Ao lado de Edu Gaspar e cercado por corintianos, Tite sofreu com o lance em que o coração de Alessandro parou até Cássio rejeitar Diego Souza com as pontas dos dedos da mão esquerda de São Jorge. Viu o gol de Paulinho provocar o mais violento terremoto de que se tem notícia no estádio municipal. E comemorou, nos braços de colaboradores desconhecidos, a vitória que encaminhou o Corinthians ao título eterno.

Tite voltará.

TENSÃO

A semana do título do Flamengo na Copa do Brasil terminou com mais um motivo de satisfação para o torcedor rubro-negro: os rivais Fluminense e Vasco chegarão à última rodada do Campeonato Brasileiro com altas chances de passar 2014 na Série B. E com destinos interligados que farão com que um dos dois seja rebaixado.

MENÇÃO

Portuguesa e Bahia, dois clubes com dramáticos problemas administrativos, escaparam da queda no penúltimo jogo. Comissões técnicas e jogadores que merecem um aplauso a mais.

EMOÇÃO

O último instante do BR-13 terá times interessados em alcançar a Copa Libertadores e fugir da Segunda Divisão no ano que vem. Mas naturalmente os críticos do sistema de disputa apontarão o campeão precoce (como se o mérito devesse ser penalizado) e posturas estranhas (como se desvio de princípios fosse culpa do formato) no final. Um debate inútil.



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