CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SANTOS

Para quem nasceu a partir da década de setenta, Nilton Santos é um nome. Um nome escrito com letras de ouro, cobertas pelo manto da nobreza do futebol. O apelido, “enciclopédia”, lhe confere a sabedoria que humanos comuns não atingem, e acrescenta a reverência que só as divindades da bola merecem.

Mas a falta de referência de um jogador extraordinário na memória faz com que Nilton Santos, aos olhos dos que não tiveram a sorte de vê-lo em campo, seja refém do imaginário. Há pouco além de um nome, um rosto, e o que sabemos sobre quem ele foi. O acervo de imagens, por mais amplo, não carrega a evolução e nem as sensações.

Pobres de nós. Pobres duas vezes, porque não o vimos e não somos capazes de criá-lo quando fechamos os olhos. Ainda mais pobres por não termos ideia do que não conhecemos.

Nilton Santos foi um viajante do tempo. Nasceu atacante e se formou lateral para libertar a posição das amarras de uma época. Desbravou o campo ofensivo, até então território proibido para quem deveria ser um mero vigilante de pontas.

O encontro de seu prazer em avançar com a técnica necessária para tanto resultou em um jogador revolucionário. Não houve esquema tático ou treinador conservador que pudessem conter o jogador que moldou os laterais do futuro. Um visionário que jamais aceitou os limites impostos pela falta de capacidade alheia.

Nilton Santos marcou um tempo. É membro da “seleção do mundo do século vinte”, escolhida pela Fifa. Provavelmente o melhor lateral esquerdo que já viveu. Um desses raros jogadores que surgem em um clube e só o deixam uma vida depois, aposentado.

Poderíamos encerrar aqui, ao lamentar que Nilton Santos se foi, deixando um caminho marcado pela elegância e pela lealdade. Mas ele continuará na lembrança de quem o aplaudiu, na curiosidade de quem nunca o viu, no paraíso para onde vão os homens que foram deuses num campo de futebol.



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