COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CALAMIDADE

Há cerca de duas semanas, Reinaldo Carneiro Bastos foi definido como candidato único à sucessão de Marco Polo Del Nero na FPF. O nome do atual vice-presidente da entidade recebeu apoio dos clubes filiados, até mesmo do São Paulo, com quem a gestão Del Nero não tem as melhores relações. A política, como dizem, é a arte de esquecer o passado.

Num gesto de boa vizinhança com o clube do Morumbi, a Federação Paulista ofereceu a Juvenal Juvêncio o cargo de presidente emérito. O dirigente são-paulino não aceitou o agrado, sabedor da armadilha embutida. E durante as conversas telefônicas que trataram do local do jogo de volta das semifinais da Copa Sul-Americana, no início da noite da última sexta-feira, Juvêncio esteve a ponto de retirar o São Paulo da lista de incentivadores de Carneiro Bastos.

Foi Bastos quem atuou como intermediário entre a FPF, o São Paulo e a Ponte Preta, tão logo o clube de Campinas anunciou a existência de um laudo que permitiria a realização do jogo entre os clubes no estádio Moisés Lucarelli. Bastos disse a Juvêncio que “era do gosto” de Del Nero que a volta das semifinais acontecesse na casa da Ponte, e tentou convencer o presidente são-paulino usando o histórico de seu time no estádio. “Vocês sempre se deram bem lá”, argumentou.

De acordo com quem acompanhou a conversa, a resposta de Juvenal foi “explosiva”. Começou com uma negativa veemente quanto a concordar com a partida em Campinas e, na medida em que os níveis de irritação se elevaram, chegou à ameaça de rever a posição do São Paulo na eleição na FPF. “Você pode esquecer meu apoio”, bradou Juvêncio.

O departamento jurídico do São Paulo levou o caso ao Ministério Público, acionando o Promotor de Justiça do Consumidor, Roberto Senise Lisboa. Informado da posição contrária de Lisboa ao laudo apresentado pela Ponte Preta, Del Nero, em Nova York, mudou de direção e entrou em contato com a Conmebol. O comunicado da Confederação Sul-Americana chegou à CBF em pouco tempo, determinando que o jogo fosse realizado em Mogi-Mirim. Nos escritórios da CSF, houve incômodo com a Federação Paulista por causa das idas e vindas do local da partida. Quando seu nível de organização é criticado pela Conmebol, seu problema é sério.

O São Paulo cogita tomar medidas administrativas contra o vice-presidente do departamento de competições da FPF, Coronel Isidro Suita Martinez, por ter assinado dois laudos diferentes sobre o mesmo estádio, sem que o acréscimo de capacidade tenha sido explicado. O primeiro laudo data do dia 13 de novembro, e o segundo, do dia 22. Entre um documento e outro, cerca de cinco mil pessoas a mais passaram a caber no Moisés Lucarelli.

Independentemente de opiniões sobre a postura do São Paulo, o episódio revela um estado de calamidade na região mais rica do país da Copa do Mundo. É urgente a padronização de estádios para que possam receber jogos de diferentes competições. A questão não pode depender de força política ou gosto pessoal de quem toma decisões.

POR FAVOR…

A histeria em torno do que Júlio Baptista disse a Cris, durante Vasco x Cruzeiro, não vale uma linha além destas.

SONO

A CBF sentou em cima das reivindicações do Bom Senso FC, que por sua vez sentou no gramado antes dos jogos do fim de semana. Esperar sentado é sinal de paciência e aviso de que ela tem limite. O torcedor, que aos olhos da cartolagem teria sido desrespeitado pelas manifestações anteriores, demonstrou seu apoio com aplausos. Só não vê quem não quer. Ou quem está dormindo sentado.

COMPLICADO

A diretoria do Palmeiras está em seu pleno direito de oferecer um salário menor a Gilson Kleina. Mas deve considerar a posição desconfortável em que colocou o técnico, que viu seu trabalho desvalorizado e ficará enfraquecido se aceitar a redução. Kleina estará em seu pleno direito se não concordar. Mas deve considerar onde terá melhores oportunidades profissionais.



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