COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

LIMITADOS

A CBF continua a ignorar o Bom Senso FC, como se o movimento que tem a participação de mais de mil jogadores profissionais – e reivindica mudanças que não prejudicariam a ninguém – fosse um grupo de alunos mimados, insatisfeitos com a cantina da escola.

A postura da alta cartolagem brasileira levará a novas manifestações nos jogos deste fim de semana, que tendem a ser menos invasivas do que as que vimos na trigésima-quarta rodada. Entre os jogadores, especialmente os que atuam em clubes ameaçados de rebaixamento para a Série B, é forte a preocupação com a possibilidade de represálias da CBF, via arbitragem. Por essa razão o último comunicado do BSFC fala em ações que não prejudicarão o andamento dos jogos.

A inércia da confederação não significa que o assunto não seja comentado, até publicamente, por seus representantes. Marco Polo Del Nero, virtual presidente da CBF a partir de abril de 2014, disse ao site da Espn que a questão do excesso de jogos deve ser resolvida entre clubes e atletas. “Os atletas podem discutir com os patrões quantos jogos querem jogar, após um dissídio coletivo entre os dois sindicatos de classes. Mas os clubes podem jogar mais vezes com o revezamento do plantel”, declarou o presidente da FPF.

Paulo André, um dos líderes do BSFC, respondeu classificando a opinião do dirigente como produto de um “conhecimento limitado” do assunto. O zagueiro corintiano foi gentil. É possível que Del Nero saiba que elencos muito numerosos como os dos principais clubes brasileiros (giram em torno dos 30 jogadores) não estimulam a competição por posições e oneram as folhas de pagamento. Talvez ele também saiba que a tese do revezamento de jogadores vem sendo aplicada há tempos, pelos clubes que jogam mais, com resultados insatisfatórios. Mas nada disso importa porque, de fato, Del Nero está interessado apenas em justificar o calendário.

Dirigentes de federações não se preocupam com a qualidade do jogo ou com a ocupação de estádios. Por eles, clubes fariam cem jogos por semestre. Enquanto a vida for bancada pelo dinheiro da televisão, o conto de bruxas manterá o poder inalterado e os sorrisos frisados. Motivo pelo qual a chave para o avanço está no entendimento entre os clubes e a TV de que é necessário criar as condições para que tenhamos campeonatos melhores. Este é um dos pontos centrais das propostas dos jogadores que tiveram a coragem de se manifestar.

Com a colaboração promíscua de porta-vozes travestidos de jornalistas, a cartolagem também tem atacado os salários dos jogadores, permitindo que transpire uma ponta de inveja. Mas o pior é o conceito “menos jogos, menos valor”, que só pode sobreviver em mentes que jamais atentaram para o nível de futebol que se pratica no Brasil. Muito menos para o que se faz em lugares do mundo em que “o produto” é superior.

Os protestos não vão parar. Os jogadores sabem o que eles significam. “Não poderíamos passar a vida sem fazer isso”, disse um deles, em mensagem de texto aos colegas.

AJUSTE

Após intensa deliberação interna, o Santos decidiu diminuir seu elenco para a próxima temporada. Dos atuais trinta e oito jogadores para um máximo de vinte e oito. Como comparação, o Cruzeiro trabalha com trinta e dois. O Corinthians, com trinta e três. Entre os líderes das cinco principais ligas europeias, o plantel do Arsenal é o mais numeroso: vinte e nove jogadores. O Barcelona utiliza vinte e cinco. O Bayern, um a mais.

ADJETIVO

Termos como “épico” e “histórico” tem sido frequentemente usados para qualificar episódios que não os merecem. A vitória da Ponte Preta no Morumbi não é um desses episódios. A campanha da Ponte na Copa Sul-Americana, a bem da verdade, é histórica.

FUSO

A Fifa estuda alterar os horários de jogos da Copa do Mundo no Brasil, por causa do calor. Boa ideia. Não há mais tempo para cobrir e climatizar os estádios…



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