COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CARDEAL

Carlos Miguel Aidar não fala como candidato à presidência do São Paulo. Fala como futuro presidente. A rotina do advogado de 67 anos já foi alterada pela campanha e pela antecipação de uma mudança radical. Mas Aidar não está se preparando para disputar a eleição marcada para abril de 2014. Está se preparando para comandar o São Paulo. “Não entro para perder”, diz.

A história da candidatura de Aidar é um testemunho de sua representatividade e um exemplo do funcionamento das coisas no São Paulo de Juvenal Juvêncio. “Dois meses atrás, eu nem pensava nisso. Mas as coisas mudaram rápido”, conta. Mudaram porque Juvêncio resolveu assim. Na noite em que o São Paulo perdeu para o Criciúma, no Morumbi, uma reunião de conselheiros aconteceu no estádio. Carlos Miguel não costumava frequentar esses encontros, mas recebeu um telefonema de uma das três secretárias do atual presidente dizendo que sua presença era necessária.

Na reunião, Juvêncio falou sobre o processo sucessório e mencionou os possíveis candidatos. Para a surpresa de todos, principalmente do próprio, citou Carlos Miguel. “Imediatamente pedi a palavra e afastei a possibilidade. Não pensava em voltar e minha vida profissional não permitia. Até desejei boa sorte a todos”, conta. Mas ao final das conversas, um grupo de conselheiros se aproximou de Aidar e tentou convencê-lo a se candidatar pela situação, uma vez que o apoio de Juvêncio era evidente.

Poucos dias depois, Carlos Miguel saía para ver seus netos quando Juvenal ligou. Queria conversar. No encontro, em sua casa, o presidente foi direto. “Ele disse que eu tinha de aceitar. Perguntei qual era a condição e ele respondeu: nenhuma”, lembra Aidar. “Ali eu já estava ‘mordido’, e aceitei”. A concordância dos sócios no escritório de advocacia que leva seu nome resolveu o aspecto profissional da questão, e permitiu que Aidar voltasse ao clube, em campanha. Para muita gente no São Paulo de hoje, ele tem de contar quem é e o que conquistou na década de 1980, quando foi presidente.

Carlos Miguel Aidar entende que a forma como o São Paulo foi administrado nos últimos anos impede a prática de gestões modernas. Ele está em contato com a FGV e com o Instituto Aquila para transformar o clube internamente e implantar seu estilo de comandar. Por coerência com o que fez – em 1987, ano da criação do Clube dos Treze e da Copa União – e pensa, promete tentar retirar a ação na Justiça em que o São Paulo briga pela Taça das Bolinhas. Um claro exemplo de como o clube pode ser representado de maneira mais sensata e menos ruidosa.

Aidar tem boa impressão do trabalho do gerente executivo Gustavo Vieira de Oliveira, é favorável a que o São Paulo dê total liberdade para Rogério Ceni decidir seu futuro, e conta com Muricy Ramalho no banco de reservas. “Já disse ao Muricy que, no dia seguinte à eleição, ele receberá um contrato com a mesma duração da minha gestão”, revela. Três anos. Ou seis? Ele sorri, provavelmente pensando nos benefícios de uma reeleição. Carlos Miguel tem a história, o verniz e as ideias.

LIGA

Aidar acredita que, no futuro próximo, o produto mais valioso do futebol brasileiro será um campeonato organizado por uma liga de clubes, com um número menor de participantes do que o Campeonato Brasileiro atual. Ele tem um projeto para chegar a esse produto. Também acredita que Marco Polo Del Nero será o próximo presidente da CBF.

PARABÉNS EM 2014

Quando um clube grande é rebaixado pela primeira vez, e volta, é natural que comemore a conquista da Série B como quem retorna a seu patamar habitual. Quando o processo acontece pela segunda vez, como se deu com o Palmeiras, também é natural que a sensação seja diferente. A alegria está lá, como resultado de um trabalho bem sucedido. Mas é uma alegria que convive com dúvidas. A tarefa de quem toma decisões é eliminá-las. O ano do centenário do Palmeiras tem de ser o ano das certezas.



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