CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

VIRGENS

Dirigentes da Ponte Preta e do São Paulo conversaram, por iniciativa dos primeiros, no início da semana. A ideia era propor um acordo para que o jogo de volta das semifinais da Copa Sul-Americana fosse realizado no estádio Moisés Lucarelli. A capacidade do local não atinge o mínimo de 20 mil torcedores que o regulamento exige, portanto – a não ser que a Conmebol reveja o caso – o encontro só será em Campinas se o São Paulo concordar.

Ocorre que o São Paulo não concorda. Ao saber que a Ponte oferecia apenas “um incremento na segurança” para o visitante, o presidente Juvenal Juvêncio exigiu o cumprimento do que está escrito. “O futebol não é para virgens”, comentou Juvêncio, em conversa com um assessor direto.

No Morumbi, alega-se que disputar uma vaga na final da CSA no Moisés Lucarelli é um risco para a segurança, além de um desrespeito às regras do torneio. A Ponte Preta se mobiliza para aprovar uma capacidade superior à do laudo que está registrado na FPF, mas o movimento de procurar o adversário para discutir a questão já é um sinal de que os argumentos não são suficientes.

O assunto gera leituras inflamadas, mas tem pouco a ver com grandeza ou espírito esportivo. Dizer que não é prudente realizar um jogo em um determinado estádio, baseando-se apenas em opinião, é pouco. Com vontade e capacidade de organização (venda antecipada de quantidade segura de ingressos, reforço policial, isolamento da área, etc…), qualquer jogo cabe em qualquer lugar. Mas aqui há um regulamento que estabelece cenários e que não pode ser ignorado.

O São Paulo também solicitou à Conmebol que as duas partidas tenham arbitragem internacional. Em confrontos de clubes do mesmo país, normalmente basta que um deles faça o pedido. O clube não espera uma resposta negativa, já que a CSF atendeu a demanda do Atlético Mineiro no confronto com o próprio São Paulo na Copa Libertadores.

BOM SENSO…

Mais uma notável manifestação, na rodada de ontem do BR-13, dos jogadores de futebol mais atuantes que já tivemos no Brasil. Recado aos que pensam que os participantes do Bom Senso FC se contentam em ser recebidos, mas não ouvidos. Na discussão que o futebol no Brasil jamais quis promover, está claro que a posição dos atletas não deve ser subestimada.

… FUTEBOL CLUBE

Nos jogos realizados às 21h50, os jogadores foram ameaçados com a possibilidade de levar cartão amarelo caso cruzassem os braços. Uma pena a cena não ter acontecido em nenhum estádio. Nada seria mais ridículo e significativo do que um árbitro mostrar amarelo a um jogador imóvel e em silêncio. O momento produziria uma imagem icônica, ilustração perfeita.



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