COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DESQUITE

A mais produtiva relação com um treinador na história do Corinthians está caminhando para o epílogo. E ao contrário do que se poderia esperar, após três temporadas e conquistas inéditas, o divórcio com Tite pode ser indecoroso. Ainda há tempo para um distrato civilizado, com sorrisos possivelmente. Mas, se acontecer, esconderá decepções e até suspeitas de conspiração.

O recente vazamento de informações que sugerem insatisfações internas quanto ao trabalho e as posturas de Tite pode ter enterrado as chances de um desfecho amigável. Contam no Parque São Jorge e no CT do Corinthians que prejudicar a imagem do técnico certamente serve ao interesse de alguém. No entorno de Tite, as declarações do presidente Mário Gobbi sobre o desejo de renovar seu contrato são vistas com desconfiança.

A última vez que Tite e Gobbi conversaram foi no dia seguinte à derrota para o Grêmio pelo Campeonato Brasileiro, quando reuniões decidiram pela manutenção do técnico no cargo. Quem participou dos encontros naquela quinta-feira em outubro relata que a posição do dirigente mudou de acordo com os rumos das conversas.

Quando esteve com Roberto de Andrade, Edu Gaspar e Duílio Monteiro Alves, Gobbi argumentou que a melhor opção era convencer Tite a pedir demissão. Os três diretores então se reuniram com o técnico, que se recusou a sair. Após saber da posição de Tite, Gobbi o chamou para lhe transmitir confiança. Desde aquele dia os contatos entre eles têm sido rápidos e superficiais, sem tocar no tema da renovação.

A informação que prevalece nos escritórios do clube é a de que o Corinthians tem um acerto verbal com Mano Menezes para 2014. Algo que Tite vê com naturalidade, uma vez que ele mesmo afirma que não tomou uma decisão sobre seus próximos passos. O que Tite não compreende é a contradição entre as declarações públicas de Gobbi e a transpiração de críticas internas a ele. “Não precisava ser assim”, o técnico tem dito a pessoas próximas.

Não parece obra de gente distante do time. Um dos exemplos que chegaram a jornalistas é a história de um apito que Tite usava para comandar treinos. Após perdê-lo, o técnico comentou no CT que lamentava ter de trabalhar com um apito diferente. Uma pessoa com trânsito na comissão técnica disse que sabia onde encontrar o modelo que Tite preferia e se dispôs a comprar um novo. O episódio, aparentemente inofensivo, tem sido utilizado para ilustrar o nível de intransigência do treinador, implicante até com apitos.

O planejamento de Tite era procurar seus superiores para resolver o futuro, tão logo o Corinthians atingisse a pontuação mínima para afastar qualquer risco de descenso. Se uma das partes preferisse encerrar o relacionamento, a conversa serviria para acertar uma separação consensual típica de casais famosos, em que ambos os lados negam rumores de traição, reforçam a amizade que sempre os unirá e pedem respeito às respectivas privacidades.

Dificilmente será possível.

PUENTE NEGRA

Magnífica vitória da Ponte Preta, “La Macaca”, apresentando-se ao continente com os 2 x 0 que silenciaram o estádio José Amalfitani. O Vélez Sarsfield tem Copa Libertadores, tem Copa Intercontinental e agora também tem uma derrota e uma eliminação em casa na Copa Sul-Americana, por obra da Ponte Preta.

PROBLEMA

A questão da capacidade de público no Moisés Lucarelli (16.900 pessoas) para o jogo contra o São Paulo é palpitante. O regulamento pede 20 mil lugares.

DECISÃO

A final da Copa do Brasil promoverá o encontro do Flamengo, um time que descobriu como ser forte em jogos decisivos, com o Atlético Paranaense, um time que representa um risco para qualquer adversário, em qualquer lugar. E o encontro de Jayme de Almeida, um técnico que já deu significado ao 2013 do Flamengo, com Vágner Mancini, que deu ao Atlético um padrão único no Brasil.



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