CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DESIMPEDIDOS

A última reforma da regra do impedimento, feita em julho deste ano, teve o objetivo de esclarecer o conceito de interferência de um jogador em posição irregular. Como sempre ocorre, a alteração da norma gera oportunidades e tem sido utilizada em jogadas de bola parada. Chegará ao futebol brasileiro em breve.

O novo texto diminuiu a dose de subjetividade, mas manteve a decisão baseada na interpretação do árbitro. A regra antiga dizia que “interferir significa impedir que um adversário jogue ou possa jogar a bola, obstruindo seu campo visual”. A norma atual determina que “interferir significa impedir que um adversário jogue ou possa jogar a bola, obstruindo claramente seu campo visual ou disputando a bola”.

Critérios anteriormente utilizados para paralisar lances – como situações em que um jogador em posição de impedimento está “distraindo o goleiro” – deixaram de existir. A questão passou a ser definir os limites de “obstruindo claramente seu campo visual”, área em que árbitros e jogadores precisam entrar em acordo. A regra não estabelece uma distância mínima a partir da qual o “claramente” entra em ação.

Na Liga Espanhola, convencionou-se que esta margem é de cinco metros. Respeitada, entende-se que o goleiro tem condições de visualização e não é atrapalhado por um atacante que se coloque na linha da bola, esteja ele de frente, de costas, imóvel ou gesticulando como um lutador de caratê. Percebe para onde estamos indo?

Um jogo foi decidido pela exploração dos novos conceitos no Campeonato Espanhol, no último fim de semana. O Granada venceu o Levante por 1 x 0 com um gol de falta. No momento da cobrança, um jogador do Granada estava a cerca de um metro da linha da pequena área, na frente do goleiro.

Pelo menos um técnico brasileiro já orientou seus jogadores a fazer o mesmo, mas alguns árbitros têm dito que marcarão impedimento. Não podem marcar.

INCÔMODO

O único objetivo deste jogador que fica à frente do goleiro em cobranças de falta é atrapalhá-lo. Ele obviamente não pode tocar na bola e nem aproveitar um eventual rebote, pois estaria levando vantagem de uma posição irregular. É uma artimanha que a subjetividade que resta na regra permite, dependendo de como se convenciona aplicá-la em cada país.

RISCOS

A Fifa poderia determinar a distância mínima entre o atacante e o goleiro nesse tipo de situação, para evitar que leituras diferentes sejam feitas ao redor do mundo. Árbitros poderão ter dificuldades ainda maiores se e quando os goleiros passarem a se adiantar para diminuir o espaço e configurar o impedimento. Se é que eles correrão o risco de se afastar do gol.



  • A FIFA poderia rever a regra do impedimento valendo-se da padronização das dimensões das faixas de “cores diferentes” já existentes em vários estádios pelo mundo: jogador que estivesse adiantado em uma faixa, sem marcadores adversários, estaria impedido. Valeria a pena rever se haveria necessidade ou não de número mínimo de 2 jogadores até a linha de fundo ou se apenas 1 bastaria.

  • Emerson Cruz

    A regra não é clara!

    • Tem toda razão, essa regra precisa de mais objetividade. Além do mais, se um jogador efetivamente “distrai o goleiro”, já interferiu na jogada. Não vejo melhora com essa mudança.

  • Luciano Cardoso

    Prezado André, não seria mais simples eliminar o impedimento??? Pois entendo ser uma regra burra, por provocar muitos erros, margem para muita discussão inútil, além de servir de desculpa para derrotas… Sem o impedimento se premiaria o ataque, evitando muito 0X0 que vemos por aí… Qual sua opinião a respeito???

    AK: Acabar com o impedimento criaria a figura do “banheira” em jogos profissionais. É ridículo. Um abraço.

    • Zé Bigorna

      Faz tempo teve um paulista de aspirantes em que o impedimento só poderia ser marcado além da linha da grande área. Teve um ano em que experimentaram limite de faltas também. Eram jogos muito interessantes…

      • Emerson Cruz

        Sem o impedimento não haveria futebol. Para que ocupar e trocar passes o meio-campo se seria mais útil dar chutões para a área rival onde estariam os atacantes e os defensores para marcá-los? Possivelmente o futebol se tornaria um outro esporte.

    • Ailton

      Caro André

      Eu não digo acabar com o impedimento, mas não seria válido acabar com a ponta chuteira mais frente ou cabeça ou ombro?
      Os olhos dos auxiliares não são de lince nem fotográfico. Acredito que os impedimentos nessa situação seja mais por perigo de gol, do que o auxiliar viu que o pé do atacante do outro lado do campo estava na frente da linha dos defensores.
      O grande exemplo disso são os tira-teima com 50cm, 30cm e no replay não é possível ver quanto mais no jogo corrido.

      • RENATO77

        Acho bastante razoável limitar a marcação de impedimento à um espaço restrito do campo, por exemplo, a linha da grande área. Isso “aumentaria o campo de jogo”, acho que seria uma boa…sem perder totalmente essa característica da regra.
        Mais espaço pra jogar, provavelmente mais espaço pra jogadores “clássicos” que perderam a importância/competitividade no futebol de hoje.
        Abraço.

    • Carlos Futino Barreto

      Ao contrário do que muita gente acredita, sem o impedimento o risco maior é o futebol ficar mais defensivo.
      Explico: Se meu adversário pode deixar um ou dois jogadores “na banheira” eu não posso adiantar meus zagueiros, para não deixar os caras saírem na cara do goleiro. Seria uma boa, também, segurar ou os laterais ou, pelo menos, um volante, para não deixar os zagueiros no “mano-a-mano” com os atacantes avançados. Dessa forma eu mantenho, no mínimo, 3 jogadores proibidos de ultrapassar a linha da bola.

  • Caio

    Nada é tão ruim…

  • André,
    Mesmo com a Fifa tentando estabelecer mais precisamente as situações de impedimento, acho que vai dar muita polêmica o novo critério, e se os árbitros brasileiros resolverem manter a posição e marcar impedimento na situação acima descrita, deverão sofrer advertências ou punições.

  • Wender Peixoto

    Caro André.

    Deveria se trabalhar para haver o mínimo possível de falhas em algo que envolve paixão e $$$ milhões. Vejo futebol como um item valioso guardado no banco. Ou seja, vale milhões, envolve paixões e não pode haver falhas na segurança do item protegido.

    Como é possível para uma pessoa prestar atenção em dois alvos móveis simultaneamente, a bola e os jogadores? Sendo que a distancia entre os dois alvos são de trinta a quarenta metros. Ah, mas eles são profissionais treinados para isso. Isso é desumano!
    A graça do futebol não é o erro, mas os acertos. São os belos gols que dão graça e promovem o espetáculo. O lance bonito, o jogo duramente disputado. Não os erros.

    Mas se fizer na primeira divisão tem que se fazer até na série D por justiça? Claro que não. Explico novamente.
    Futebol é como um bem muito valioso que você precisa zelar pela segurança. Quanto mais importante for o jogo e o campeonato, mais elementos deve haver para impedir o prejuízo, dano, extravio. Como se guarda itens valiosos? Os recursos de segurança são proporcionais ao valor. Há que se levar em conta também o incalculável, a paixão e a importância pessoal. Se for um item de valor razoável, guarda-se em um cofre pessoal dentro de casa. E de grande valor guarda-se em um banco. Se for de pequeno valor só precisa estar seguro em um local que você tenha fácil acesso. Tudo é proporcional à importância. Futebol é exatamente isso.

    Um jogo de série D tem a mesma importância que um jogo decisivo de série A? Claro que não. Há o mesmo impacto financeiro? Não. Então quanto mais importante for o jogo mais recursos de segurança deve haver, proporcionalmente, para garantir que grandes somas de dinheiro investidas não sejam ignoradas. Deve-se cuidar do futebol como um tesouro valioso a ser zelado, justamente pelo grande fator paixão envolvido. Futebol não é socialista, mas capitalista. É necessário dizer isso antes que alguém apregoe a igualdade de condições em um jogo São Paulo x Atlético MG e um jogo Piauiense x Amazonense.

    Abraços

  • Wender Peixoto

    Deveria se trabalhar para haver o mínimo possível de falhas em algo que envolve paixão e $$$ milhões. Eu vejo futebol como um item valioso guardado no banco. Ou seja, vale milhões, envolve paixões e não pode haver falhas na segurança do item protegido.

    Pessoas me dizem. Ah, mas isso faz o futebol ter graça. Você realmente acha graça nisso? É justo? Não critico os árbitros e auxiliares. Hoje o futebol é rápido demais até para os olhos humanos, quanto mais fisicamente. Não é fácil marcar um impedimento, por exemplo.
    Como é possível para uma pessoa prestar atenção em dois alvos móveis simultaneamente, a bola e os jogadores?

    A graça do futebol não é o erro, mas os acertos. São os belos gols que dão graça e promovem o espetáculo. O lance bonito, o jogo duramente disputado. Não os erros.
    Mas se fizer na primeira divisão tem que se fazer até na série D por justiça? Claro que não. Explico novamente.
    Futebol é como um bem muito valioso que você precisa zelar pela segurança. Quanto mais importante for o jogo e o campeonato, mais elementos deve haver para impedir o prejuízo, dano, extravio ou qualquer ato lesivo. Como se guarda itens valiosos? Os recursos de segurança são proporcionais ao valor. Há que se levar em conta também o incalculável, a paixão e a importância pessoal. Se for um item de valor razoável, guarda-se em um cofre pessoal dentro de casa. E de grande valor guarda-se em um banco. Se for de pequeno valor só precisa estar seguro em um local que você tenha fácil acesso. Tudo é proporcional à importância. Futebol é exatamente isso.

    Um jogo de série D tem a mesma importância que um jogo decisivo de série A? Claro que não. Há o mesmo impacto financeiro? Não. Então quanto mais importante for o jogo mais recursos de segurança (eletrônicos) deve haver, proporcionalmente, para garantir que grandes somas de investimentos não sejam ignorados. Deve-se cuidar do futebol como um tesouro valioso a ser zelado, justamente pelo grande fator paixão envolvido. Futebol não é socialista, mas capitalista. É necessário dizer isso antes que alguém apregoe a igualdade de condições em um jogo São Paulo x Atlético MG e um jogo Piauiense x Amazonense.

    Lances capitais para o resultado do jogo devem, obrigatoriamente, permitir o desafio da equipe supostamente prejudicada. Ou melhor, serem revisados automaticamente. Marcação de impedimento errado é um caso recorrente e faria parte. A mesma coisa para pênaltis. O técnico vitimado lançaria um pano vermelho no campo. O arbitro seria obrigado a parar o jogo para conferir eletronicamente, por um monitor, se a decisão foi acertada ou não, reunindo-se com os auxiliares. Se o técnico estiver certo, pênalti. Se o técnico estiver errado, haveria um escanteio contra o time dele para não banalizar o desafio, por exemplo. Tem que punir a equipe do técnico equivocado por ter parado o jogo sem ter razão.

    Todo gol marcado deveria ser revisado automaticamente pelo corpo de arbitragem da partida. Ah, mas isso atrasaria muito o jogo parando-o. Diga-me então o que acontece em campo naquelas “reuniões” em lances polêmicos. Perde-se muito tempo de jogo, igualmente.

    Abraço

  • george

    Pessoalmente eu acho estarrecedora a própria existência da regra do impedimento, posto que ela não pode ser aferida com precisão nem pelo bandeirinha mais bem colocado (não há humano que consiga olhar com acuidade para 2 lugares ao mesmo tempo). Das duas uma, ou a regra é aferida eletronicamente (Hawk eye) ou a regra não vale. Pessoalmente eu adoro a segunda hipótese: acabar com essa bobagem e bagunçar tudo o que foi aprendido sobre tática, o espaço no campo “aumentar” e os zagueiros não terem mais essa vantagem sobre os atacantes banheiristas. Não reclamamos que os jogadores talentosos não tem mais espaço, que está muito físico, muito pegado, coisa e tal? Que tal mexer nessa regra insuportável e a gente ver gols e mais gols, que é disso que o povo gosta?

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