COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

BOLA BANDIDA

Aloísio é figura central na recuperação do São Paulo, da preocupação com a Série B à empolgação com a Copa Libertadores. Atacante de vigor e pé colado no acelerador, marcou sete gols nos últimos cinco jogos, todos vitórias de seu time nas duas competições que disputa.

O futebol de Aloísio contribuiu para a mudança de leitura da temporada são-paulina, que por sua vez contribuiu para a mudança de leitura da atitude do jogador apelidado de Boi Bandido. Um caso de causa e efeito.

Voltemos no tempo até o período em que as perpectivas do São Paulo no ano eram sombrias. Em julho, Aloísio marcou um gol no jogo de ida da decisão da Recopa Sul-Americana, contra o Corinthians. Após o chute de fora da área contar com um equívoco de Cássio para encontrar a rede, o atacante disparou em direção ao banco de reservas. A expressão em seu rosto revelava intento, ainda que não identificado. Ele não desacelerou quando se aproximou dos companheiros, ao contrário. Nos últimos metros, se atirou no chão como se faz em uma piscina quando a ideia é levantar a maior quantidade de água possível. Provavelmente não era um plano preparado, por causa do óbvio risco de se machucar no choque com a grama. Pouca gente entendeu.

No mês seguinte, Aloísio impediu um gol do São Paulo – que significaria o empate com a Portuguesa – ao tocar a bola com a mão após uma cobrança de falta. Ele estava quase sobre a linha no instante do toque, mas não percebeu que a bola entraria mesmo sem sua intervenção. As mesmas explicações (“vontade”, “impulso”) utilizadas como defesa para as acusações de inconsequência hoje funcionam como elogios, merecidos, a seu comportamento intenso. Assim é o futebol.

As comemorações passaram por conversão semelhante. Atualmente são objetos de comentários bem humorados e até ações de marketing, apesar do perigo embutido de que alguém se machuque. Além das já famosas voadoras que aterrorizam companheiros, o Boi Bandido também costuma dar tapas nas bochechas de colegas que fazem gols. Mesmo que eles tenham aparelhos nos dentes e sofram com cortes na boca, como se deu recentemente com o zagueiro Antônio Carlos. Impulsos.

No sábado, contra a Portuguesa, Aloísio elevou sua maneira de celebrar a outro patamar. Pisou com os dois pés nas costas de Douglas, que comemorava no chão o gol de Rodrigo Caio. Há uma foto que mostra Rodrigo com o rosto transfigurado. Era alegria, mas a imagem congelada pode sugerir dor. Em vídeo, percebe-se Douglas surpreso com a “agressão”, reclamando com seu algoz em meio à felicidade geral.

Aloísio pediu desculpas por ter exagerado na dose e deixado marcas nas costas de Douglas. Gesto apreciado, mesmo porque o bom ambiente gerado pelas vitórias faz com que tudo seja compreendido pelo melhor olhar. Acima de tudo, o Boi Bandido é gente das melhores, sujeito querido. Está perdoado.

De estabanado a engraçado, as características de Aloísio não se alteraram. O que mudou foi sua produção, prova de que a bola tira e dá. Ela é bandida como o Boi que revitalizou a temporada tricolor.

O MELHOR

O Cruzeiro venceu mais uma, a rodada ajudou de novo e o título é tão somente uma questão de quando e onde. Lógico que a torcida azul prefere que seja já no próximo domingo, contra o Grêmio, no Mineirão. Independentemente de como acontecer, será a confirmação do melhor time do campeonato e o que jogou o futebol mais vistoso. A diferença entre o saldo de gols do Cruzeiro e todas as outras equipes é um escândalo. Domínio total.

PLANILHA

Vencedor na estreia de Adilson Batista, o Vasco tem motivos para manter a esperança de evitar o rebaixamento. Os três últimos adversários serão o Cruzeiro (provavelmente já campeão), o Náutico (rebaixado) e o Atlético Paranaense (com boa chance de uma vaga assegurada na Copa Libertadores). Três jogos em que o interesse dos adversários pode ser relativo. Desses nove pontos, seis serão disputados em casa.



MaisRecentes

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo

Segunda vez



Continue Lendo