CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CADEIA NELE?

A CBF, de farto histórico deplorável, atinge o fundo do poço moral ao tentar transformar Diego Costa em um apátrida. A notícia nos chegou por intermédio de Jorge Luiz Rodrigues, do jornal O Globo, que apurou a intenção da confederação de ir ao Ministério da Justiça para cassar a cidadania brasileira do atacante que escolheu a seleção espanhola.

O diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, disse a Rodrigues que o presidente José Maria Marin o autorizou a tomar as medidas que levarão o caso ao território do vexame, do escárnio, e, ainda pior, do autoritarismo. A entidade que comanda a seleção mais vezes campeã do mundo quer se vingar de um jogador que não se enamorou por ela, e agora tenta vilipendiá-lo. Quer apreender seu passaporte, torná-lo um inimigo da nação. Qual seria o próximo passo? Cadeia?

E já que estamos em meio a uma sanha de justiça, o que a CBF pretende fazer com seus dois ex-presidentes envolvidos em casos comprovados de corrupção na Fifa? Quem é mais nocivo à história da “amarelinha”, os cartolas que aparecem em documentos de um tribunal suíço ou o atacante que prefere defender outra seleção?

É preciso ter vocação para vestir a fantasia de marido traído, traço que a CBF revela da maneira mais constrangedora possível. Não consegue lidar com a rejeição em um episódio que poderia ter sido evitado, pois confunde Seleção com pátria, jogadores com soldados, camisa com certidão de nascimento. A grande ironia embutida na desfaçatez é, por cima de tudo, acusar alguém de ter tomado uma decisão “por dinheiro”. Logo a caridosa CBF, essa instituição beneficente.

O ex-jogador argentino Diego Latorre, hoje analista de rara sensibilidade para tratar das facetas do jogo, escreveu em sua conta no twitter: “Hoje o esportista tem de ‘jogar por seu país’. Isso é ser patriota. O mesmo país que te rejeita se você ‘perde jogando por seu país’”. A CBF pensa que é um país.

RIDÍCULO

Isto não é sobre leis. Impressionante como se perde o ponto central da conversa. Diego Costa tomou uma decisão profissional, porque a Fifa – responsável pela celeuma – lhe dá esse direito. Se pensou no lado financeiro, também é sua prerrogativa. Não há mocinhos ingênuos na história, mas há quem queira demonizar o outro lado posando de defensor da bandeira.

LINHA CRUZADA

Outro argumento lúdicro é a linha “não joga nada, que vá com Deus”, utilizada até por quem se considera jornalista por ter um espaço alugado na internet. Não estamos discutindo a qualidade de Diego Costa, e sim um caso de um jogador disputado por duas seleções. Seu potencial não deveria determinar opiniões sobre a questão. Se fosse um craque, seria diferente?



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