COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

NOVATO

Está difícil a vida de quem considera Neymar “um produto da mídia”. Como se não bastassem as atuações decisivas na Copa das Confederações, que colocaram para descansar as teses “não-joga-na-seleção-o-que-joga-no-clube” e “desaparece-em-jogo-importante”, eis que o rapaz tem feito até mais do que se esperava dele nos primeiros meses no Barcelona.

Vejamos. O primeiro gol de Neymar pelo clube catalão valeu um título, o da Supercopa da Espanha. No primeiro momento de maior responsabilidade, a visita ao Celtic pela Liga dos Campeões, o brasileiro desequilibrou o jogo. E no primeiro clássico com o Real Madrid, anteontem, Neymar fez um gol e deu o passe para outro. Não parece ruim.

Sempre haverá o exército do contra, composto por todo tipo de especialistas de sofá e combatentes das mídias antissociais. Na maioria, são os que padecem de antipatia tão mortal pelo jovem craque que não são capazes de enxergar o evidente. Juntaram-se a eles, ultimamente, os fanboys de times do exterior que não gostam do Barcelona. Estes jamais reconhecerão a capacidade e os méritos de Neymar, assim como não conseguirão entender como é interessante vê-lo entre os melhores. Uma pena.

Os exageros “da mídia” não podem ser responsabilizados. Em última análise, trabalham contra Neymar, não a favor. Mas a não ser que você seja tão suscetível ao que ouve e lê a ponto de se convencer do que não pensa, o que se diz sobre um jogador não deveria influenciá-lo. Nem para um lado e nem para o outro. Uma manchete como “Messi ofusca Neymar”, publicada por um portal no dia em que o Barcelona goleou o Santos na final do Mundial de Clubes, deveria provocar, apenas, risos.

Vale dizer que as análises sobre o desempenho de Neymar no Barcelona têm sido contaminadas pela necessidade de compará-lo com Lionel Messi, um caminho que faz tanto sentido quanto imaginar que um compete com o outro. A avaliação de uma atuação de Neymar com base em seu nível de independência, ou seja, a quantidade de espaço que ele ocupou num time em que o argentino é a principal referência, perde de vista por que Neymar foi contratado e qual é seu papel.

No clássico de sábado, um dos mais tímidos dos últimos tempos em termos futebolísticos, Messi não foi um fator. Pareceu distante da melhor forma ou deslocado pelo sistema de seu time. Nem por isso a partida de Neymar deve ser supervalorizada. Em uma vitória por 2 x 1, um gol e uma assistência têm importância absolutamente óbvia. A produção de Neymar não precisa ser relacionada à de outro jogador, como se ele fosse um substituto. O parâmetro é seu próprio rendimento.

O sucesso precoce de Neymar no Barcelona merece ainda mais elogios se levarmos em conta as necessidades de adaptação ao time. Menos drible, mais passe. Menos protagonismo, mais colaboração. Seria normal se ele sofresse com o transplante de realidade e exigência. Mas enquanto Neymar brilha, quem sofre são os que duvidam dele.



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