COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SINUCA

Diego Costa diz a quem lhe pergunta que prefere jogar pela seleção espanhola. Uma dessas pessoas é o técnico Vicente Del Bosque, com quem o atacante brasileiro dividiu uma refeição no início do mês, em Madri. A conversa foi basicamente um intercâmbio de intenções, em que ambas as partes expressaram o mesmo desejo.

Não é difícil compreender a vontade do sergipano de Lagarto, que vive fora do Brasil desde 2006. Costa está ambientado ao futebol da Espanha desde a temporada 2007/08, quando jogava no Celta. De lá para cá, esteve no Albacete, no Valladolid, no Rayo Vallecano e no Atlético de Madrid. Do idioma aos jogadores que conhece como companheiros ou adversários, sua realidade profissional é inteiramente espanhola.

No encontro com Del Bosque, na sede da Federação Espanhola de Futebol, Diego recebeu do técnico a confirmação de que irá à Copa do Mundo se mantiver o nível de atuações que fizeram dele o artilheiro de um campeonato que tem Messi e Ronaldo. Os elogios públicos de jogadores da seleção, como Sergio Ramos, tranquilizaram o brasileiro em relação à sua recepção. Diego Costa acredita que tem melhores chances de jogar e de ir ao Mundial com a camisa da Espanha.

Uma posição oficial só não foi divulgada até agora por uma questão evidente. Diego não gostaria de ser percebido pela opinião pública no Brasil, sede da Copa, como um traidor que renegou a Seleção Brasileira. Por isso ele não atendeu ao pedido da Federação Espanhola para comunicar à CBF, por escrito, que não desejava ser convocado. O melhor cenário seria dizer sim à Espanha sem precisar dizer não ao Brasil.

Opção que deixou de existir desde o final da tarde de ontem, quando o nome de Diego Costa apareceu ao lado de outros quatro jogadores relacionados antecipadamente para os amistosos do Brasil em novembro. A possibilidade de uma dupla convocação é grande, já que a Espanha também fará dois amistosos no mês que vem, nas mesmas datas. O movimento de Luiz Felipe Scolari obriga Costa a se manifestar.

A Fifa permite que um jogador troque de país mesmo depois de atuar por uma seleção, desde que não tenha disputado partidas oficiais. Para tanto, o atleta precisa enviar um documento à entidade suíça solicitando a mudança. Ocorre que isso só pode ser feito uma vez, mesmo que seja para jogar um amistoso. Se Diego pretende se apresentar a Del Bosque, deverá pedir à Fifa que o considere, definitivamente, um futebolista espanhol. É o que se espera que ele faça.

Em teoria, aceitar a convocação do Brasil não impediria uma futura mudança. Seria uma prorrogação da situação presente. Mas não faria nenhum sentido e provavelmente lhe fecharia as portas da seleção espanhola. Scolari caiu em uma pegadinha nesta semana, quando levou um trote de uma rádio de Madri e disse que levaria Costa ao Mundial. Mas agiu com habilidade ontem, ao oficializar o interesse no atacante sem lhe fazer deferências.

Diego terá de dizer com quem quer ir à festa.

TRUNFO

O que pode interferir no processo: Diego Costa e Felipão têm o mesmo agente, Jorge Mendes. O empresário português representa uma linha de comunicação aberta.

GALA

A bola tem se oferecido a Hernane, o artilheiro singular no nome e na quantidade de toques, como costuma fazer com os grandes. Ele não é o primeiro atacante com pouca técnica a cair nas graças do torcedor rubro-negro, justamente por compensar carências com virtudes como bom posicionamento e decisões corretas. E gols, claro. O goleador do novo Maracanã foi o nome do jogo contra o Botafogo, transformado pela torcida do Flamengo em uma das grandes noites de futebol no Brasil neste ano.

ESPELHO

Ninguém pode afirmar que o erro de Alexandre Pato foi mais do que uma falha técnica. Mas a percepção de displicência é um reflexo, não uma invenção. Uma cobrança diferente, mesmo sem sucesso, geraria outra imagem.



MaisRecentes

Pertencimento



Continue Lendo

Vitória com bônus



Continue Lendo

Anormal



Continue Lendo