COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

REPRISE

A narrativa “Neymar piscinero” está definitivamente instalada no debate futebolístico espanhol. Para os não versados no termo em língua estrangeira, é uma crítica ao jogador que mergulha para simular faltas, o que no Brasil se costuma chamar de cai-cai.

Na fase europeia da carreira de Neymar, a onda começou em um jogo da Liga dos Campeões da Uefa, em Glasgow, no início do mês. O brasileiro teve participação decisiva na vitória do Barcelona sobre o Celtic, não apenas ajudando a construir o gol de Fàbregas, mas provocando a expulsão de um adversário que o derrubou e, diante do árbitro, lhe deu um chute quando ele estava no chão.

Ao invés de lamentar a irresponsabilidade do jogador do Celtic, parte da torcida escocesa presente preferiu acusar a teatralidade de Neymar. Jogadores que têm o hábito de ludibriar a arbitragem em marcações de faltas inexistentes são considerados trapaceiros na Europa, especialmente no futebol britânico, em que o desarme bruto é ensinado a projetos de futebolistas como uma habilidade necessária. Em determinados casos, exagera-se a ponto de culpar atacantes habilidosos pelas agressões que sofrem.

Nada de novo para Neymar e para quem acompanhou os primeiros passos de sua trajetória no Santos. As acusações, as defesas e as repercussões dentro do campo são exatamente as mesmas. Culpado na opinião dos adversários, inocente para os companheiros, culpado e inocente para os árbitros, dependendo do humor e do local do jogo. Os apitadores tendem a protegê-lo em casa e abandoná-lo fora, aplicando um estranho senso de justiça.

Após o 0 x 0 de sábado contra o Osasuna, em Pamplona, o técnico Gerardo Martino contestou o tratamento dado pelo árbitro a Neymar. Treze faltas do Osasuna foram marcadas no jogo, três sobre o brasileiro. Martino entende que ambos os números são menores do que a realidade. Pedro Rodríguez concordou com o chefe, ao dizer que “parece que os árbitros não querem marcar faltas em Neymar”. Uma preguiçosa pesquisa seria suficiente para encontrar declarações semelhantes de técnicos e jogadores santistas durante o período de Neymar na Vila.

Naquela época, Neymar não era um mergulhador e nem um perseguido. Driblador, sofria muitos trancos. Leve, tinha dificuldade para se manter em pé. Evidentemente tentou convencer a arbitragem a lhe ser simpática em muitas ocasiões, como fizeram e fazem jogadores com suas características. Hoje, na medida em que amadurece em todos os aspectos, mostra evolução no sentido de dar sequência às jogadas mesmo quando é atingido. Um certo jogador argentino, companheiro de clube, tem algo a ensinar neste campo.

A narrativa do “piscinero” terá seu tempo de sobrevida na Espanha, pois lá, como cá, tudo o que é relativo ao futebol é polarizado. E porque a arbitragem na “Liga das Estrelas” consegue ser mais confusa e volúvel do que no Brasil. É possível que o tema alcance a Copa do Mundo, quando termos em outros idiomas serão utilizados para criticar um jogador que deveria ser analisado com um olhar diferente.

PRECIOSIDADES

Fim de semana de gols espetaculares. O primeiro do Arsenal contra o Norwich City (Wilshere) e o terceiro do PSG contra o Bastia (Cavani) mostraram que o futebol encanta tanto pelo sentido coletivo quanto pelo talento individual. As mesmas sensações foram provocadas pelo segundo gol do Grêmio contra o Internacional (Vargas) e o de Lucas Cândido, na vitória do Atlético Mineiro sobre o Flamengo. Uma jogada formidável e um chute de cinema.

FORÇA

Importante demonstração de união dos participantes do movimento Bom Senso FC, abraçados (até no Gre-Nal) no meio de campo antes dos jogos da rodada do BR-13. A evolução estrutural do futebol brasileiro terá obrigatoriamente de começar com os atletas, que só conseguirão fazer diferença se permanecerem juntos. Para tanto, é necessário ter coragem, como se viu neste fim de semana.



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