COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SUPORTE

Quando Paulo André, Alessandro e Fábio Santos entraram na sala do CT do Corinthians para falar com os chefes de Tite, a opinião dos jogadores a respeito da situação do treinador já era conhecida. E a decisão de não demiti-lo já estava tomada. Isso não quer dizer que a conversa não desempenhou um papel no desfecho da tarde de quinta-feira e nem diminui sua importância, mas ajuda a entender como as coisas aconteceram. É menos complicado e dramático do que parece.

Imagine a possibilidade de Tite ter sido devolvido ao mercado anteontem. Dificilmente um substituto chegaria antes de segunda-feira, o que implicaria em um interino no comando do time no jogo de hoje, crítico, contra o Criciúma. Um novo trabalho começaria pouco antes da decisão na Copa do Brasil, na quarta, com absolutamente nenhum impacto no comportamento da equipe que não fosse motivacional. Se houvesse problemas de relacionamento entre Tite e os jogadores, a mudança – como já vimos tantas vezes – poderia até provocar efeitos logo no primeiro jogo. Mas, ao contrário, a relação é ótima. De modo que dispensar Tite seria, antes de mais nada, uma decisão pouco inteligente.

Ponderação que foi feita pelos dirigentes após o técnico multicampeão pelo Corinthians dizer, com firmeza, que não pediria demissão. E confirmada na reunião com os três jogadores, na qual o apoio do vestiário ficou evidente. Uma retribuição pela maneira honesta com que Tite se comporta e trabalha, algo que certamente é difícil de encontrar em ambientes assim, mas que não pode ser colocado – ou interpretado como – acima dos interesses e das necessidades do time. Os jogadores não convenceram a diretoria a manter Tite, mas contribuíram para a decisão que representou a derrota, no embate político interno, dos que desejavam a saída do treinador.

Foi uma situação um pouco diferente da que se passou após a rodada 24, quando o Corinthians foi goleado pela Portuguesa e os jogadores não permitiram que Tite aparecesse na entrevista coletiva. Mais tarde, no hotel em que o time se hospedou em Campo Grande, comandados visitaram o quarto do técnico dispostos a afastar a ideia de deixar o clube. Em ambos os episódios, o que há em comum é o suporte de quem trabalha com ele, apesar dos desgastes da convivência e do tempo. É o maior elogio que Tite, a pessoa, pode ouvir. Já Tite, o técnico, tem muito trabalho a fazer.

Mário Gobbi declarou publicamente que o contrato entre o Corinthians e seu treinador será cumprido. Este é o cenário mais otimista possível, que precisa encontrar aval em campo. Se não houver um resultado satisfatório logo mais em Itu, e principalmente no meio da semana que vem, em Porto Alegre, o tom do discurso mudará. Chegou-se a tal ponto que o planejamento do atual campeão mundial de clubes, menos de um ano depois da conquista, não enxerga além de dois jogos e cinco dias.

Isto não se resolverá com conversas.

ALVO ERRADO

As vaias a Nenê foram o momento triste de um evento histórico no Brasil. O primeiro jogo da NBA no país não merecia tal exercício de incompreensão e miopia. Nenê não merecia ser tratado como traidor numa quadra carioca, justamente onde sua carreira no basquete começou. Pouca gente imaginava que o ex-pivô do Vasco da Gama teria sucesso entre os melhores, muita gente previu que ele não duraria uma semana. Supor que Nenê deve algo ao basquete brasileiro é um pensamento quase tão equivocado quanto a noção de que jogar na seleção é servir a pátria. Como se a (ausência de) estrutura da modalidade no Brasil, e as pessoas que a comandam, justificassem concessões profissionais ou sacrifícios pessoais. A CBB, praticamente insolvente, não investe, não organiza, não fomenta e deve até condomínio (é sério). Mas é mais fácil vaiar Nenê.



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