CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PASIÓN

“Bola com os Estados Unidos a três quartos do campo… Atenção para o cruzameeeeento… GOL! GOOOL!! GOOOOL!!! Gol dos Estados Unidos! Nós te amamos! Nós te amamos para todo o sempre! Ah, Deus abençoe a América! Os Estados Unidos nos mandam à repescagem! Estados Unidos! Não vocês! Vocês, que estão de verde, não! Eles sim! Vocês não! Que isso fique claro por toda a vida! Vocês não fazem nada pela camisa! Vocês não se esforçam pela equipe! Vocês não nos mandam à Copa! Vocês não nos mantém vivos! São os Estados Unidos! Não vocês! Não vocês e sua soberba! Não vocês e sua infâmia!”

A explosão de um narrador mexicano após o gol que resgatou as chances de seu país disputar a Copa de 2014 já entrou para a lista de momentos épicos proporcionados pelo futebol. O discurso emocionado reúne êxtase e raiva, alegria e decepção, elogio e crítica. Contradições que fizeram ligação direta do coração à boca e ganharam vida por causa de um gol. Um gol que aconteceu em um jogo que o narrador em questão não estava transmitindo.

A tela se dividiu em duas, exibindo as imagens de partidas interligadas. Costa Rica e México, em San José; Panamá e Estados Unidos, na Cidade do Panamá. Nos minutos derradeiros, ambos os jogos tinham o mesmo placar: 2 x 1 para os mandantes. Em disputa, a vaga para a repescagem mundial para Copa, entre mexicanos e panamenhos. Combinada com a derrota do México, a vitória quase consumada do Panamá estabelecia um encontro do país do canal com a Nova Zelândia. A televisão mexicana mostrava a vexatória eliminação dos sombreiros, quando os americanos empataram aos 47 minutos e o narrador enlouqueceu.

O empate já bastava para recuperar os batimentos da seleção mexicana, mas os Estados Unidos ainda fizeram 3 x 2, aos 48. No mesmo tom sanguíneo, o narrador pediu que o técnico Víctor Vucetich “vista as calças e renuncíe”. No estilo “coração na ponta do microfone”, é um clássico instantâneo.

CABEÇA

O ranking da Fifa, lista normalmente desprezada por causa de critérios discutíveis, determina os cabeças de chave da Copa do Mundo e pode gerar um grupo com três campeões. A Suíça elevou sua pontuação à base de bons resultados em amistosos realizados em grande quantidade, caminho que pode ser seguido por quem estiver prestando atenção. A Fifa permite.

CAMISA

A Fifa também permite que jogadores atuem por um país em amistosos e mudem de bandeira para jogar partidas oficiais, como pode acontecer com Diego Costa. Nacionalidade, hoje, é algo que depende de condições e interesses variáveis. No futebol, deveria depender de apenas uma coisa: a decisão de vestir uma camisa, independentemente da idade e do jogo.



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