COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

SEM NOVIDADES

1 – A temporada promete terminar de maneira tão modesta para Corinthians e São Paulo, que custa lembrar que ambos decidiram um título em 2013. Foi a Recopa Sul-Americana, em julho, quando não se imaginava que o Campeonato Brasileiro seria sofrido e ameaçador. E que um clássico em outubro não colocaria em jogo uma posição de comando na tabela, mas uma reta final com risco de rebaixamento.

2 – Levando em conta a escalação e a proposta, apenas o São Paulo acerta na execução. O time de Muricy Ramalho é bem sucedido em seu plano de levar o jogo a ser disputado majoritariamente no campo do adversário. O elogio à elaboração são-paulina é acompanhado por uma rara crítica ao desempenho defensivo do Corinthians, que, em vários momentos do clássico, permitiu que a bola permanecesse ao redor de sua área.

3 – Claramente orientado a desarmar e sair, o Corinthians não faz nenhum nem outro. Em parte porque o São Paulo consegue iludir as linhas de pressão, em parte porque Émerson e Romarinho não são capazes de tomar decisões produtivas. O declínio dos atacantes é uma das explicações da transformação do Corinthians em um time estéril, cujos gols dependem de situações casuais ou de golpes de sorte.

4 – Por consequência, o empate sem gols do primeiro tempo é muito mais uma responsabilidade do São Paulo, que criou oportunidades em número suficiente para comandar o placar. Quando não falhou ao finalizar na direção errada, facilitou o trabalho de Cássio. Ao São Paulo não faltaram ideias ou argumentos, faltou capacidade de conclusão.

5 – Uma das teses de quem cede a posse ao adversário é a de “quem tem a bola tem medo de perdê-la”. Defender-se com solidez e esperar o erro do oponente é algo que exige menos técnica e impõe menos riscos. A partir da metade do segundo tempo, o Corinthians não se constrange em atrair o São Paulo para a armadilha da bola perdida na intermediária. O sucesso depende da eficiência do contragolpe, que por sua vez depende de atacantes competentes. Lançado em condições de marcar, Émerson erra diante de Rogério Ceni, na melhor ocasião que o Corinthians poderia construir.

6 – No estágio em que um jogo de futebol dificilmente se recupera de um pênalti mal marcado, Wilson Luiz Seneme se coloca em posição de interferir no resultado. O árbitro vê falta em um encontro normal de Diego Macedo e Reinaldo na área do Corinthians. Rogério Ceni, no último clássico de uma carreira repleta de gols de pênalti, desperdiça a quarta cobrança seguida.

7 – O oitavo zero a zero do Corinthians no campeonato termina com um motivo para celebrar, por causa da perspectiva sombria de uma derrota para um rival e a aproximação do calabouço da tabela a dez rodadas do final. O que não esconde defeitos conhecidos, evidentes desde o começo da temporada.

8 – O São Paulo lida com o gosto que se sente, mas não se saboreia. A terceira vitória seguida foi impedida por um pênalti defeituoso, situação que não é nova nem para quem bateu e nem para quem teve de segurar a comemoração.

HORA DA DECISÃO

Duas derrotas seguidas obrigam o Cruzeiro a enfrentar as dúvidas que tinha conseguido driblar até o momento. Num campeonato longo, em que times esperam e aceitam fases de instabilidade, o líder ainda não tinha convivido com uma queda de desempenho. Talvez ela tenha se apresentado, talvez seja apenas um breve escorregão. Fato é que, em duas rodadas sem somar pontos, algo que se passa pela primeira vez neste BR-13, o Cruzeiro viu sua vantagem diminuir em apenas um. O que mostra o tamanho da oportunidade que o Grêmio – um ponto em dois jogos – poderia ter aproveitado. Mesmo sem pontuar, o Cruzeiro se satisfaz eliminando rodadas e minimizando a possibilidade de ser alcançado. Deve ser o suficiente para garantir a taça, a não ser que estejamos testemunhando o início de um colapso sem precedentes. As próximas semanas serão interessantes.



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