COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

LITURGIA

Não é verdade que Luiz Felipe Scolari pretende viajar a Madri para conversar com Diego Costa. De acordo com o técnico da Seleção Brasileira, trata-se de factoide produzido por um jornal espanhol. A posição de Scolari em relação a convocar o atacante do Atlético de Madrid para a Copa do Mundo é a mesma que ele mantém sobre outros nomes: as listas para os amistosos serão feitas levando em consideração as oportunidades para cada jogador. Não faz sentido definir uma situação antes do momento adequado.

No aspecto técnico, a inclusão do artilheiro do Campeonato Espanhol no grupo de jogadores que disputarão o Mundial pelo Brasil é perfeitamente defensável. Costa representa uma alternativa ao sistema com o qual a Seleção conquistou a Copa das Confederações, em caso de lesão de Fred ou Neymar. Ele pode atuar como um homem de referência – configuração na qual a forma de atuar do time não sofreria alteração – ou ao lado de Fred, numa dupla de atacantes, se por desgraça Neymar for baixa. Em ambas as leituras, não estamos falando de alguém que teria um lugar garantido entre os titulares. E Scolari não vê razões para tratar disso neste momento.

Rápida história, para oferecer contexto: Após a Euro 2004, Luis Figo anunciou que não jogaria mais por Portugal. Scolari, então técnico da seleção lusa, seguiu a caminhada pelas Eliminatórias Europeias para a Copa da Alemanha sem seu capitão. Quando começaram a circular rumores de que Figo estaria disposto a retornar para jogar a Copa, o meia recebeu um telefonema do treinador. A conversa teve o propósito de saber se Figo queria mesmo voltar, e dizer a ele que, se quisesse, seria necessário disputar os jogos restantes do qualificatório. Assim se deu.

Com Diego Costa, não há histórico ou relação, de modo que qualquer contato neste sentido não será feito por Scolari, muito menos como objetivo de uma viagem internacional. Conhecendo a importância que Felipão confere a questões como formação de grupo e manutenção do ambiente, é natural que ele não queira dispensar a Costa um tratamento distinto dos outros. Mesmo porque não houve nenhum sinal do jogador sobre o desejo de jogar pelo Brasil. Ao contrário, os diários esportivos espanhóis publicaram, no início da semana, uma declaração de Costa revelando a decisão de defender a Espanha (o que, é preciso ressaltar sempre, é seu direito). Na possibilidade de ter sido um movimento para pressionar o lado brasileiro, surtiu o efeito errado.

O caso não é simples. Envolve princípios, raízes e sentimentos. Também envolve a visão de um jogador a respeito de seu próprio status e os ritos que levam a um chamado pela Seleção Brasileira para um Mundial. Mais próxima de Diego Costa, e aparentemente convencida do que ele pode agregar, a Espanha já está com o telefone em mãos, à espera dos trâmites burocráticos para disparar a ligação. Depende do recebimento de um documento em que a CBF atesta que o atacante não jogou oficialmente pelo Brasil.

A Seleção Brasileira ainda fará dois amistosos em 2013, em novembro. Diego Costa terá de aguardar, se assim quiser.

PROZAC

Apenas seis pontos separam o quinto e o décimo-sexto colocados do Campeonato Brasileiro. O que significa que os doze times que não fazem parte do G-4 ou do U-4 estão, a onze rodadas do final, sonhando os mesmos sonhos, bons ou ruins. A chamada “zona do limbo”, faixa da tabela que reunia os times que não tinham mais interesse na disputa, desapareceu em 2013. E o que era motivo de críticas ao formato foi substituído por ataques ao nível técnico do campeonato. Ignora-se que a competição está evidente e exige desempenho de todos os participantes. Até o Atlético Mineiro, garantido na Libertadores do ano que vem, precisa pontuar para evitar qualquer risco e poder se dedicar ao Mundial de Clubes. O BR-13 é um espetáculo em termos de futebol apresentado? Claro que não. As edições anteriores foram? Também não. Estranho mau humor.



  • André Nunes

    André

    Perfeito seu ponto de vista quanto ao nível técnico do BR-13, na verdade esta sendo mantido o nível dos últimos anos.

    Sempre os experts da bola encontram a justificativa, as transferências no meio do campeonato, a quantidade excessiva de jogos, os velhinhos em fim de carreira que voltam ao pais como heróis ou maestros.

    Até acredito que são fatores importantes mas o que falta é organização desde a base, estrutura geral de campeonato. Veja o Cruzeiro, montou um time esse ano e sobrou, qual planejamento a longo prazo foi realizado ? Quantos da base são titulares ?

    Ainda vivemos de resultado imediato e nossa realidade é essa, a profissionalização tem que valer para todos os lados e só depois podemos começar a ter um campeonato de alto nível.

    Que a Premier League seja o objetivo final.

    Grande Abraço e quando a caixa postal vai voltar ?
    André

    • Teobaldo

      “Veja o Cruzeiro, montou um time esse ano e sobrou, qual planejamento a longo prazo foi realizado ?”

      Na mosca! E, ao meu ver, a cada ano veremos isso, ou seja, os times “se encaixando do nada”. Quem, no início do campeonato, apontaria o Cruzeiro, com o grupo q como favorito ao título? Muito se fala que o nível do campeonato é baixo. Eu não acho. O nível é esse mesmo, todos os anos. Temos que nos acostumar com a realidade de que nossos principais jogadores não estão, e não estarão mais, por aqui. Simples, assim. Quem é o grande destaque individual deste brasileirão?

  • Como (quase) sempre, perfeito André.

    Pelo que conheço (de longe) do Felipão, as chances do Diego são mínimas.

    Abraço.

  • Junior

    Sobre o texto “PROZAC”:

    Eu, recentemente, comentei por aqui que o campeonato está ruim tecnicamente e ao mesmo tempo falei sobre minha preferência pelo formato de mata-mata. Continuo com as mesmas posições, porém não entendo que uma coisa tenha relação com a outra. Da mesma maneira não consigo entender como a relação entre o formato de pontos corridos e a disputa intensa para fugir do rebaixamento ou conquistar uma vaga para libertadores. Quando se fala em torneio mata-mata, na verdade se está falando em um torneio misto, que envolve uma primeira fase, onde são definidos os times que serão rebaixados, os times que estarão qualificados a disputar os torneios internacionais e aqueles que disputarão o título do campeonato (aí sim, no sistemas mata-mata).

    A Briga intensa para fugir de um rebaixamento ou conquistar uma posição privilegiada não está condicionada ao sistema dos pontos corridos, pode acontecer o mesmo com o sistema de mata-mata. O nível técnico ruim com times muito abaixo da média (basta lembrar do desempenho de Santos e São Paulo esse ano em jogos na europa) também não está condicionado ao modelo X ou Y de competição.

    Torno a repetir, a escolha de um determinado modelo de competição se dá por pura preferência pessoal, não é resultado de um método científico de análises sólidas com testes exaustivos merecedor de Nobel.

    AK: Tampouco condiciono qualidades ou defeitos específicos a este ou aquele formato. Aponto a falta de critério para criticar a esmo, justamente por preferências pessoais. Um abraço.

    • junior

      Exato! Estamos falando a mesma coisa, não?

      • RENATO77

        “Torno a repetir, a escolha de um determinado modelo de competição se dá por pura preferência pessoal, não é resultado de um método científico de análises sólidas com testes exaustivos merecedor de Nobel.”
        Junior, na mosca!
        Abraço.

        AK: Para os clubes, é bem mais do que uma questão de preferência pessoal. Um abraço.

  • junior

    Exato! Estamos falando a mesma coisa, não?

    • Rodrigo-CPQ

      Junior, acho que os fins são os mesmos, mas as preferências amplamente divergentes.

      Em tempo: não discordo de seu ponto de vista. Mesmo porque, se levarmos em conta o sistema de mata-mata, a fase inicial teria apenas 19 rodadas, em turno único. E gostei do sistema de play-off dos campeonatos de 98-99, salvo engano. Mas… porém… contudo…. todavia… ainda prefiro os pontos corridos…

      []s

      • Junior

        Mas é exatamente isso, o André abordou um assunto e eu concordei com ele, apesar de gostar do campeonato em outro formato. A diferença é que ele conseguiu definir em duas linhas o comentário que eu queria fazer (na resposta que ele me deu). Mas no fim, é isso mesmo.

        abs

  • Emerson Cruz

    Quanto a opção de Diego Costa, seja qual for sua decisão, é um direito dele e que deve ser plenamente respeitado e tratado sem ufanismos ridículos.
    Abrindo um pouco mais a discussão,porém, acho que a Fifa está afrouxando demais as regras para atletas defenderem seleções o que pode descaracterizar a razão de existir dos próprios selecionados nacionais. Em casos pontuais, não haverá maiores riscos, mas começa aumentar a possibilidade com aberturas de precedentes para que questões financeiras passem a nortear escolhas de atletas para defenderem as seleções. Isto a médio prazo pode afetar a própria Copa do Mundo.

  • André,

    Concordo que o nível técnico dos campeonatos anteriores não era assim tão diferente deste. Mas esse ano, em que pese a competitividade na briga para fugir da degola, parece que a coisa piorou um pouco. A qualidade dos jogos não está boa, sempre havia um grupo brigando pela vaga na libertadores, que apresentava um futebol com melhor padrão que aquele grupo que brigava para não cair. Hoje, existe o Cruzeiro e o Náutico, que destoam um pouco, os demais parecem jogar do mesmo jeito, com muito mais vontade que futebol. Os torcedores percebem essa queda de qualidade. É só ver os jogos sofridos de botafogo, grêmio, todos no G4.

  • Massara

    Compreendo que seja direito do Diego Costa optar por jogar pela seleção espanhola. Porém, ele deveria ter sido coerente e se manifestado nesse sentido quando foi convocado para defender a seleção brasileira pela primeira vez. Parece-me que a questão se trata muito mais de aproveitar uma oportunidade que antes não existia do que de realizar o seu verdadeiro “desejo” de defender a seleção com a qual ele realmente se identifica. Pela cronologia dos fatos, não vejo consistência no discurso de identificação.

    • Marcos Nowosad

      Pelo contrario, vejo muita coerência.

      O objetivo do Diego Costa é disputar uma Copa do Mundo como titular. É direito dele não ter preferência pela camisa que vestir.

      Alem da realização pessoal, a posibilidade de valorização profissional de um jogador numa Copa do Mundo é imensa. Um simples gol numa partida de Copa do Mundo pode ter uma repercussão absurda, abrindo mercados antes impensáveis para o jogador.

      Depois da convocação para os amistosos e o “esquecimento” na Copa das Confederações, o Diego Costa sentiu que o Felipão, como faz tradicionalmente, “fechou” o grupo para a Copa do Mundo. Suas chances diminuíram muito.

      Entre o certo (uma convocação pela Espanha, que carece de grandes atacantes no momento) e o (muito) duvidoso (jogar a Copa como titular ao lado de Neymar), ele está optando pela primeira opção.

      E, jogando o patriotismo oportunista para escanteio, o Diego Costa está escolhendo o caminho correto para realizar o sonho dele.

      Faria exatamente o mesmo no lugar dele.

  • AKN

    Bom dia, André.
    Concordo contigo, e vou um pouco além. Apesar de todos os pesares, continuo achando o Campeonato Brasileiro, sim, de um bom nível técnico – NA MÉDIA!
    Moro há algum tempo em Londres e, como nao pode deixar de ser, acompanho quase todos os jogos por aqui. 80% dos jogos tem um nível técnico muito abaixo do campeonato Brasileiro, ou acreditam que Bolton x Cristal Palace é um jogao? O mesmo vale para os campeonatos Espanhol, Alemao, Italiano…Na média (sempre bom reforcar), acredito termos o campeonato mais competitivo e de bom nível técnico.
    Obviamente, se falarmos de Champions League x Libertadores, essa comparacao é inexistente. Grande Abs

    • Verdade.
      Venho assistindo alguns jogos de times de menor expressão na Espanha, principalmente, e não tem nada de espetacular. São jogos que em nada lembram os grandes clássicos europeus, como as finais da Champions.
      Mas o nosso campeonato, esse ano, não está bom. Os times de maior expressão, como Fluminense, Botafogo, São Paulo, Grêmio, Corinthians (esse tá amarrado), e outros, estão apresentando um futebol feio, como excesso de erros de passes, poucas jogadas. Claro que sempre temos alguns bons jogos, mas, de modo geral, não está bom.

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