COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

GUARDIBOLA

Você deve ter lido a respeito. No início de maio deste ano, Pep Guardiola passou um dia em Buenos Aires. Seu principal compromisso na cidade argentina foi uma palestra para 3500 afortunados que encheram o famoso teatro Gran Rex. Pouco antes de começar a trabalhar no Bayern de Munique, o técnico catalão abriu uma janela para sua mente futebolística e convidou a todos para olhar.

No mês seguinte, a revista El Gráfico publicou uma transcrição da apresentação. Da voz de Guardiola para o papel, a vivência e os conceitos de um treinador revolucionariamente simples. Quem viu o Bayern lecionar o Manchester City – talvez o time mais talentoso da Inglaterra – nesta semana, pela Liga dos Campeões, pôde observar a aplicação de fundamentos que ajudam a entender como Guardiola pretende fazer sua equipe jogar. A vitória, fora de casa, foi um vídeo ilustrativo da palestra de Pep em Buenos Aires. E uma amostra do que o atual campeão europeu pode ser em suas mãos.

Um dos mantras de Guardiola é encontrar lugares em seus times para os melhores jogadores, independentemente de posições de origem. Outro é povoar o meio de campo com os mais inteligentes (“os bons, para mim, têm de jogar no meio. Quanto mais futebolistas bons você tiver no meio, mais poderá passar a bola”, disse Guardiola no Gran Rex). De modo que não foi uma surpresa quando um dos melhores laterais do mundo foi transferido para o centro do gramado já nos primeiros jogos desta temporada.

Em uma entrevista após a conquista da Super Copa da Uefa, em agosto, Pep disse que Phillip Lahm talvez seja o jogador mais inteligente que ele já treinou. O baixinho de 1,70m comandou as ações no jogo contra o City, primeiro contribuindo para gerar superioridade numérica na faixa central e navegando entre as linhas inglesas, e mais tarde trabalhando quase como um zagueiro quando o Bayern foi pressionado (“quando você tem um a mais no meio, sempre tem mais controle para atacar e para defender”).

O domínio do meio de campo criou muitos problemas para o Manchester City. A ajuda aos volantes do time inglês liberou os corredores laterais para Rafinha e Alaba. O Bayern adiantou sua última linha e forçou o jogo a ser disputado no campo do adversário. Pressão, controle e inversões, como na jogada do primeiro gol, em que Rafinha (“quando se começa pela esquerda, se acaba pela direita”) lançou Ribéry para um chute de fora da área.

O segundo gol saiu de um formidável lançamento de Dante para Muller. O terceiro, de um desarme de Kroos em Fernandinho (“Quero a bola para mim. Não espero que me entreguem, não espero o erro, quero provocar o erro”), que deixou Robben no um-contra-um com Nastasic aos 14 minutos do segundo tempo, o que essencialmente encerrou o jogo.

O Bayern teve 60% de posse de bola e trocou 613 passes, contra 263 do City. Pep Guardiola (“com tudo o que tenho na cabeça, me convenci: encontrar superioridade por meio de coisas simples, como passar a bola, que é a ideia básica com a qual nos fizemos futebolistas desde pequenos”), em alemão fluente, está ensinando o Bayern a falar seu idioma.

MALAS

É revoltante que um jogador de futebol tenha problemas decorrentes da publicação de uma foto com um amigo, e que peça desculpas por ter “ofendido” alguém. Reinaldo, lateral do São Paulo, e Willian José, atacante do Santos, são da mesma cidade alagoana e amigos desde a infância. Ambos se encontraram após a vitória santista na quarta-feira, e uma foto apareceu nas redes antissociais. Nada de boate, garrafas de uísque e mulheres de fácil leito. Apenas um encontro de amigos. Qual é o problema?

MAIS MALAS

Existem duas competições nacionais de futebol no país. Uma é um campeonato, o Brasileiro, disputado em pontos corridos, que dá o título ao time que têm o melhor desempenho. A outra é uma Copa, a do Brasil, disputada no mata-mata, que premia o time que melhor negocia confrontos eliminatórios. São disputadas basicamente pelas mesmas equipes. E ainda há quem reclame.



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