CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CARTOLINHAS

O email era até bem escrito, com frases claras e poucos assaltos ao idioma. Foi enviado a propósito de uma coluna recente sobre o Bom Senso FC. Mas o que, a princípio, parecia um convite ao debate de ideias, no final se mostrou uma peça em homenagem ao vale tudo do futebol.

Começou com o que o leitor chamou de “crítica” ao movimento. Ele estranhou que não houvesse, entre os líderes, nenhum jogador de seu time. Como se o fato fosse responsabilidade dos atletas que se mexeram e se expuseram, e não de quem preferiu ficar em casa. Uma lógica estranha, mas comum a quem não consegue enxergar além das cores.

Seguiram-se ataques aos participantes, a quem os ajudou e quem ofereceu espaço a seus argumentos. De hipócritas a aproveitadores, estavam todos defendendo os próprios bolsos, escondendo-se atrás de uma causa oportunista. Era até melhor que o time dele não estivesse tão representado.

Mas as pérolas realmente começaram quando a mensagem entrou no território do nível de futebol que se pratica no Brasil, um dos pilares das reivindicações dos jogadores. O articulado leitor só estava interessado em ver o time dele ganhar, não na qualidade do jogo. O “produto”, de acordo suas convicções, era um problema da televisão.

É uma postura semelhante à do sujeito que não se importa com a evidente falência do trânsito em sua cidade, porque leva “só vinte minutinhos” de casa ao escritório. Alguém que não percebe a relação entre o gabarito do produto e seu valor, e que um futebol valorizado proporciona benefícios a todos.

Tal visão ajuda a explicar o que se vê nas ruas e nos estádios, pessoalmente ou pela televisão. Dirigentes a estimulam, como se pode constatar nas negociações dos direitos de transmissão, ao pensar exclusivamente nos seus distintivos.

Cartolinhas sem poder estão por aí, posicionando-se contra a evolução. Os cartolas com poder estão em silêncio.

APROVADO

Neymar teve grandes responsabilidades no jogo do Barcelona contra o Celtic, na Escócia. A ausência de Messi orientou os olhares para o brasileiro, que fez a partida que se esperava dele. Houve momentos, durante o segundo tempo, que o envolvimento de Neymar nas trocas de passes deu a impressão de que ele joga no Barcelona há tempos. Rápida adaptação.

MODIFICADO

Pressão adiantada, jogadas que se iniciaram de um lado e terminaram do outro, intensa circulação da bola, controle dos movimentos. Tudo sob o comando de um jogador – agora – de meio campo, um baixinho de 1,70m chamado Phillip Lahm. A vitória sobre o Manchester City foi a melhor atuação do Bayern com Pep Guardiola. Uma amostra do time que ele pretende criar.



MaisRecentes

Plano B?



Continue Lendo

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo