COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

A HORA MAIS ESCURA

Aos nove minutos do segundo tempo do jogo no Morenão, após assinalar impedimento em dois lances que terminaram em gols do Corinthians, o assistente Bruno Salgado Rizo levou uma garrafada na cabeça. O objeto, de plástico e vazio (felizmente para o alvo, nos dois casos), partiu de um setor ocupado por torcedores corintianos no estádio. Foi a única exibição de pontaria relacionada ao Corinthians na humilhante tarde de ontem.

Alguém que atira uma garrafa para dentro do campo, seja qual for o motivo, é claramente incapaz de raciocinar. Acertar o assistente é um golpe de azar merecido pelo bagrecéfalo que se coloca em tal situação. Um ignorante que não percebe o potencial de dano da própria estupidez: ferir uma pessoa e prejudicar o próprio time. Diante da quantidade de punições que o Corinthians recebeu recentemente por causa do mau comportamento – sem falar na tragédia de Oruro – de seus torcedores, o sujeito não pode nem reclamar de falta de informação.

Mais mandos de partidas serão cassados por causa da garrafa que voou durante Portuguesa 4 x 0 Corinthians, um dos resultados mais surpreendentes deste Campeonato Brasileiro. Mais problemas para um time que, pela primeira vez em muito tempo, se mostrou vazio. Há claras e assustadoras diferenças entre perder por falta de capacidade e perder por excesso de negligência. Até este domingo, o Corinthians ainda não havia se enquadrado no último caso, mesmo nesta série de oito jogos sem vitória em que marcou um mísero gol, contra. O time não sofria quatro gols desde uma tarde de outubro de 2010, quando perdeu em casa para o Atlético Goianiense e Adílson Batista se demitiu. Tite foi contratado uma semana depois.

O castigo de atuar longe do Pacaembu pode parecer uma questão menos importante, já que existem evidentes problemas a serem resolvidos num time que há quarenta dias, concluída a décima quinta rodada, ocupava a quarta posição. Mas a seis pontos da marca d’água da tabela, os efeitos do campo de força da zona do rebaixamento podem começar a se fazer sentir. Enfrentá-los ao lado da torcida, onde os jogadores se sentem à vontade, já não é tarefa simples. Situações anormais apenas dificultam as coisas.

O 0 x 0 com o Grêmio, na quarta-feira, pela Copa do Brasil, já havia mostrado uma faceta preocupante. O Corinthians pareceu apreciar um empate sem gols em seu estádio, não como um time que se percebe em má fase e vê pontos positivos numa noite em que não perdeu. Mas como uma equipe que não se mobiliza suficientemente para iniciar um mata-mata com o ímpeto necessário. Foi um esboço do que aconteceu contra a Portuguesa: dois gols sofridos e um pênalti recuado para o goleiro, em menos de vinte minutos.

A presença de Alessandro e Émerson Sheik na entrevista coletiva após o jogo, para ouvir as críticas e as perguntas normalmente endereçadas ao técnico, revela que ainda há entre os jogadores a intenção de se responsabilizar pelo momento. E de superá-lo. Com atuações como a deste domingo, não conseguirão.

VIDA DURA

Por falar na atração da zona da degola, o São Paulo está novamente em alerta, apenas dois pontos acima do décimo sétimo lugar. As três vitórias seguidas após a chegada de Muricy Ramalho sugeriram um novo momento, de mais confiança e subida na tabela. Mas os caprichos do futebol desmentiram a leitura apressada. Uma bola na trave que bateu nas costas de Rogério Ceni – que não tomaria o gol se ficasse olhando – roubou um ponto em Goiânia. E um resultado que pode ser chamado de infeliz ontem no Morumbi recolocou o São Paulo numa série de derrotas. Como estímulo, fica o desempenho do time no jogo contra o Grêmio.



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