COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MENSAGEM

A delegação do Coritiba se preparava para embarcar rumo a Recife, na quinta-feira, quando Alex foi abordado por quatro admiradores. Eram jovens jogadores de futebol do Maranhão, todos na faixa dos 20 anos de idade. Estavam a caminho do Leste Europeu para tentar a sorte em clubes obscuros daquela região do mundo. Apresentaram-se a Alex para parabenizá-lo pelo movimento de jogadores pela discussão do calendário, mas não deixaram de expor uma preocupação e um pedido: que as mudanças não acabem com os campeonatos estaduais.

Alex, um dos participantes mais ativos e vocais do movimento – o que só abrilhanta seu currículo de craque e suas posturas pessoais – Bom Senso F.C., deparou-se com os problemas de comunicação que costumam se colocar no caminho de iniciativas transformadoras como essa. Em poucos minutos, explicou aos rapazes que as ideias do grupo tinham o objetivo de melhorar a situação dos clubes que não conseguem se manter ativos durante todo o ano. Os quatro jogadores viajaram mais tranquilos e esperançosos.

O movimento Bom Senso F.C. fará uma reunião nesta segunda-feira, em São Paulo, na qual se produzirá a correspondência que será enviada à CBF, junto com o dossiê que sustenta os argumentos para as solicitações de alterações no calendário do futebol no Brasil. As posições do grupo vão bem além dos “puxadinhos” que já começam a ser divulgados como possibilidades de solução para o ano que vem, meras subtrações de datas que não resolvem nada porque não acessam o problema principal: uma programação de competições que não permite a preparação ideal, prejudica de diversas maneiras a qualidade do jogo e não estimula a atividade dos clubes em todos os níveis.

É fato que os principais clubes do Brasil precisam jogar menos. Mas essa não é uma necessidade geral e não impõe simplesmente a extinção de competições. A noção de que os estaduais, como são hoje, representam a salvação dos clubes do interior porque promovem encontros entre grandes e pequenos é um reflexo equivocado do modelo que se pretende discutir. Mesmo se fosse verdade, não resolveria as carências daqueles que não têm o que disputar no resto da temporada.

O documento que será encaminhado à CBF pretende abordar todos esses aspectos e confia em uma resposta rápida, mesmo que os impactos do debate não sejam imediatos. Trata-se de uma ação propositiva de um grupo de atletas e técnicos que será mais numeroso ao término da reunião do dia 30. Os jogadores que subscreveram o manifesto inicial, divulgado na terça-feira passada, estão colhendo as assinaturas de seus companheiros de clube em apoio ao movimento. O Bom Senso F.C. pode se multiplicar em menos de uma semana e ganhar mais vozes.

A pauta do encontro – que será fechado – também trata da elaboração da estratégia de comunicação mais adequada para o momento. Como o encontro de Alex com os jogadores no Aeroporto Afonso Pena revelou, a divulgação é tão importante quanto a mensagem.

COPA DO BRASIL

O Atlético Paranaense conseguiu o melhor resultado nos jogos de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Assim como o Goiás, estará classificado com um 0 x 0 na segunda partida, mas jogará em casa. O longo intervalo entre os jogos promete influenciar os confrontos e age como estimulante para quem está em má fase. É razoável imaginar que Corinthians e Internacional, por exemplo, viverão melhores dias na última semana de outubro. Pior do que está é difícil.

RISCO

O torcedor do Atlético Mineiro lamenta que a pior lesão da carreira de Ronaldinho Gaúcho aconteça agora e ameace a participação dele no Mundial de Clubes da Fifa. Até anteontem, Ronaldinho, 33, tinha conseguido driblar contusões sérias ao longo de sua trajetória, o que é notável. O prazo de recuperação é baque nos planos do Atlético para o torneio no Marrocos.



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