CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SEM SENSO

Dois anos atrás, quando os jogadores espanhóis fizeram uma greve que comprometeu o início da temporada, um cartola os acusou de ganância. Os atletas se recusaram a jogar porque os clubes lhes deviam salários. O dirigente disse aos jornais que havia milhões de desempregados no país, e que os grevistas deveriam pensar que ao menos tinham trabalho.

A hipocrisia da cartolagem supera as fronteiras, o fuso horário e o idioma. A primeira reação ao movimento “Bom Senso FC” – reunião de atletas e técnicos pela discussão do calendário do futebol brasileiro – mostrou como a simples sugestão de mudanças age na capacidade de raciocínio de quem toma decisões por aqui. Francisco Novelletto, presidente da Federação Gaúcha, acusou os jogadores de reclamarem “de barriga cheia”.

Novelletto alcançou o feito de comparar o futebol a outros esportes, em termos de desgaste, para criticar os atletas. Tema que não vale a abordagem, por respeito à inteligência do leitor. O cartola gaúcho também quis saber se os participantes do movimento aceitariam reduções salariais decorrentes da diminuição do número de jogos, como se a questão central em discussão fosse dinheiro.

Posições reveladoras, mas não surpreendentes. O papel verdadeiramente indigno, por ora, coube a Alfredo Sampaio. O vice-presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais não soube compreender o que aconteceu na terça-feira. Em vez de colocar a entidade ao lado e à disposição daqueles que deveria representar, Sampaio se insurgiu contra o caráter independente do movimento. Pior: personalizou o debate ao dizer que o zagueiro corintiano Paulo André, um dos articuladores do manifesto, “fala demais e deveria se candidatar a presidente do sindicato”. Quanta visão.

No lugar de questionar por que os jogadores não procuraram o sindicato (por que será?), Sampaio deveria agradecer a quem fez o trabalho dele. E seguir o exemplo. Ainda há tempo.

CORRENTES

A cada manifestação sobre o movimento “Bom Senso FC”, fica evidente quais são lados e o que cada um deseja para o futebol brasileiro. Preste atenção em quem declara apoio e quem combate o avanço. Preste ainda mais atenção nos argumentos de cada lado. Os dirigentes de clubes também precisam se posicionar. Se atletas e clubes ficarem juntos, as coisas acontecerão.

EVIDÊNCIA

“A gente vê no semblante do jogador [adversário] que você pode ir pra cima novamente que ele está um pouco mais desgastado”. Declaração de Everton Ribeiro, destaque do BR-13, sobre o que o Cruzeiro tem encontrado nos segundos tempos dos jogos. Os mineiros fizeram pré-temporada de um mês e não jogarão mais de sessenta partidas no ano. Só não vê quem não quer.



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