COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

LUCIDEZ E URGÊNCIA

O telefone do presidente do Corinthians, Mário Gobbi, tocou num dia de novembro do ano passado. Do outro lado, alguém com uma proposta. José Maria Marin lhe disse algo como “você não gosta do Mano? Eu fico com o Tite e você pega o Mano”. A resposta do dirigente corintiano foi taxativa, no sentido de “Mano é ótimo, mas o Tite não sai do Corinthians”. Alguns dias depois, Mano Menezes foi demitido da Seleção Brasileira por Marin, que só anunciou Luiz Felipe Scolari no final do mês. Tite, que havia renovado seu contrato com o Corinthians em outubro, seguiu no clube onde hoje seu futuro é questionado.

Gobbi gosta do trabalho de Tite, entende que técnicos precisam de estabilidade e confiança. Ao dizer publicamente que o treinador que conduziu o clube às suas maiores glórias não corre risco de ser demitido até o final do ano, a diretoria invoca o mesmo modo de tratar crises que propiciou o início do período de conquistas, logo após o vexame de Tolima. Mas o momento atual é distinto.

Uma das diferenças é a vontade de Tite. Especula-se sobre a possibilidade de o treinador decidir deixar o Corinthians se as coisas continuarem a andar mal, como forma de proteger sua própria história. Ocorre que Tite não é assim. Em seu entorno, fala-se sobre a gratidão que ele mantém justamente por não ter sido dispensado em 2011, o que o impede de abandonar o navio num momento de desequilíbrio. À exceção de uma situação indiscutível, como uma sinalização de que o Corinthians não o quer mais, Tite colocará o clube à frente de sua imagem.

Não há qualquer traço de má vontade do time com o técnico. Ao contrário (“fico com vergonha quando falam que ele pode sair”, diz um jogador), Tite continua trabalhando num ambiente de respeito e, sem exageros, admiração. O que existe da parte de alguns jogadores – que se dão bem com ele, registre-se – é uma dúvida, honesta, se ainda é possível reconstruir o repertório de uma equipe que está se distanciando de seus objetivos na segunda parte da temporada.

Se nada de extraordinário acontecer, o mais provável é que a Copa do Brasil tenha um papel decisivo no desenlace da questão. Uma eliminação esgotaria as opções e imporia a necessidade de começar a planejar o ano que vem. Curioso é que, semanas atrás, o Corinthians e Tite iniciaram uma conversa sobre renovação de contrato. A intenção de prolongar a relação ficou evidente de parte a parte, mas providências efetivas seriam tomadas mais tarde. A crise se intrometeu na rotina e, agora, ambos os lados consideram que não há nada mais importante do que recuperar o time. Não é do feitio de Tite resgatar a conversa para se fortalecer.

A delicadeza do momento pede lucidez, mas, além da procura por variações de sistema, percebe-se certa urgência nas atitudes de Tite. Na derrota para a Ponte Preta, dois jogadores (Romarinho e Pato) foram substituídos no intervalo, algo que foge aos costumes do técnico. Alguns jogadores vivem sob um regime menos generoso em termos de paciência.

O demolidor Cruzeiro estará no Pacaembu neste domingo. Não há adversário pior no momento. Por outro lado, não há melhor.

FLAMENGO

Pessoas próximas a Mano Menezes confirmam insatisfações do técnico que, de forma repentina, encerrou seu trabalho no Flamengo anteontem. Mano vinha comentando sobre a inocência de seu time e sobre a própria dificuldade de se fazer entender. Promessas não cumpridas de investimento para qualificar o elenco e constantes gestões internas para a escalação de determinados jogadores também incomodavam o treinador. Como disse Mano, a atuação do Flamengo na quinta-feira foi um resumo dos problemas que ele enfrentava. Especialmente a forma como o time se deixou superar após sair na frente com dois gols. A questão é que as últimas declarações públicas do técnico indicaram uma situação diferente, mais otimista. Daí a leitura desconfiada que se faz a respeito da saída após a derrota de virada para o Atlético Paranaense.



  • Emerson Cruz

    Independente de como a temporada termine para o Corinthians (e aparenta terminar de modo insatisfatório) torço para que Tite permaneça no clube, não só em 2014, mas por muitas outras temporadas. Ninguém que o Corinthians possa contratar me parece melhor que o atual comandante da equipe. Além do mais, ao prolongarem o vínculo (sim, talvez seja utopia da minha parte) Corinthians e Tite têm a oportunidade histórica de propiciarem um exemplo de novas formas de relacionamento entre os técnicos de futebol no Brasil e seus patrões.
    Fica, Tite!

    • RENATO77

      A atuação de hoje contra o melhor time do campeonato dá um folego maior à possibilidade de permanência do Tite. O segundo tempo deu esperanças de que o futebol de 2012 pode ser recuperado.
      Mas…como disse o AK, o desempenho na Copa do Brasil vai definir tudo.
      Tite já está marcado na historia do clube, mas ser o treinador do SCCP no primeiro ano do novo estádio…com todo o “oba oba” que haverá no ano que vem em torno disso, deveria pesar na decisão do Tite de permanecer no cargo.
      Vamos ver os próximos capitulos….o Inter perde mais pontos em casa, contra a Lusa…Dunga irá resistir? Vem Abelão no colorado?
      Abraço.

  • hamilton pereira

    no segundo tempo do jogo de hoje, ele posicionou melhor os jogadores.

  • Edouard

    Muito boa coluna, como de costume. Mas acho que a melhor coisa para a Diretoria seria chamar o Tite para a renovação nesse momento de turbulência. Seria um sinal claro de respaldo ao técnico para ele trabalhar com calma, para os jogadores entenderem que precisam continuar mostrando serviço, e para os torcedores pararem de buzinar sobre esse assunto. Seria, enfim, um enorme sinal de maturidade e confiança no trabalho de um técnico cuja competência foi bem demonstrada. Um abraço.

  • geraldo

    Como chuta as coisas. Essa conversa sobre troca de Mano por Tite cheira a invencao. Coluninha vagabunda. Vamos ver se tem censura!!!!

    AK: Você não percebe o ridículo?

  • Rodrigo

    O problema é que, ao citar apenas o nome do Tite, o Corinthians acaba batendo na velha tecla do “em caso de dúvida, a culpa é do treinador”, um retrocesso. Lá atrás, a queda pra Série B e a derrota para o Tolima foram bancadas pela coesão entre diretoria-jogadores-técnico. O mundial também. Então porque seria diferente agora?

    AK: Não é diferente agora. Um abraço.

  • Beto Petroni

    A coluna diz muito sobre quem são os treinadores em questão. Um coloca a empresa em que trabalha como prioridade a despeito de sua reputação profissional. O outro prioriza sua reputação a despeito da empresa… Não surpreende.

    Abraço!

  • Carlos Futino Barreto

    Como São Paulino, torço para a saída de Tite do Corinthians. De preferência antes do fim do contrato 🙂
    Mas na verdade, vejo que a diretoria tem nas mãos uma oportunidade ímpar para dar um grande passo rumo a mudança das relações entre clubes e técnicos no Brasil. Manter conversas de renovação em um período de turbulências (acho exagero falar em crise em um time que já tem dois títulos no ano) pode dar sinais positivos a serem imitados por outros clubes.

  • Silas

    Caro André,

    Acostumado a ler seus comentários, firmei a convicção de que você não usa de subterfúgios para escrever. Aliás, eu o considero uma das melhores, senão a melhor, “pena” do jornalismo esportivo.
    Então essa conversa entre o Marin e o Gobbi não pode ser hipotética. Ela de fato ocorreu e, acredito, nos termos em que foi colocado.
    Agora a questão: se era o Tite a opção do Marin, como foi ele escolher o Felipão como alternativa, visto ser ele de filosofia, métodos, práticas e conhecimentos tão diversos aos do Tite?
    Ou, mais uma vez, não devemos nos levar pelo que dizem, falem ou pensem nossos dirigentes.

    abraço

    Silas

    AK: Eu publico o que apuro e sei que é verdade. É minha obrigação. Obrigado e um abraço.

  • Nilo Araújo

    Como diz aquela velha frase do futebol: “Sem ovos não se faz omelete”. O que vemos hoje em termos de desempenho de alguns jogadores, é a realidade. O que vimos no ano passado, foi um tipo de superação difícil de acontecer novamente. Com exceção do Ralf (coitado), não temos jogadores de meio campo, nem segundo volante, nem meias criativos. Os laterais são de dar dó. Ou seja, o time está à mercê do esquema tático que já está manjado pelos adversários. Amarra-se o time na marcação e não tem jeito de fugir. Acho que o elenco tem atacantes que podem dar conta do recado, desde que esse meio campo seja mudado. Como esse ano não dá mais para conatratações. Feliz 2014.

  • Carlos Henrique

    Cara, te assisti no ‘The Book is on the table’ na sexta e, para mim, você é quem melhor comenta sobre as ligas americanas.

    Já superou o pai…

    Abs

    AK: Sou um curioso ali, entre especialistas. Mas obrigado. Um abraço.

  • Celso

    O Tite é um vencedor etc, mas não é possível tapar o sol com peneira!!
    A Falha de planejamento foi quase amadora!!
    O calendario era conhecido, certo? A saída do Paulinho tambem, certo? A idade avançada de Sheik, Danilo, Douglas, Alessandro e por aí vai, tambem. A falta de talentos da base?
    Fomos buscar Maldonado e Ibson!!! Nosso centroavante, marcou talvez o gol mais importante da história do clube, mas isso não faz dele um bom jogador, ou faz? Ele possui séria deficiencia técnica e nenhum dinamismo!! Trouxemos Pato, que não tem fome e nem coragem de chamar para si a responsabilidade dos gols!! só temos “segundo” atacantes!! Atacante tem que fazer Gol!!se um deles passa o ano com 15/16 gols o outro tem que ser o Pelé!!! Nossa situação é muito difícil e com solução complexa e estamos la por incompetencia!!
    A reformulação terá de ser ampla, honesta e corajosa!! |Tenho dúvidas se Tite é o Homem correto para essa tarefa.

  • Antonio

    O Mano Menezes só quer treinar timaço!!! Aí meu filho qualquer um treina! Pq não ficou até o final? Moleza todos nós queremos…

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